Não é novidade que hoje a internet está ligada à vida de todos. O acesso se tornou indispensável ao trabalho ou à vida pessoal, principalmente das gerações que já nasceram “conectadas”. Aproxima as pessoas umas das outras - tanto as conhecidas quanto as desconhecidas – através das redes sociais e também amplia o acesso à informação. Mas, e quando todo esse conteúdo é acessado por aqueles que estão numa fase de transição da vida de criança para a adulta?
Aquela sensação de que o mundo está na palma das mãos através das redes se mistura com a necessidade de reafirmação e liberdade que formam o “turbilhão” que é a adolescência. Nessa mistura, o impasse vivido pelos pais. É possível proteger os filhos dos perigos e impor regras, sem que eles deixem de aproveitar os benefícios do universo virtual?
A pedagoga Elzima Aparecida Fernandes Soares, 32, passou por momentos de desespero. Ela chamou a atenção de todo o Estado nas redes sociais no dia 30 de junho, quando a filha Vitória de 13 anos desapareceu, após pegar o ônibus 6h para ir à escola e não voltar para casa. A mãe registrou boletim de ocorrência e procurou bastante. Mas, foi através de uma ligação anônima por volta de 2h do dia 1º que ela soube o paradeiro da filha: estava na casa do “namorado” que conheceu pela internet.
“Me ajudaram muito porque encontrei minha filha e tive apoio, mas também fui muito criticada nas redes sociais por pessoas dizendo que ela agiu dessa forma porque eu não cuidei. Mas, na verdade eu cuidei. Sempre fui uma mãe presente e acompanhava o que ela postava ou com quem conversava nas redes sociais”, disse ela, alegando que chegou a proibir a conversa com o rapaz e até colocar a filha de castigo. “Se eu puder falar algo aos outros pais, digo para continuar sempre acompanhando e investigando porque todo cuidado é pouco. Eu cuidei muito, mesmo assim isso aconteceu”, relata.
O caso de Elzima foi em Campo Grande, mas o desaparecimento de adolescentes acontece nos mais diversos lugares. Em Dourados foram 14 ocorrências de jovens entre 12 e 17 anos de idade que “sumiram” após brigar com os pais, para jogar futebol ou outros motivos. Duas ocorrências foram de meninas que desapareceram para ficar com o namorado que conheceram na escola e na vizinhança. Todos foram encontrados.
O delegado regional Lupércio Degerone lembra que a preocupação dos pais não é à toa. As redes sociais são mesmo usadas por criminosos, inclusive para ter acesso aos adolescentes e que cuidar deve ser algo frequente.
A dona de casa Adriana Sanches, 39, tem um filho de 11 anos de idade e outro de 14. O mais novo ainda não pode ter acesso às redes sociais sozinho – seu contato é apenas vez ou outra com joguinhos, mas apenas no computador de casa e supervisionado. Só poderá ter sua própria conta de acesso depois dos 12 anos de idade.
Já o mais velho tem contas no Facebook e WhatsApp, mas tem regras. Só pode adicionar os amigos dele ou quem o pai e a mãe conhecem. “Se chegar alguém sem vergonha no bate-papo puxando conversa, a gente orienta a não conversar e excluir. Hoje, o mundo está complicado, para ser realista”, explica ela.
A mãe ainda fica sempre de olho em quem o filho adicionou e tenta manter os amigos também no Facebook dela. “É uma forma de saber também quem são essas pessoas que ele está seguindo, o que fazem”, conta ela, que também procura conhecer os pais dos amigos mais próximos. “Eu vejo que os outros pais têm essa preocupação também, o que posso fazer eu faço”, disse ela. Adriana disse que o conceito popular de que depois de colocar um filho no mundo, a preocupação com ele será pela vida toda é latente e que o cuidado é sempre constante.
“Hoje os adolescentes querem mais liberdade do que a gente queria quando tinha idade deles. Um exemplo é o trato com o professor, na minha época era autoridade, hoje vemos casos e casos de jovens que ‘dão de dedo’ na cara do professor. É uma falta de respeito. Diante disso, temos também que nos impor de uma forma diferente”, lembra Adriana.
A psicóloga e mestre em Ciências da Saúde, Rosimeire Martins, lembra que atitudes relacionadas à busca pela liberdade e a ousadia dos jovens, são alguns fatores típicos da adolescência. No entanto, os atos hoje são potencializados devido às redes sociais e, nem sempre, as consequências são levadas em consideração devido à falta de experiência desses jovens para lidar com as situações. Ela lembra que conhecer essa geração e manter um diálogo franco com os filhos, são alguns comportamentos dos pais que podem ajudar a estabelecer um limite para o uso da internet.
Mais detalhes sobre a Liberdade Virtual para adolescentes serão abordados a partir de segunda-feira pelo Dourados News, através de uma série de reportagens.
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