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MARTÍRIO

Indígenas têm de caminhar quase 3h para conseguir água

16 outubro 2014 - 14h30

Thalyta Andrade

O Dourados News foi até a Reserva Indígena de Dourados na manhã desta quinta-feira (16) para verificar de perto um problema grave. Com a temperatura no município acima dos 35°C e atingindo picos de 40°C em alguns períodos das últimas semanas, grande parte das famílias das aldeias Bororó e Jaguapiru têm de enfrentar uma caminhada que pode chegar a 3h – ida e volta – para conseguir água para beber, fazer comida, tomar banho e lavar roupas.

Nas estradas das aldeias, encontramos várias pessoas que, em grupos, seguiam com galões e garrafas com água que foram buscar em açudes. Moradora da aldeia Jaguapiru, dona Rosângela Maria Ferreira, 39, diz que a falta d’água é uma rotina, mas que nas últimas semanas o problema se agravou. Ela mora com o esposo e três filhos.

“Estamos pelo menos há umas duas semanas sem água. Sai bem pouquinho da torneira, aí demora quase um dia inteiro para encher o balde. Então a gente tem que ir no açude para ter água para beber e fazer comida pelo menos. Já reclamamos, não é uma coisa que está acontecendo agora, mas vivem dizendo que quebrou uma bomba. Aí ficamos sofrendo no calor”, disse Rosângela, que faz uma caminhada de uma hora para ir e mais uma para vir, debaixo de sol, na busca por água.

O Dourados News ouviu várias reclamações do mesmo tipo durante a visita à Reserva. Caminhando junto do marido, filha e netos, Liria Inardi, 68, também seguia com várias garrafas e galões de água. Moradores da aldeia Bororó, a caminhada da família até o açude é ainda maior: um total de 3h na ida e volta.

“Todo dia estamos fazendo isso para poder pegar uma água limpa para beber e comer. E como está muito calor, vai rápido. É difícil. Acontece sempre, não é de hoje. Ninguém resolve e a gente tem que ficar andando no sol para buscar água e sobreviver”, lamentou a indígena, que vive em uma casa onde moram sete pessoas.

O Dourados News procurou o polo da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) em Dourados, que é o responsável por responder pelo abastecimento de água dentro da Reserva, para esclarecer os problemas e apurar se há estimativa para soluções. No entanto, a reportagem sequer foi atendida por um responsável e não teve nenhum tipo de resposta até a publicação desta reportagem.

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