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DOURADOS

Isolados há meses, artistas de teatro se adaptam ao universo digital para continuar produzindo

11 setembro 2020 - 07h30Por Wender Carbonari

Estudantes, trabalhadores e trabalhadoras do setor teatral de Dourados tiveram suas rotinas radicalmente modificadas após o avanço da pandemia do coronavírus (Covid-19). Nestes meses de isolamento social, artistas que moram no município ou estão em Dourados para cursar faculdade foram obrigados a se adaptar para não parar de produzir.

A estudante de Artes Cênicas em Dourados, Ludmila Lopes, 25, explica que o teatro tem como característica fundamental o contato e a troca entre as pessoas.  “Quando começou esta pandemia, nós nos sentimos solitários e talvez até improdutivos com a situação de não poder tocar as pessoas, não poder se abraçar”, disse.

Para tentar aproveitar este tempo de reclusão, Ludmila ‘tirou da gaveta’ antigas ideias de projetos, colocou em prática. Estas atividades, segundo a estudante, têm servido como um laboratório, como, por exemplo, a criação da personagem “A Pior Palhaça do Mundo”, pensada para trazer “alegria ou alívio cômico durante esse período tão forte e tão triste”.

Além da artista Ludmila com sua palhaça enclausurada, outros estudantes de Artes Cênicas da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) tem desenvolvido projetos elaborados durante ou inspirados no tema do ano: a pandemia do novo coronavírus. É o caso da Beatriz Gabriele Rodrigues, 22, de São José dos Campos (SP). Com colegas de classe, ela criou um experimento audiovisual, intitulado de "Respirar", em alusão ao período “sufocante” de isolamento.

“A vivência no mundo digital é muito complicada, porque não é como montar um espetáculo e arrumar um lugar para apresentar. As coisas acontecem de maneira muito rápida na internet. É um lugar que exige conhecimentos e estratégias que nós não temos, e particularmente, até então, eu não tinha nem interesse em aprender” disse Beatriz, que também uma produtora de áudio independente, "Kaos".

O Dourados News também entrou em contato com outros estudantes desta área do conhecimento, sendo possível observar histórias semelhantes. Adriano Paes dos Santos, 23, natural de Boa Esperança do Sul (SP), também está há alguns anos em Dourados para cursar faculdade. Como ator e produtor, ele fala das dificuldades em se manter em uma profissão desvalorizada.  

“Uma coisa é certa: viver apenas de arte já era muito difícil antes da pandemia, agora então, nem se fala. Esse momento só expõe como é difícil viver do fazer artístico, a pandemia só evidencia a falta do olhar para o artista e para cultura no Brasil por parte das pessoas que detêm o poder de incentivos para o setor, apesar do setor cultural movimentar muito nossa economia”, criticou, Adriano.

Maria Luíza Machado dos Reis, ou  simplesmente Mulu Reis, 23 anos, de Juína (MT), se mudou para Dourados com o objetivo de estudar teatro e atualmente não possui profissão remunerada, necessitando de verbas disponibilizadas por meio de aprovação em editais públicos e privados. Entre detalhes sobre a vida profissional, chama a atenção um aspecto levantado pela Malu Reis e reafirmado pela Ludmila Lopes.

Além da adaptação ao isolamento, tem havido uma aproximação e uma solidariedade entre os artistas de teatro que permaneceram em Dourados ou que já residiam no município.

“Eu me sinto mais unida com os artistas da cidade do que nunca. Muitos se reuniram para se ajudar, para compartilhar o trabalho do outro, para dizer e mostrar que o básico importa, que todos estamos passando por momentos difíceis”, explicou Malu (foto de arquivo pessoal).

Apesar de ser uma opção de fazer artístico durante este tempo de pandemia, os conteúdos digitais são elaborados com orçamentos baixos, ou, como é mais comum de acontecer, construídos de maneira independente. Por este motivo, tanto os artistas de Dourados quanto de outras cidades do país, necessitam de auxílios como o previsto pela Lei Aldir Blanc, que começou a a ter a distribuição colocada em andamento pelo Ministério do Turismo há uma semana.

Ainda não há previsão de retorno de eventos, atividades teatrais, nem das aulas presenciais nas unidades públicas e privadas de ensino em Dourados.

O quadro "Me Conta em Casa" do grupo Teatro de Urgência interpreta histórias populares que aconteceram durante o período de isolamento social. - Crédito: Reprodução


 

 

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