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DEVANILDO DE SOUZA

“Epidemia de dengue está em fase final”, diz coordenador da vigilância

11 junho 2015 - 06h37

O entrevistado da semana pelo Dourados News é o coordenador do núcleo de vigilância epidemiológica de Dourados, Devanildo de Souza,44, enfermeiro, formado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) na cidade de Maringá (PR). Está trabalhando em Dourados há sete anos, e dois e meio na vigilância epidemiológica.

Na conversa, ele fala sobre Aedes Aegypti (dengue), contando sobre o porquê da elevação no número de casos notificados da doença em comparação ao ano passado.

De acordo com o coordenador, com a chegada do inverno o número de notificações irá cair devido o mosquito não se proliferar nesta época do ano. “Quando passa pela incidência de mais de 300 casos, notificados por 100 mil habitantes a gente considera uma situação epidêmica. Então como é acumulativo ao longo do ano, chega um ponto para entrar no estado de epidemia, que depois vai para declínio, que é a fase que estamos agora”, explica Souza.

Em 2014, o número de pessoas que contraíram a doença foi pequeno, apenas 35 acasos, que para Devanildo, seria como se a cidade não tivesse sofrido com a dengue. Já este ano o número de notificações até o dia 09 de junho foi de 1.318 casos, com 641 pessoas contraindo a doença.

“A cada dois anos o ciclo de dengue retorna, isso por diversos fatores. Falta de cuidado da população, a migração de pessoas que não tem imunidade e acabam contraindo a doença, são várias situações que implicam”, disse.

Ao todo, quadro bairros da cidade apresentam o maior número de notificações, assim como casos confirmados da doença, entre eles Parque Alvorada e Jardim Piratininga. Até o momento apenas uma morte pela doença foi confirmada na cidade.

A vítima foi uma mulher de 26 anos, moradora no Jardim Santo André. Ela foi a óbito no dia 08 de maio ao contrair a doença no tipo grave, também conhecida como hemorrágica e morreu poucos dias após apresentar os sintomas, [relembre aqui](http://www.douradosnews.com.br/dourados/vigilancia-confirma-primeira-morte-por-dengue-em-dourados).

Em relação às medidas de prevenção, o coordenador conta que o núcleo prioriza todas as ações necessárias, de alerta a população por meio de campanhas na mídia e também dos agentes de controle de vetores.

“Todo ano desenvolvemos todas as ações necessárias para o combate a dengue, temos planos que seguimos à medida que os casos vão aumentando. Vamos incrementando a ações de controle, mas elas são padrão durante o ano todo dependendo de casos notificados”, pontuou.

Veja a entrevista na íntegra.

Dourados News- Como está a situação da dengue em Dourados?

Devanildo de Souza- A dengue em Dourados nesse momento está em queda, à incidência de notificações tem caído significativamente nos últimos 15 dias, devido à entrada do período de inverno. A gente caminha para encerrar o ciclo da dengue para esse ano. A época que começa o inverno a proliferação do mosquito cai de forma bem significativa, não tenho o número exato, mas em torno de 70% a 80% aproximadamente.

D.N.- Quantos casos confirmados até o momento? E quantas mortes registradas?

D.S.- A gente fecha os dados toda terça-feira. Até o dia 09 de junho, foram 1.318 notificações e 641 casos positivos. Lógico que ainda temos uma série de exames para chegar, mas os casos positivos estão gerando em torno de 70%. Esse ano a gente tem apenas uma morte confirmada até o momento. Dificilmente pode acontecer outros casos para frente, porque cai a incidência, mas não descartamos a possibilidade, mas até o momento apenas um óbito.

D.N.- Existe algum caso em investigação de morte?

D.S.- Olha, temos uma rotina de toda semana ir aos hospitais e fazer um levantamento das declarações de óbitos. Pode acontecer de uma dessas declarações à gente pegar e por ventura não fomos notificados, ou de encontrar isso em prontuário, ai sim vamos investigar, mas não temos nenhum que esteja em investigação.

D.N.- Quais os bairros mais afetados ou com maior número de casos?

D.S.- Sempre a região do Parque Alvorada desde o início do ano, região de Parque II e Jardim Jóquei Clube e depois a região do Jardim Piratininga, com maior número de notificações e de casos confirmados de pessoas que contraíram a doença.

D.N.- Qual o motivo da alta incidência da dengue?

D.S.- Dengue é sempre uma caixinha de surpresa, então igual ano passado que teve apenas 35 casos positivos da doença. Praticamente não tivemos dengue, não só em Dourados, como no Estado que a incidência foi baixa. A gente observa que a cada ano, a cada dois anos na verdade, o ciclo de dengue retorna, isso por diversos fatores, falta de cuidado da população a migração de pessoas que não tem imunidade e acabam contraindo a doença, por exemplo. Esse ano o vírus 1 com a maior incidência, pode acontecer de no próximo ano ser o dois, três ou quatro isso varia muito, depende do cuidado da população com os quintais, o tipo de vírus que está circulando em relação a imunidade das pessoas. Todo ano desenvolvemos ações necessárias para o combate a dengue, temos planos que seguimos à medida que os casos vão aumentando. Vamos incrementando a ações de controle, mas elas são padrão durante o ano todo dependendo de casos notificados.

