sexta, 10 de abril de 2026
Dourados
20ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397
OUTUBRO ROSA

Elas encaram a luta contra o câncer de mama "de frente"

30 outubro 2015 - 10h31

O caminho com destino à cura para o câncer de mama pode estar em suas mãos. Ou melhor: em quantas vezes você realiza os exames preventivos “como manda o figurino”. Afinal, não é novidade que o diagnóstico precoce é o principal aliado da mulher quando a doença aparece: faz o tratamento ficar menos desgastante e aumenta consideravelmente as chances de sair dessa curada.

O alerta para a importância da prevenção é feito pelo Dourados News mesmo com o fim do Outubro Rosa, mês lembrado no mundo todo como de combate à doença. Para mostrar que isso não é só papo de médico ou de quem trabalha com conscientização, o jornal traz histórias de mulheres de Dourados – como você, sua mãe, sua avó ou sua filha – que foram diagnosticadas precocemente e isso contribuiu de forma considerável para enfrentarem a doença.

A engenheira agrônoma e professora da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) Yara Brito Chaim Jardim Rosa, 58, foi diagnosticada com câncer de mama pela primeira vez em 2010 através de mamografia.

Ela fazia os exames todo ano, religiosamente. Então, quando descobriu o tumor era pequeno. Desta vez, retirou apenas um quadrante (pedaço em que está o nódulo) da mama esquerda, fez quimio e radioterapia.

Seguiu com o tratamento posterior necessário e fazendo exames de prevenção quando em 2014, outro tumor apareceu na mesma região, mas não no mesmo local. Como fez todo o acompanhamento da forma que se deve, também descobriu esse cedo, mas desta vez foi necessária a retirada de toda a mama, com substituição por uma prótese. Também fez quimio, radioterapia e tomou vacina.

Este ano, uma nova surpresa: mais um nódulo apareceu, mas na axila esquerda. Isso foi em junho e hoje Yara está em tratamento. Mais uma vez, um tumor pequeno que pôde ser retirado.

Segundo ela, a principal vantagem do diagnóstico precoce em seu caso é justamente o tumor ser pequeno e a possibilidade de apresentar metástase reduzida. “Fazendo os tratamentos de quimioterapia, radio e vacinas, como no meu caso, e te dão 97% de chance de cura em cada um dos tumores”, ressalta.

Ela ainda conta que os remédios utilizados hoje para conter os efeitos colaterais da quimioterapia são melhores. Diferente de 2010, o tratamento que fez no ano passado e que faz neste ano não lhe deram enjoo ou outro tipo de mal estar. “Eu não bebo, não fumo, não jogo, nem cometo excessos desse tipo, e tenho uma alimentação regrada. Mas, minha vida é totalmente normal”, ressalta.

A queda de cabelo é inevitável, mas Yara dribla com muita habilidade usando uma prótese de cabelo sintético que parece de verdade. “Você compra pela internet e é barato. Lava no tanque e seca no varal. Muito prático e fica ótimo”, ressalta.

Em todos os diagnósticos, o choque foi inevitável num primeiro momento, afinal ninguém quer receber essa notícia. “Não existe doença boa e você não quer estar com aquilo, o bom mesmo é não estar doente”, relata. Com o tempo, foi convivendo melhor com a situação.

Yara ainda diz que se puder fazer um pedido ao público é para que deem apoio e oração, mas que não vejam as pessoas que tem câncer como alguém que “está com um pé na cova e outro na sepultura”. “Nós estamos em tratamento e a maioria de nós morre de uma morte que não é decorrente do câncer. Como tem gente que tem pressão alta, diabetes ou está um pouquinho gordo fazendo regime, nós também temos uma disfunção e estamos em tratamento. Temos a vida toda pela frente e para viver muitos anos”.

A cabeleireira Sinoé Maria de Assis, 55, também enfrenta o câncer de mama e a doença mudou sua forma de ver a vida. Ela fazia seus exames preventivos corretamente desde os 40 anos de idade, quando em 2012 foi diagnosticada com a doença. “Num primeiro momento parece que um buraco abre no chão e você está caindo dentro”, relata.

