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'Getúlio Vargas e a Colônia Agrícola de Dourados' por Tibiriçá

24 agosto 2009 - 08h15

PRESIDENTE GETÚLIO E A COLÔNIA NACIONAL AGRICOLA DE  DOURADOS
Hoje, dia 24 de agosto completam-se 55 anos da morte do ex-Presidente Getúlio Dorneles Vargas que foi por duas vezes Presidente da República Federativa do Brasil e segundo narraram, suicidou-se em 1954 com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu no Município de São Borja-RS, provem de uma tradicional família gaúcha da zona rural e da fronteira, sendo que por parte de seu pai, sua família é originária do Arquipélago dos Açores, um conjunto de Ilhas que pertencem a Portugal. Estudou

em Ouro Preto , Minas Gerais, voltou ao Rio Grande do Sul, seguiu a carreira militar, como soldado

em São Borja-RS. Matriculou-se na Escola Preparatória de Rio Pardo, foi transferido para Porto Alegre já com a patente de sargento, participou da Coluna Expedicionária do Sul, que se deslocou para Corumbá-MS em 1902, durante a disputa entre a Bolívia e o Brasil pela posse do Acre. Seu pai também lutou na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai e em 1907, Getúlio bacharelou-se em direito pela Faculdade de Direito de Porto Alegre, foi promotor público no Forum de Porto Alegre e retornou depois para São Borja para exercer a advocacia.

 
Sua influência política se estende até hoje, visto que sua herança é invocada pelos dois partidos políticos atuais, até em Dourados com o Partido Trabalhista Brasileiro - PTB e o Partido Democrático Trabalhista-PDT. Este

em nosso Município , no dia 25/09/1999 sofreu a intervenção de João Leite Schimdt, Dagoberto Nogueira, Franklin Masruha e Sergio Castilho Vieira,  oriundos da Arena e PDS que depois de passarem por vários partidos, tomaram o PDT no Estado de Mato Grosso do Sul, em 1994 de Alarico Reis D´Avila e Youssef Domingos.
O Diretório do PDT municipal passou por 05 (cinco) comissões provisórias, em descumprimento ao Estatuto vigente, de agosto de 1999, sendo o período mais longo presidido Sr. Sérgio Castilho Vieira, hoje morando


em Campo Grande. O Diretório Estadual está sendo dirigido pelo Deputado Estadual Ari Rigo que depois de 10 (dez) anos, finalmente marcou eleição para os diretórios municipais para o dia 22 de agosto passado. Agora Dourados, apesar de todos os percalços, possui um diretório legalmente constituído, enquanto que

