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FURTO DE CAIXA DE SOM

Identificados suspeitos pela morte de morador de Laguna Carapã e SIG apura se o caso é de vingança

27 janeiro 2026 - 16h39Por Jessica Beatriz e Osvaldo Duarte

A Polícia Civil detalhou, na tarde desta terça-feira (27), a identificação dos envolvidos na morte de Tiago Machado da Silva, de 37 anos, morador do distrito de Bocajá, em Laguna Carapã. O corpo da vítima, que estava desaparecida desde o dia 11 de janeiro, foi localizado no último dia 21, em uma área rural do município de Aral Moreira.

As informações foram repassadas pelo delegado titular do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Dourados, Lucas Veppo, e pela delegada Gabriela Vanoni, durante coletiva de imprensa.

Segundo familiares, Tiago tinha deficiência intelectual, fazia uso frequente de bebidas alcoólicas e costumava andar pelas ruas da cidade, mas sempre retornava para casa. No entanto, no dia 11 de janeiro, ele não voltou, o que levou a família a registrar ocorrência três dias depois.

Última vez visto com suspeito

Diligências preliminares em Laguna Carapã apontaram que Tiago foi visto pela última vez no domingo à tarde, dia 11, na companhia de um homem que acabou se tornando o principal suspeito. Conforme apurado, esse indivíduo teria dado carona à vítima, que não foi mais vista desde então.

Em oitiva, o suspeito relatou apenas que ofereceu a carona a pedido de Tiago, com destino a uma fazenda da região. Posteriormente, a namorada dele também foi ouvida e apresentou versão semelhante, o que levantou suspeita de possível acordo entre ambos para alinhamento dos depoimentos.

Outro ponto que reforçou as suspeitas foi o fato de que, no dia anterior ao desaparecimento, Tiago teria subtraído uma caixa de som de um estabelecimento comercial pertencente à namorada do investigado, o que passou a indicar possível vingança ou retaliação como motivação do crime.

Diante da complexidade do caso, o SIG de Dourados foi acionado. Na segunda-feira (19), a equipe esteve no distrito de Bocajá e iniciou diligências em campo, ouvindo testemunhas e confirmando que o desaparecido havia, de fato, furtado a caixa de som no fim de semana em que sumiu.

Durante as investigações, a polícia chegou a dois indivíduos que trabalhavam em fazendas na região, sendo um deles o namorado da proprietária da conveniência de onde a caixa de som teria sido furtada.

Ainda segundo o delegado Lucas Veppo, foi constatado que a caminhonete de um dos suspeitos se deslocou até Amambai, local que pode ter servido como ponto de apoio após o crime.

Execução em estrada vicinal

Um dos envolvidos confessou que esteve presente no momento em que Tiago foi induzido a entrar na caminhonete e levado até Amambai. No município, os investigadores apuraram que os suspeitos seguiram por uma estrada vicinal, desceram do veículo e executaram a vítima com três tiros, sendo dois na cabeça e um no peito.

O corpo foi jogado em uma vala e coberto com uma caçamba de areia, em Aral Moreira. Quando localizado, já estava em avançado estado de decomposição. Equipes da perícia de Ponta Porã e do Corpo de Bombeiros atuaram na ocorrência.

Um dos investigados se apresentou espontaneamente na delegacia de Ponta Porã e confessou parcialmente os fatos.

De acordo com a Polícia Civil, informações atuais apontam que o crime pode ter sido praticado por motivo fútil, relacionado ao furto da caixa de som. Na ação foi utilizada uma pistola calibre 9 milímetros, de uso restrito. As armas e a caminhonete foram apreendidas e passarão por perícia.

Próximos passos

As investigações continuam para ouvir novas testemunhas, esclarecer detalhes e confirmar definitivamente a motivação do crime. Informações indicam que os envolvidos teriam oferecido bebida alcoólica à vítima, o que pode caracterizar uma emboscada.

De acordo com informações policiais, o segundo suspeito afirma que não sabia da intenção criminosa do principal envolvido. Já uma terceira suspeita é a namorada deste, havendo indícios de que ela possa ter influenciado ou induzido o companheiro a cometer o crime, embora o relacionamento entre eles fosse recente.

Até o momento, não houve prisão, uma vez que não houve flagrante e os suspeitos têm colaborado com as investigações. A delegada Gabriela Vanoni ressaltou, no entanto, que isso não impede que eles venham a ser presos no decorrer do inquérito, conforme o avanço das apurações.

Foto interna: Delegada Gabriela Vanoni e o delegado titular do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Dourados, Lucas Veppo.

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