Entre o diagnóstico, cirurgia e início do tratamento foram apenas 23 dias. Ela retirou apenas um quadrante da mama esquerda onde estava o tumor. Fez quimioterapia e radioterapia na época e hoje toma apenas os medicamentos que vai consumir por cinco anos. Sinoé faz todas as ações preventivas e a expectativa é de cura quando os remédios terminarem. “Me sentir, eu já me sinto curada desde o dia em que sai da sala de cirurgia. Tenho muita fé nisso”, conta.

Ela fez todo o tratamento pela rede particular através de convênio e lembra que Dourados hoje possui toda a estrutura para quem quiser tratar o câncer de mama na cidade. Na época, ela chegou a buscar opiniões de médicos em outras cidades, mas descobriu que o tratamento recomendado era o mesmo e que seriam usados os mesmos equipamentos.

“Eu cheguei a questionar aos médicos porque as pessoas iam para outras cidades fazer tratamento e me responderam que antes Dourados não tinha os equipamentos necessários e que hoje tem. Então, se a tecnologia é a mesma, melhor é ficar em casa do que passar até 15 dias fora”, afirmou. Ela conta que o apoio da família é importante neste momento.

Sinoé relata que ter a doença mudou sua forma de ver a rotina. Hoje, trabalha o quanto pode para manter o seu sustento, mas não é mais escrava do trabalho. A atenção com a saúde também mudou. “Eu não deixo de fazer uma viagem ou de ir a um passeio por conta de trabalho, como eu fazia antigamente. Hoje é diferente, quero aproveitar tudo o que posso”, relata.

Os exames de mamografia podem ser feitos gratuitamente através do SUS (Sistema Único de Saúde) quando atingida a idade estabelecida em protocolo pelo Ministério da Saúde. Antes disso é possível fazer o exame clínico da mama.

Para ter acesso, a mulher deve ir diretamente à Unidade Básica de Saúde da Família mais próxima de casa para receber a orientação e encaminhamento médico. O exame clínico é realizado na própria unidade. Já a mamografia é feita através do envio de paciente pela unidade à Clínica da Mulher.



Deixe seu Comentário

Leia Também

Réu por matar padrasto no Dia das Mães é condenado a 14 anos
JUSTIÇA

Réu por matar padrasto no Dia das Mães é condenado a 14 anos

Botafogo empata com o Caracas em estreia na Sul-Americana
FUTEBOL

Botafogo empata com o Caracas em estreia na Sul-Americana

Infecção generalizada matou menino que foi sete vezes ao médico
SAÚDE

Infecção generalizada matou menino que foi sete vezes ao médico

Cármen Lúcia antecipa eleição para sucessão no Tribunal Eleitoral
JUDICIÁRIO

Cármen Lúcia antecipa eleição para sucessão no Tribunal Eleitoral

Homem é preso por tentar asfixiar a ex grávida com inseticida
REGIÃO

Homem é preso por tentar asfixiar a ex grávida com inseticida

LEÃO

Receita recebe 10 milhões de declarações do Imposto de Renda

FRONTEIRA

Acusado de atirar em policiais tinha pistola e R$ 13 mil em espécie

SENADO

Sabatina de Jorge Messias para vaga no STF será dia 29 de abril

BATAGUASSU

Polícia Rodoviária apreende haxixe e skunk na rodovia BR-267

LOTERIA

Confira as dezenas sorteadas do concurso 2.994 da Mega-Sena

Mais Lidas

DOURADOS

Alerta do Inmet aponta risco de tempestades e chuvas intensas

DOURADOS

Jubileu de Prata: Loja maçônica III Millenium nº 21 celebra 25 anos de história

DOURADOS

Alerta do Inmet prevê chuvas intensas e ventos fortes até amanhã

CONTRABANDO

Operação cumpre mandados em Dourados contra quadrilha que fraudou R$ 1 bilhão via e-commerce