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Especial Semana da Mulher: 1ª Sargento Vanderli, duas décadas prestando serviços à população

08 março 2013 - 07h05

Encerrando a série de reportagens em comemoração à Semana da Mulher, o Dourados News foi até o 3º Batalhão da Polícia Militar em Dourados, na Vila Industrial, para conversar com a 1ª Sargento Vanderli Rodrigues da Silva. Ela foi a primeira no município a fazer parte da PM e atua há quase duas décadas na segurança da população.

Em seus relatos, a policial comentou como foi a adaptação num lugar antes ‘habitado’ apenas por homens, a convivência dentro e fora do batalhão, seus medos e como decidiu seguir à carreira militar.

Vanderli ainda receberá na próxima terça-feira (12), em Campo Grande, o prêmio Tenente-Coronel Ana Neize Baltha, honraria dada pelo governo do Estado e Polícia Militar às mulheres que contribuíram com a melhoria da segurança pública em Mato Grosso do Sul.


Confira na matéria de Adriano Moretto



No interior do 3º Batalhão de Polícia Militar em Dourados a 1ª Sargento Vanderli Rodrigues da Silva aguardava a chegada da reportagem do Dourados News. Maquiada e pronta para entrevista, a primeira mulher a ingressar à PM no município – hoje são 23 – deslocou-se até uma sala próximo à entrada do quartel para relatar a sua vida dentro e fora da polícia.

Nascida em Campo Grande, Vanderli nunca pensou em fazer parte de qualquer órgão de segurança, porém, também não possuía sonhos profissionais considerados comuns entre os jovens. “Não, não! Nunca tive sonho de ser médica, veterinária, advogada... mas também não pensava em me tornar policial”, comentou.

Em 1993, ainda na capital, resolveu estudar para um concurso público, quando surgiu a oportunidade da Polícia Militar. “No começo eu fiz por fazer”, conta. Conforme passavam-se as fases, ela foi se destacando, até conseguir a aprovação.

No ano seguinte foi lotada em Dourados, onde começou a sua carreira. “Era bem diferente. Aqui não havia mulheres no batalhão, mas a minha adaptação foi muito boa, o pessoal me tratou bem. O problema maior era na rua, as pessoas não imaginavam uma mulher de farda”, destacou, lembrando as vezes que utilizava ônibus coletivo, ‘elas [as pessoas] sempre me observavam como se eu fosse algo de outro mundo’, disse sorrindo.

Apesar do tempo de serviço, a sargento relata ainda o receio de muita gente quando o assunto é a sua profissão, principalmente em conversas informais. “Faço amizades e quando descobrem que eu sou policial, as pessoas ficam receosas. Mas, em momentos de folga, procuro não falar de trabalho, até porque é algo bastante cansativo”, destacou a policial que mora com os pais e serve como referência para as decisões da família.

Questionada do medo em relação ao trabalho, garantiu não temer, mas comenta ter passado por pelo menos três situações difíceis durante as quase duas décadas de funções dentro do batalhão.

“Houve os casos de rebelião na Phac (Penitenciária Harry Amorim Costa) em maio de 2006, uma situação política em Amambai na década de 1990 e um conflito entre trabalhadores sem-terra e fazendeiros na fazenda Sul-Bonito, em Itaquiraí. Que eu lembre foram esses”, comentou.

“Mas não é medo. São situações e ocorrências que acabam acontecendo e precisamos estar preparadas, até porque há um comando por trás de tudo isso que nos auxilia”, completou a policial.

Prestes a receber o prêmio Tenente-Coronel Ana Neize Baltha, Vanderli não encara a mulher como ‘sexo frágil’ e garante que todas, podem realizar qualquer atividade onde o homem está incluído.

“O ‘sexo frágil’ no sentido machista não é legal. Existem pessoas que acreditam que a mulher deve estar no fogão ou limpando casa. Hoje não é mais assim, elas vão à luta. E claro, todas gostam de atenção por parte de seus companheiros”, finaliza a policial, lembrando das colegas de trabalho que conciliam a vida profissional com filhos e marido.

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