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MEDALHA DE OURO

Sem conhecer diagnóstico de doença muscular, douradense busca superação no paratletismo

O adolescente indígena tem baixa visão e os ossos do corpo estão atrofiando

05 julho 2022 - 16h18Por Jessica Beatriz

Muito tímido e de poucas palavras, Ediniel Brites Nunes, de 14 anos, é um atleta paralímpico que trouxe três medalhas de ouro para casa ao representar o município de Dourados na XI Paralimpíadas Escolares de Mato Grosso do Sul (Paraesc/MS) 2022, entre os dias 24 e 26 de junho. 

Estudante do sexto ano na Escola Municipal Indígena Araporã, localizada na Aldeia Bororó, Reserva Indígena de Dourados, Ediniel é deficiente visual, com laudo H54 [cegueira e visão subnormal], e participou da modalidade de atletismo, obtendo medalha de ouro nas três categorias.

Entretanto, por trás das medalhas douradas penduras no pescoço, existe muita luta, tanto dele, quanto da mãe, Dadinha Brites Nunes. Após o falecimento do pai das crianças, a mulher cria sozinha os quatro filhos menores de idade.

Quem pensa que Ediniel está plenamente feliz com a conquista está enganado. Em 2020, ele iniciou os treinamentos de corrida com o instrutor Rafael Alves da Silva, ainda na Escola Municipal Indígena Lacui Roque Isnard, porém, uma doença ainda não diagnosticada o tirou do esporte que mais gostava e por isso ele carrega uma frustração.

Além da baixa visão, os ossos do corpo do jovem atleta estão atrofiando por um problema muscular e por isso ele reclama de dor, principalmente em um dos joelhos. Devido a essa situação, ele parou a corrida e continuou apenas nas demais modalidades que praticava. 

Impossibilitado de correr e sem um diagnóstico, o treinador o incentivou a praticar disco, arremesso de peso e lançamento de dardo, esportes que o levaram para a paralimpíada, na qual conquistou as três medalhas de ouro.

Os treinos são feitos uma vez por semana e duram em torno de 50 minutos. Para o treinador, o esporte “influencia na independência, na questão da coordenação motora. Os estímulos que ele recebe durante o treinamento são benéficos a saúde dele”, explicou.

A mãe de Ediniel relatou que já o levou para fazer exames, mas continua na fila de espera e precisa de um ortopedista que faça um diagnóstico. Dadinha revela que o esporte auxilia no bem-estar do filho, diminui o estresse e ansiedade, por isso o incentiva a continuar. 

Segundo a genitora, durante a pandemia eles tiveram que pausar as atividades e Ediniel praticamente parou de andar, passou a engatinhar, não conseguia nem mesmo tomar banho sozinho. A situação mudou quando ele retornou aos treinos.

Além das dificuldades pela baixa visão do garoto, a família que mora a cerca de 3,5 quilômetros da escola, também lida com problemas financeiros, por isso, muitas vezes Ediniel chegou a treinar descalço porque não tinha um tênis. 

Para a competição em Campo Grande, o treinador e a professora Joyce Martins Carbonaro, que o acompanha na Sala de Recurso Multifuncional, acionaram contatos que fizeram a doação de um calçado, mas que também já está sendo usado no dia a dia porque não há outros.

A preparação do garoto continua, agora para uma nova empreitada. Se selecionado, ele irá representar Mato Grosso do Sul em uma competição do Comitê Paraolímpico do Brasil, que será realizado no mês de setembro, em São Paulo.

Acompanhamento escolar

Na escola, Ediniel tem um apoio educacional especializado dentro da sala de aula e uma complementação pedagógica, que trabalha competência e habilidades. No caso dele, a professora tem inserido o braille [sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão].

Joyce relatou que o adolescente é o primeiro aluno com deficiência visual e, apesar das dificuldades no começo, a comunidade escolar é bem inclusiva e acolheu o adolescente.

Com laudo que aponta menos de 10% de visão e a probabilidade de cegueira total futuramente, além do braille, “também é inserido o material adaptado, como barbante, eva texturizado”, devido aos resquícios de visão que ainda tem, explica a professora.

Paralimpíada

A competição é organizada pelo Governo do Estado, por intermédio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), com disputas em três modalidades: paratletismo, bocha paralímpica e tênis de mesa.

O evento reuniu 112 estudantes-paratletas (35 no feminino e 77 no masculino), com deficiências física, intelectual e visual, com idades entre 11 a 18 anos.

Eles representaram os municípios de Campo Grande, Chapadão do Sul, Dourados, Nova Andradina, Rio Brilhante, Sidrolândia e Três Lagoas.


Foto I: Ediniel e o treinador Rafael.
Foto interna II: Dadinha, Ediniel e a professira Joyce.
Foto interna III: Após entrevista, Dadinha levando os dois filhos para a casa de bicicleta.

 

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