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Em meio ao aumento de casos, até anéis podem levar problemas a infectados por chikungunya

15 abril 2026 - 10h03Por Fabiane Dorta

O inchaço nas articulações que começa subitamente é uma característica comum entre os infectados com Febre Chikungunya e pode trazer riscos para quem usa anéis ou alianças. Como esse sintoma é parte de um quadro que evolui rapidamente, os acessórios podem ficar presos e provocar até mesmo a perda dos dedos em casos mais graves.

As manifestações da doença aparecem com uma febre muito alta e a dor nas articulações e juntas que iniciam subitamente e evoluem para artrite, inflamação e inchaço

“Esta evolução pode ser rápida e as pessoas em uso de anéis ou alianças podem não ter a percepção antes e esquecer de retirar estes adornos, ficando os mesmos presos nos dedos. Com o inchaço dos dedos de forma súbita, o anel fica impossibilitado de ser retirado e causa compressão da vascularização, impedindo a circulação do sangue, proporcionando morte do tecido local, ou seja, necrose, perda do membro”, explica a médica infectologista do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), Andyane Tetila.

Médica infectologista, Andyane Tetila integrou força-tarefa emergencial de combate à Chikungunya nas aldeias de Dourados - Foto: Arquivo / Divulgação / HU-UFGD

O inchaço é resultado de uma atividade inflamatória intensa induzida pela infecção viral. A médica explica que nem todos pacientes apresentarão, mas um número significativo sim, portanto, ao menor indício de artralgia nas mãos, ou seja, de dores nas juntas, já é o momento de retirar todos os adornos. “Não aguardar o inchaço iniciar, pois pode ser tarde”, pontua a infectologista.

A médica que está entre os profissionais que lidam diariamente com casos suspeitos em Dourados, chegou a atender uma paciente que estava com as articulações inchadas, mas ainda em condições de retirada manual do anel em tempo. “Por isso a importância deste alerta: retirar os anéis e alianças assim que iniciar sintomas suspeitos de Chikungunya”, pontua.

SE O ANEL NÃO SAIR, CHAME OS BOMBEIROS

Se o anel já estiver preso, ela explica que é possível tentar retirar em casa com água fria, sabão, óleo e realizar um movimento circular com tração para remover do dedo. Caso não funcione, é preciso acionar o Corpo de Bombeiros o quanto antes, não esperar que o dedo escureça ou as dores fiquem intensas.

Também não se pode utilizar anti-inflamatórios para tentar reduzir o edema na fase aguda que dura, em média, entre cinco e 14 dias. O inchaço pode permanecer na fase pós-aguda que é aquela até três meses após os primeiros sintomas, e seguir com deformidades nas articulações na fase crônica, etapa que pode levar anos. Por isso, o retorno do uso de anéis deve ser feito com muita cautela.

Ela lembra que apesar do laço emocional relacionado especialmente às alianças, é fundamental compreender a importância de adotar as medidas preventivas. “É uma situação perigosa, mesmo com o apego ao adorno, nossa função é a orientação quanto aos riscos. Pode-se seguir o uso como pingentes em colar, por exemplo. E é por tempo provisório, na grande maioria dos casos. Mas a decisão é sempre do paciente. Nossa obrigação é a orientação e cuidado”, finaliza.

EPIDEMIA

De acordo com o boletim de monitoramento mais recente divulgado pela prefeitura, Dourados tem 1.701 casos confirmados e 2.760 em investigação, aguardando resultado de exame através de análise laboratorial. A taxa de positividade está em 68,6%, o que significa que a maior parte das pessoas que apresentam sintomas, provavelmente estão mesmo com Chikungunya.

A cidade ainda registrou sete mortes pela doença, todas de moradores da Reserva Indígena. Os casos nas aldeias Jaguapiru e Bororó, que abrangem também o território de Itaporã, tem 1.461 confirmados e 545 em investigação.

O cenário em toda a região da Grande Dourados é de epidemia da doença.

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