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ARTIGO

Leia "O capitão do campo e o enterro", por José Tibiriçá

07 dezembro 2015 - 11h58

Retornando da nossa propriedade na Picadinha, deparei-me com uma surpresa ocasionada pela natureza. Na região do Cerrito onde está localizada a Empresa Sementes Guerra, avistei uma árvore denominada de capitão do campo, caída como muitas outras no mesmo trajeto, devido às ventanias e chuvas que estão acontecendo atualmente na nossa região.

A árvore em referencia tem uma história muito interessante, porque ao pé dela foi encontrado há muitos anos um enterro, nome que se dava a objetos de valor guardados no solo.

Na última festa de São Sebastião que estive na casa do Seo Toninho Braga, lá na mata como se chamava antigamente, me encontrei com João Batista Braga que deitado numa rede começou a falar sobre a família do seu sogro Desidério Felipe de Oliveira, sobre as caçadas de onça na região. Na ocasião, contou-me que muitas vezes veio a pé a Dourados e sempre ouvia falar em enterros, objetos que muitas famílias esconderam por ocasião da guerra do Paraguai. Seu cunhado Felipe de Oliveira numa de suas vindas à cidade à noite, percebeu que algo brilhava ao pé do pé do capitão e ele tinha também já visto.

Certo dia Felipe e mais um amigo arrumaram os apetrechos e disse que iam cavar no local, ele também vinha, mas desistiu porque tinha programado uma caçada à onça com outros amigos. Passados dois dias retornou o companheiro de Felipe, contou que trabalharam muito e para se animar beberam a caninha Ferreirinha, fabricada no alambique do meu pai Abílio Ferreira na Chácara São João e Penha. Cansado dormiu, acordou quando o sol já estava alto, não viu o companheiro, mas percebeu que algo estranho tinha acontecido.

O afortunado aproveitando-se da fogueira do companheiro veio até a cidade de Dourados, contratou o carro de Garibaldi (Gariba) de Matos França, falecido com 90 anos no ano passado que o conduziu até a barranco do Rio Paraná. João Batista narrou que Felipe voltou depois de um bom tempo para o nosso estado com dinheiro, adquiriu uma propriedade em Bonito, onde faleceu. Encontrou-se com ele somente uma vez e ambos tomaram uma pinga juntos em Dourados e ele confirmou o fato.

Aqui viveu também o Doutor Arame, um senhor que recebeu este apelido porque andava por todo lugar com um arame na mão à procura de enterro. Ele tinha uma casa na Avenida Marcelino Pires, em frente à Escola Abigail Borralho e morreu sem encontrar nenhum tesouro.

Ao pé desta árvore vai um pouco da história de Dourados que a mãe natureza retirou, afinal só restou ela sozinha, o local tornou-se lavoura e hoje ao lado está surgindo a Alpha Ville.



Dourados-MS, 07 de Dezembro de 2015.

José Tibiriçá Martins Ferreira, advogado e produtor rural na Picadinha.



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