D.N-Porque a população em que aspecto?

D.S- A gente percebe assim, o ano que não tem dengue, as pessoas esquecem a doença, elas relaxam, apesar do alerta dos agentes de epidemia, de informativos sobre os casos de água parada, as pessoas acabam esquecendo. Como não está na mídia, acabam descuidando daquele ralo que acumula água, da calha que junta água em cima que a gente não vê, o prato debaixo do vaso da planta, as pessoas acabam esquecendo, alguma tubulação, que tem no quintal que acumula água. Então esses casos que passam despercebidos o mosquito vai se proliferando e acaba de um ano para outro um acumulo muito grande de ovos prontos, propícios para uma nova geração de mosquitos e no próximo ano uma proliferação muito grande. A gente quando fala em relação à população é sobre o esquecimento o quanto é grave a situação da dengue.

D.N.- Pode se dizer que há uma epidemia?

D.S.- Sim pode dizer. Porque a incidência no Estado já é considerada uma epidemia há mais de mês. Dourados entra na mesma situação, que quando a gente passa pela incidência de mais de 300 casos, notificados por 100 mil habitantes a gente considera uma situação epidêmica, então como é acumulativo ao longo do ano, contando estes casos de janeiro, vai chegar um ponto para entrar no estado de epidemia, que depois vai para declínio. Então de fato a gente vive uma epidemia de dengue na sua fase final já.

D.N.- Qual o procedimento que será tomado?

D.S- A gente teve desde o momento que percebemos de epidemia, tomamos o cuidado de renovar contrato com agentes de controle de vetores, para ter mais agentes trabalhando, tivemos o cuidado de estar alertando a população, pegando aqueles casos que já citei de uma ação mais especificando caso, do bairro onde aconteceu o óbito (Jardim Santo André) e realizando uma ação de reforço e combate ao foco. Então esses cuidados a gente teve.

Está trabalhando em Dourados há sete anos, e dois e meio na vigilância epidemiológica

D.N. – Houve casos registrados em Dourados de pessoas que contraíram a febre chikungunya esse ano?

D.S.- Não. Só teve suspeita, se não estou enganado cinco casos, foram poucos mesmo, mas nenhum deles confirmados. Foram feitos exames em laboratórios de referência e não houve nenhum caso confirmado até o momento.

D.N.- Qual a diferença da dengue para a febre chikungunya?

D.S.- No caso da dengue, ela tem um período de início dos sintomas com febre mais avançada, o período da dengue, do estágio da doença, com dor de cabeça, mialgia, dores musculares mais acentuados nos primeiros cinco dias. Já a febre de chikungunya o diferencial é a dor nas articulações, quando passa esse período de febre, dor no corpo que são menos intensas que a dengue, depois começa um período que a pessoa passa a ter inflamações nas articulações que é o grande problema da febre do chikungunya. Então uma pessoa com a febre, ela pode vir a ter afastamento do seu trabalho no período de seis meses a um ano dependendo da situação. Apesar de ela ser menos grave no sentido de levar a pessoa a óbito, ela é mais grave que a dengue em relação à morbidade, ou seja, aquele período que a pessoa vai passar se recuperando da doença, devida essas dores nas articulações.

D.N.- Depois que a pessoa contrai a febre do chikungunya ela pode contrair de novo?

D.S.- Como a gente só tem um tipo de vírus circulando do chikungunya que é conhecido, então uma vez que a pessoa pega a doença, ela vai estar imune para o resto da vida. É como a dengue, que tem quatro sorotipos circulando, então se você teve o tipo um não vai mais ter, você pode ter os outros e o chikungunya é da mesma forma.

D.N.- qual a medida que as pessoas devem adotar para ajudar no combate e proliferação da doença?

D.S.- Sempre as medidas que a gente reforça todo ano, o cuidado com o quintal, com a água parada, procurar o médico a partir dos primeiros sintomas. A pessoa começa a ter febre, dor no corpo intenso, vomito e diarreia, dependendo da manifestação da doença na pessoa, e em vez de procurar o médico ou a unidade de saúde, já para o sistema de saúde ter o conhecimento, ela acaba se alto medicando. Nesse período em que a pessoa tem a doença, o vírus está se multiplicando e pode acontecer do mosquito vir a picar ela e continua o ciclo de transmissão para o marido, filhos, para as pessoas que estão em volta. O interessante é já nos primeiros sintomas procurar e notificar os casos para a unidade de saúde, porque ao sabermos do caso aqui na vigilância, no outro dia o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), já vai para o local para fazer o bloqueio químico, que é eliminar os focos e passar o veneno, para combater os mosquitos que estão no local, ai você quebra o ciclo. As recomendações de praxe é cuidado com a água parada dos quintais, teve suspeita da doença procure a assistência médica ou unidade de saúde, para que a vigilância através da notificação tome conhecimento e providência do caso.