em Campo Grande tentaram dar um golpe no presidente do diretório municipal Dr. Loester Nunes, via Dagoberto e seus seguidores para tomarem o partido na marra, mas parece que a garrucha do deputado federal  não conseguiu o seu objetivo, sendo a convenção suspensa e como aconteceu aqui, estão tentando dar o golpe no histórico Dr. Loester, tudo porque eles querem cair no colo do Zeca em 2010.
O jornal Midiamax de Campo Grande noticiou que a abertura foi feita pelo  presidente de honra e um dos fundadores do partido no Município de Dourados, advogado Ramão Perez que fez um resgate da história do PDT, em Dourados e no seu discurso fez uma homenagem às pessoas que ajudaram na sua construção em Dourados, como Harrison de Figueiredo, Atílio Torraca Filho, José Marques Luiz, José Tibiriçá Martins Ferreira e outros.
Quanto à Colônia Federal de Dourados, esta nascida em 28 de outubro de 1943, na época do recém criado Território Federal de Ponta Porá, cujo Território foi criado em 13 de setembro de 1943, conforme o Decreto-Lei no 5.812, do Governo de Getúlio Vargas e devido à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o governo decidiu criar seis territórios estratégicos de fronteira do País para administrá-los diretamente: Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã, Iguaçu e o arquipélago de Fernando Noronha. Pelo Decreto-lei, estabeleceu que o mesmo seria formado do Município de Ponta Porã, onde foi instalada a capital e mais seis outros: Porto Murtinho, Bela Vista, Dourados, Miranda, Nioaque e Maracaju.  A capital foi transferida para Maracaju em 31 de maio de 1944 pelo Decreto-lei no 6. 550, voltando a Ponta Porã em virtude de Decreto de 17 de junho de 1946. O Território de Ponta Porã foi extinto em 18 de setembro de 1946 pela Constituição de 1946 e reincorporado ao então Estado de Mato Grosso. Atualmente a área do antigo Território de Ponta Porã faz parte do Estado de Mato Grosso do Sul e seu governador durante os três anos de existência foi o Coronel Ramiro de Noronha, sendo que em seu governo foi construído um prédio de alvenaria  na área doada por Geraldino Neves Corrêa, no Distrito de na Picadinha, onde funciona uma  Escola Municipal que  leva o seu nome e onde a professora Maria de Lourdes Garcia da Silva foi minha primeira professora, já falecida. 
Dourados foi distrito de Ponta Porã em 1914 e elevada a Município em 1935 e no final da década de 1940, a partir da “Marcha para o Oeste”, se iniciou intenso processo de povoamento e ocupação com a "Colônia Federal de Dourados". A região atraiu pessoas de várias partes do Brasil e dos países fronteiriços, se tornando uma espécie de “caldeirão cultural”.
Da Colônia Nacional faziam parte duas cidades projetadas:
Vila Brasil, atualmente Fátima do Sul; Vila Glória, atualmente Glória de Dourados e fundadas  as cidades de Deodápolis, Douradina e Jateí. A Colônia Agrícola de Dourados era de 409.000 hectares, com um excedente de 109.000, referente à área reservada pelo decreto que a criou e possuía aproximadamente 10 mil famílias. A distribuição e titulação dos lotes foi feita de uma forma que evitasse que os mesmos fossem vendidos antes doze meses.
Com a implantação da  Colônia atraiu-se para a região muitos imigrantes japoneses principalmente e brasileiros, que cultivavam café e os portugueses, como Jaime Lobo-Hotel Coimbra; Romildo Vardasca que investiram na área urbana e rural; AbílioFerreira, Albano José de Almeida, Manuel de Almeida, João Cândido Câmara, Antonio Sacadura e muitos outros que ficaram no esquecimento, pois não consegui lembrar-me dos demais. Vieram companhias de colonização privadas que acabaram adquirindo extensas áreas de florestas do governo e de particulares. Quanto à Colônia Municipal de Dourados que se originou de uma área de 50 mil hectares, criada em 1923 ainda no Município de Ponta Porá e em 1935, com a criação do Município de Dourados, a área foi integrada ao mesmo. O regulamento da Colônia Nacional só foi estabelecido em 1946 e na área que originou a Colônia Municipal criou-se a cidade de Itaporã. Tanto a Colônia Federal quanto a Municipal estavam praticamente isoladas, pois quase não existiam naquela época estradas que ligassem ambas à ferrovia, que dificultava o escoamento da produção da região. Em 1954  a Colônia Agrícola Nacional de Dourados passou a se chamar Núcleo Colonial de Dourados, com a criação do Instituto Nacional de Imigração e Colonização e o Núcleo Colonial de Dourados, passou a ser administrado pelo INCRA, criado em 1970. Em 1973, o INCRA finaliza a criação para o Estado do Projeto Fundiário do Sul de Mato Grosso. É implantado em 1976 na cidade, o Projeto Fundiário de Dourados, que passou a administrar também o Núcleo Colonial.
A iniciativa de colonização do INCRA originou as prósperas cidades de Fátima do Sul, Glória de Dourados e Jateí e contribuiu também para o desenvolvimento de Dourados, transformando-o em um dos maiores centros agropecuários do Estado e do País. O INCRA abriu 1.200 km de estradas, das quais três delas foram transformadas em estradas estaduais, além de trazer a rede tronco de energia elétrica de Campo Grande a Dourados. A Colônia Nacional de Dourados, dentre as colônias criadas pelo Governo Getúlio Vargas, foi a que mais se desenvolveu e teve destaque e atraiu muitos brasileiros nordestinos em especial e os que não tiveram êxito em outras colônias. Foi por causa da Colônia Federal que surgiu o Expresso Queiroz que no ano passado completou 60 anos de existência, conforme noticiado no Jornal a Crítica de Campo Grande. Esta história começou em 1948, quando o velho Queiroz, então um homem com 33 anos, cabo do Exército brasileiro, resolveu dar uma guinada na vida, apostando todo o patrimônio que tinha acumulado, a casa onde morava com a mulher e os dois filhos pequenos, na compra de um ônibus usado da única empresa, a Sobral, que na época explorava o então incipiente serviço de transporte coletivo urbano de Campo Grande. Hipotecou a casa junto ao árabe Naim Dib, não teve dúvida, mudou com toda a família para Dourados, para aproveitar a oportunidade de trabalho com a existência da Colônia Agrícola Federal de Dourados. Seu objetivo era transportar o nascente fluxo de passageiros, principalmente nordestinos, que desciam nas estações férreas da NOB em Maracaju e Itahum, pois existia a Ferrovia Noroeste do Brasil, que foi  privatizada  em 1996 no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. Queiroz, cujo nome completo é Loureiro Pereira de Queiroz era o motorista da jardineira mista que passava pela Picadinha, parava na Casa Brazil, de propriedade de meu pai, onde os migrantes nordestinos ali se alimentavam, enquanto ele vistoriava o automóvel, completava a água do radiador e depois de alguns minutos, continuavam a viagem com destino a Dourados. Quando chovia as três juntas de touros da nossa Chácara São João e Penha fazia o papel de trator e retirava a jardineira dos atoleiros, um que era na entrada do Distrito e o outro na curva, próximo da casa da dona Allely Fioravanti Torraca de Matos, onde até hoje quando chove, alguns carros passam com dificuldade.  