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MORTE NO CAMPUS

Médico diz que já realizou outros atendimentos no campus

20 agosto 2014 - 10h18

Thalyta Andrade

“Eu ocupo uma função administrativa, como diretor da Faculdade de Ciências da Saúde, não exerço aqui oficialmente minha função de médico até porque não somos credenciados estruturalmente para este fim. Apesar disso, sou diretor, médico, socorrista, e ontem cheguei a ser agente funerário”.

O relato é do diretor da Faculdade de Ciências da Saúde da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), o médico infectologista Júlio Croda, que conversou com o Dourados News sobre a falta de estrutura para atendimento médico dentro de um campus por onde circulam milhares de alunos e funcionários.

Ontem, Anacleto Tamporoski, 60, acadêmico do curso de Ciências Sociais, faleceu dentro de uma sala de aula do bloco B depois de ter uma parada cardíaca. O estudante teve de esperar o socorro do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), cuja base fica a pelo menos 12 quilômetros de distância da universidade.

Croda foi quem prestou os primeiros socorros ao acadêmico. “Ele teve uma parada súbita e não gradativa, ou seja, parou de respirar e ter batimentos cardíacos imediatamente. Talvez para ele, um socorro mais rápido não fizesse a diferença, pelo seu quadro e histórico de problemas cardíacos. No entanto, para outro paciente, a espera pela distância que os socorristas têm de percorrer para chegar até o campus pode ser determinante”.

O diretor relatou que já teve de ‘socorrer’ pelo menos dois acadêmicos nos últimos meses, já que na falta de um pronto atendimento, os estudantes acabam recorrendo a ele. Conforme Croda, mal súbito, parada cardíaca, e demais incidentes podem acontecer em qualquer lugar. No entanto, em uma cidade universitária com milhares de pessoas a probabilidade aumenta, e um socorro imediato e plenamente estruturado para este fim é necessário.

“É interessante que em lugares que tenham grandes aglomerações exista uma estrutura mínima para atendimento médico. Isso pode fazer a diferença, apesar de que cada caso é um caso. O que aconteceu ontem torna essa discussão ainda mais importante. Sabemos que na saúde tudo é difícil, mas dentro do que é possível, algo tem que ser feito. E a responsabilidade é de todos os atores envolvidos no processo, tanto universidade, quando secretaria de saúde, quanto o corpo acadêmico. A faculdade não é um local que presta serviço de saúde, mas precisa de estrutura para prestar pronto atendimento”, finalizou o médico.

Para secretaria de saúde, responsabilidade é da UFGD

Procurado pelo Dourados News, o secretário municipal de saúde, Sebastião Nogueira, avaliou a situação que envolveu o ocorrido ontem e o debate para que a universidade tenha um pronto atendimento dentro do campus como uma responsabilidade exclusiva da própria instituição.

“Nós, enquanto gestores da saúde municipal, podemos ofertar o serviço do Samu e também do Corpo de Bombeiros, como foi feito ontem. Não temos como disponibilizar um posto de atendimento dentro do campus, porque isso caracterizaria um favorecimento particular, e nossa responsabilidade é por atender a toda a população dentro do espaço do município. A faculdade é um espaço público, mas de responsabilidade autônoma nesse sentido”.

Ainda conforme Nogueira, a secretaria ainda não avalia a região onde está a universidade, que tem a presença também do aeroporto, da Brigada do Exército, e o avanço de construção de condomínios residenciais, como uma localidade onde se faz necessária a implantação de um posto de saúde. “Existem bairros mais necessitados, e temos no aeroporto uma ambulância do Corpo de Bombeiros de prontidão para auxiliar em um socorro. Não avaliamos no momento uma necessidade de implantar nada além disso naquela área”.

Por fim, o secretário de saúde reafirmou que se a universidade tem o entendimento de que há a necessidade de um pronto socorro dentro do campus, a responsabilidade pela implantação disso é exclusivamente da instituição. “Até concordo, mas é algo que foge da nossa alçada e é responsabilidade administrativa deles”, finalizou Nogueira.

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