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COVID-19

Falta de água impede higienização e coloca indígenas em risco em meio a pandemia do coronavírus

24 março 2020 - 11h54Por Jessica Beatriz

Uma luta que já persiste há mais de 6 anos para regularizar o abastecimento de água nas Aldeias Bororó e Jaguapiru de Dourados pode se agravar com a chegada da pandemia do coronavírus em Mato Grosso do Sul, visto que os moradores não tem água nem mesmo para lavar as mãos. Isso tem dificultado colocar em prática as orientações de prevenção contra o Covid-19.

Hoje, 16 mil indígenas estão enfrentando a falta de abastecimento de água nas duas aldeias. Conforme já mostrado pelo Dourados News, em 2014 grande parte das famílias precisavam enfrentar uma caminhada de 3h para conseguir água. A realidade não mudou em 2016, quando os indígenas precisaram fazer manifestações para chamar a atenção das autoridades competentes para solucionar o problema, com a construção de poços artesianos.

E agora, em 2020, essa questão continua preocupando os líderes e moradores das aldeias. Em pontos mais altos da região, a falta de água já perdura mais de seis meses. Até o momento, apenas as bases para construir mais reservatórios foram feitas.

De acordo com o líder indígena, Gaudêncio Benitez, “apesar do projeto de melhorias aprovado, a verba liberada e até parte dos materiais comprados, as obras na Bororó estão paralisadas. A empresa que ganhou a licitação não deu prosseguimento nas atividades”, disse.

Nos últimos dias, como parte do projeto de melhorias, iniciaram a limpeza dos poços que abastecem a aldeia.

“Até limpar e fazer o religamento das bombas, ficamos pelo menos três dias sofrendo com a falta de água. Não podemos ficar assim nesse momento de contaminação pelo coronavírus”, explica Gaudêncio.

Essa situação também tem afetado os moradores da aldeia Jaguapiru, “ninguém toma uma providência, já estamos há dias sem água por aqui”, diz uma das lideranças locais, Ivan Ávila.

As medidas de higiene são totalmente necessárias para evitar a propagação do vírus e a falta de água pode gerar grandes transtornos e até colocar em risco a saúde, sendo que uma das principais recomendações é que se lave as mãos várias vezes ao dia.

De acordo com a médica infectologista, Andyane Freitas Tetila, “além de não poder fazer a higienização como é recomendado, sem água, eles não se hidratarão corretamente e muito menos irão preparar os alimentos com higiene. Isso pode prejudicar o sistema imunológico, deixando-os a mercê de todos os tipos de doenças, sobretudo do coronavírus, nesse momento”, explica.

O Dourados News entrou em contato por telefone e posteriomente via e-mail com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), em Brasília (DF), porém, até a publicação da reportagem não houve respostas para sanar o problema da falta de abastecimento nas aldeias de Dourados.

Medidas de prevenção nas aldeias

Como medida de prevenção contra o coronavírus, as aldeias Bororó e Jaguapiru de Dourados estão proibindo a entrada de vendedores ambulantes.

As lideranças locais fiscalizarão todos os carros, sujeito a detenção, por conta, dos veículos e pertences.

A iniciativa tem o objetivo de atenuar a circulação de pessoas no interior das aldeias e, dessa forma, diminuir a proliferação do vírus. Além disso, foram cancelados todos os cultos nas igrejas para evitar aglomeração.

 

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