É o trecho do acesso à Picadinha que até hoje não foi asfaltado e venho cobrando há mais de 20 anos, com sucessivos artigos publicados na imprensa, mas parece que nossos administradores não veem, não se interessam para concretização do sonho. Sexta-feira passada eles fizeram um barulho muito grande aqui em Dourados, tinha dois deputados federais de Campo Grande, Dagoberto e Vander Loubet e os daqui Geraldo e Marçal, o prefeito Ari Artuzi, vistoriando a tão sonhada Perimetral Norte, agora com o nome de Anel Aviário. Se soubesse ia levá-los para mostrar o trecho da Picadinha que precisa de asfalto e o trecho do Cerrito (aeroporto, universidades), com cerca de 8 km para acessar a rodovia federal para Campo Grande e Ponta Porá. Será que já consta como trecho asfaltado em Brasil, pois já saiu um comentário que o Distrito de Picadinha tem muitas obras realizadas no papel em Brasília, mas vamos descobrir e quem são os autores e aí preparar uma operação para descobrir os autores.
Os nordestinos aos milhares foram atraídos pelo sonho de conseguir na Colônia uma das glebas que o Governo Federal estava distribuindo. Minha mãe conta que muitos deles com cargas na costa, por falta de dinheiro vinham a pé de Itahum e Maracaju, chegavam exaustos em nossa casa, onde eram recebidos, alimentados e depois tomavam o rumo de Dourados em direção à Colônia.
Passado todo esse sacrifício, muitos deles que construíram o Distrito de Panambi, tiveram que abandonar o sonho, pois através de uma portaria o Ministro Nelson Jobim, com a anuência do Presidente Fernando Henrique Cardoso tirou a propriedade de vários proprietários e o sonho de muitos velhinhos. O mesmo poderá acontecer com parte da Picadinha, caso ali se implante o que nunca existiu, um Quilombo idealizado em janeiro de 2005, com participação de pessoas que administraram Dourados de 2001 a 2008. Alguns deles, vieram de cidades do interior de São Paulo, influenciados pelo movimento dos sem terra, os discípulos de José Rainha. A situação das terras da Picadinha ficou tão crítica com a fraude que eles foram capazes de inventar, que se alguém quiser vender uma parte de sua propriedade, ninguém compra, por medo de perder lá na frente. Existem alguns que estão com dívidas e pretendiam vender algumas hectares para pagar ou amortizar as dívidas junto aos bancos, afinal nos três últimos anos São Pedro não mandou chuva suficiente e a colheita da safrinha deste ano não correspondeu à realidade e com isso, praticamente inviabiliza o cumprimento das obrigações junto às instituições financeiras. Nós que somos proprietários, com o apoio das pessoas de bem, estamos lutando e vamos conseguir vencer esta batalha que já dura quatro anos. Infelizmente, neste governo que cada dia fica mais patente a sua corrupção, enganou muita gente,  me enganou também e agora pela mídia, estamos enxergando os lobos famintos devorando as ovelhas.
O Município de Dourados tem a maior concentração de população indígena Guarani Nãndéva, Kaiowa e Terena, muitos indígenas que são profissionais habilitados. Algumas pessoas da população não veem com bons olhos as avalanches de benefícios concedidos aos indígenas, sob a alegação de que eles não se esforçam para melhorar a situação. Se entrarmos dentro das reservas, principalmente na Bororó, podemos comprovar que eles continuam marginalizados, vivem em péssimas condições sociais, de saúde e educação, embora existam iniciativas governamentais nos planos federal, estadual e municipal com a intenção de resolver os seus problemas, mas o grande problema da administração está na sua estrutura corroída. Muitos não sabem mas os índios já deram a sua contribuição na guerra da Tríplice Aliança ao ajudar a derrotar os paraguaios e anexar parte do território paraguaio ao Brasil. Eles apenas são lembrados no dia 19 de abril, data que se comemora o dia do índio e a rodovia que liga Dourados ao Cerrito é chamada de Rodovia Guaicurus, Brigada Guaicurus e o restante? São bons trabalhadores, prova disso são os únicos da região que aguentam e manejam bem o machete no corte de cana, fazendo inveja aos demais. São marginalizados, vivem em péssimas condições sociais, de saúde e o que se conclui hoje é que houve no passar de todos os anos um mau planejamento, um erro estratégico praticado pelos homens que mandavam

em nosso Estado e no País e infelizmente o Presidente Getúlio pensou apenas na soberania Nacional.
Os nordestinos receberam uma terra com escritura, de boa fé e por outro lado os indígenas,  foram encurralados em áreas não muito grande, sua população cresceu e o Serviço de Proteção ao Índio, transformado em FUNAI, nunca promoveu uma política para o futuro. E agora como ficarão os proprietários rurais ameaçados pelos erros do passado? É um assunto que poderá ser resolvido, sempre levando em conta a boa fé do proprietário nordestino, seus descendentes e sucessores, para não se cometer outro crime. Que os políticos não só se lembrem dos indígenas no período eleitoral, quando vereadores, deputados estaduais, federais, senadores e presidente conseguem boa votação, através de cestas básicas e depois só retornam na próxima eleição.
Dourados-MS, 24 de Agosto de 2009.
 
 
 
José Tibiriçá Martins Ferreira, licenciado em Letras com Inglês, advogado, segundo tenente reservista, entusiasta no estudo do idioma guarani ñandéva.

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