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DOURADOS

Em meio a pandemia do coronavírus, falta de água nas aldeias será resolvida por parte

25 março 2020 - 14h50Por Adriano Moretto

Em meio ao sinal de alerta emitido pela OMS (Organização Munidal de Saúde) devido a pandemia do novo coronavírus, a falta de água, problema antigo enfrentado por milhares de indígenas moradores nas Aldeias Bororo e Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados, deve demorar ainda alguns meses para que seja resolvido, mas, em parte. 

De acordo com nota técnica encaminhada pelo DSEI (Distrito Especial Sanitário Indígena) de Mato Grosso do Sul, órgão vinculado à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), as obras para levar abastecimento aos moradores deverão ser finalizadas até o início de junho, porém, atenderá nesse momento apenas os aproximadamente 7,5 mil residentes na Bororó. 

Já quem sofre do problema na Jaguapiru, deverá esperar tempo maior para ter acesso ao benefício.

O risco de contaminação ao coronavírus por falta de higiene necessária, principalmente ao não ter como lavar as mãos usando água corrente, pode levar o contágio em massa dos moradores desses locais. 

Na manhã de ontem (24/3) o Dourados News abordou o tema e mostrou que as pessoas com casas na parte alta da Reserva têm sofrido há meses com o desabastecimento. 

De acordo com justificativa apresentada pelo DSEI/MS nesta quarta-feira (25/3), o sistema usado na Aldeia Bororó foi implantado na década de 1990 pela Funasa e com o passar dos anos, sofreu ampliações desordenadas devido ao crescimento populacional acelerado na comunidade. 

A situação, ainda conforme nota encaminhada pelo órgão, deixou a distribuição subdimensionada, “provocando perda de carga muito elevada e consequente pressão baixa e/ou falta de água”, principalmente àqueles residentes em partes mais altas. 

Atualmente, á distribuição na Bororó é composta por cinco poços e do total, três deles jogam o que é captado "diretamente na rede de distribuição, o que foge as regras básicas de um sistema de abastecimento, que é composto por captação, adução, reservação e distribuição”, segundo explica o material encaminhado ao Dourados News

Com o lançamento diretamente na rede, ocorre a perda de carga durante o consumo da população, fazendo com que não chegue a esses pontos de altitudes elevadas, causando a falta de abastecimento. 

As obras 

Conforme o DSEI, a execução de adutoras onde o sistema funciona de maneira individual teve início no dia 20 de março, sexta-feira passada, por conta do atraso na fabricação e entrega dos tubos, informados pela empresa contratada para a execução do serviço.
Já dois reservatórios, um de 100 mil litros e outro de 50 mil litros para atender a chamada ‘zona baixa oeste’ da aldeia, estão sendo fabricados e devem ficar prontos de um a dois meses. 

“A obra está seguindo as normas de execução, onde teve início na limpeza dos poços fonte de água, execução das bases que receberão os reservatórios, para posteriores adutoras, pois seria incomum a execução de adutoras sem antes saber os locais que elas chegarão. Após a conclusão das adutoras de distribuição que serão finalizadas até o dia 30 de maio, o sistema apresentará a melhora, chegando em pontos altos, pois a pressão estática estará dentro dos reservatórios novos implantados em um ponto alto”, finaliza a nota.

Riscos

O problema de abastecimento na Reserva Indígena de Dourados dura, pelo menos, seis anos. Em 2014, o Dourados News mostrou que indígenas caminhavam por horas sob sol escaldante para poder encher latas com água em açudes da região

Na parte alta, algumas famílias deixavam as torneiras abertas por horas para, aos poucos, realizar a captação. 

Com a chegada do novo coronavírus e os cuidados com a higiene pessoal como uma das formas de prevenção, abriu-se a preocupação maior nessa região, onde estão aproximadamente 15 mil indígenas distribuídos na Bororó e Jaguapiru. 

Ontem (24/3), em entrevista ao Dourados News, a médica infectologista do Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Andyane Freitas Tetila, citou outros problemas que a ausência de água pode causar aos moradores das aldeias. 

“Além de não poder fazer a higienização como é recomendado, sem água, eles não se hidratarão corretamente e muito menos irão preparar os alimentos com higiene. Isso pode prejudicar o sistema imunológico, deixando-os a mercê de todos os tipos de doenças, sobretudo do coronavírus, nesse momento”, explicou.

Questionamentos

Na manhã desta quarta-feira (25/3), a reportagem encaminhou questionamentos à DSEI em relação a ações imediatas para resolver o problema enquanto a situação não se normaliza na Bororó e Jaguapiru, local onde também buscamos saber o prazo médio para o início das obras para regularização da situação. 

Porém, até a publicação desse material, não houve respostas a essas perguntas. 

 

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