D.N.- Como está sendo o trabalho da vigilância em relação ao controle?

D.S.- Como qualquer outra doença de notificação compositora, nós ficamos em alerta o ano todo, a vigilância epidemiológica não para, não é porque está terminando o ciclo da dengue que simplesmente vai esquecer a dengue, não é isso. Todo caso que surge na rede é notificado e a gente vai fazer os bloqueios, vai fazer ações o ano inteiro. Quando falamos que está encerrando um período, um ciclo da dengue desse ano, é porque são doenças sazonais, então chega essa época ela decai mesmo o número de casos, mas a gente continua as ações da mesma forma. Ela decai por conta do inverno.

Em relação às medidas de prevenção, o coordenador conta que o núcleo prioriza todas as ações necessárias

D.N. - Existe alguma notificação do Zika vírus aqui na cidade?

D.S- Não. Não tem nem na cidade e nem no Estado, que eu tenha conhecimento.

DN -O que é o Zika vírus, explique melhor?

D.N.- A gente tem pouco conhecimento ainda a respeito dessa doença. Sabemos que em outros estados teve casos notificados e confirmados, mas ela é transmitida pelo mesmo vetor que é o aedes aegypti. Mais uma preocupação para a gente ter, em relação ao cuidado com os quintais, evitar água parada, porque essa doença transmitida pelo mesmo vetor que a dengue, febre do chikungunya e o Zika vírus. O que temos conhecimento da doença é que é febril aguda, mas com um a letalidade baixa, ou seja, não temos o conhecimento que isso leva a óbito, mas existe a exantema, em que a pessoa fica com a pele vermelha, com coceira e febre da mesma forma, mas não deixa de ser uma doença preocupante, pois a gente não conhece ela direito aqui ainda. Em nosso território, a apesar de a não ter o vírus ainda circulando aqui em Dourados, mas já tem o vetor, temos a possibilidade de que venha a acontecer. O período de estágio da doença, assim como a dengue e chikungunya, o Zika vírus também tem geralmente sete dias de febre alta, mialgia, depois mais um período de convalescência se encerrando em média de 30 dias, o ciclo todo da doença, o mais complicado é os sete primeiros dias, tem o quadro clinico mais exacerbado com muita febre.

D.N. - Como é tratada a pessoa que contrai a doença?

D.S.- Da mesma forma que as doenças virais. Não existe um remédio para combater a dengue, febre chikungunya e o Zika vírus. O cuidado é com os sintomas e acompanhamento do paciente, a própria pessoa através do organismo provoca imunidade e os anticorpos produzidos por ela que eliminam o vírus. Então é feito um acompanhamento, o tratamento é sintomático, daquilo que a pessoa se manifesta.

D.N.-Porque deste salto em relação aos números? No início de maio eram de aproximadamente 600 e agora mais de 1,2 mil?

D.N.- Isso é de praxe. Por exemplo, no Estado esperava-se que o pico da dengue fosse ao mês de abril devido o acumulo, há uma proliferação e vai acumulando o mosquito e o número de infectados vai aumentando. Dourados aconteceu um pouco para frente desse pico. Era esperado em abril, porém, aconteceu no final do mês para o começo de maio. A gente teve o pico e depois começou a cair, então realmente é devido às condições de proliferação e contaminação da doença.

D.N. – Divida por ‘parcela de culpa’ para o alto índice de dengue em Dourados?

D.S.- Olha isso é difícil de mensurar, culpabilizar alguém, é complicado isso. Eu acho que cada um tem sua parcela de contribuição no que acontece, a gente entende que é difícil controle a questão do aedes aegypti. Da parte da gestão, por exemplo, a gente fez o que tinha de fazer, tem a questão do uso às vezes indiscriminado de veneno e você acaba provocando uma certa resistência e que tem que tomar cuidado com isso. Em relação à população realmente é falta de atenção, eu não julgaria que quanto por cento à população ou nós temos culpa, eu penso que somos todos corresponsáveis. Agora é fato que em quanto tiver acúmulo de água nos quintais, não tiver a limpeza dos terrenos baldios, não ficar atento para onde descartamos nosso lixo, não só a questão da dengue, mas diversas outras doenças infecciosas parasitárias vai continuar incidindo na população, então são alguns cuidados que todos nós temos que tomar.

DN - Mais um alerta para a população?

DS - Quero fazer um alerta que agora encerrando o ciclo da dengue, começa outros ciclos neste período de inverno, que é de doenças respiratórias. Então a nossa grande preocupação é em relação a essas doenças, como o caso da coqueluche que voltou a ter casos de alguns anos para cá, principalmente os menores de 3 meses, são crianças recém nascidas que mais se contaminam com a doença porque a vacina é feita a partir dos dois meses de vida e então tem um período que a criança não está imune e também o quadro da influenza, que a população tem que ficar atenta apesar de a gente ter uma grande porcentagem de pessoas que receberam a vacina, mas tem outras que não estão imunes. É preciso tomar cuidados como evitar ambientes fechados com muita aglomeração de pessoas, tossindo ou respirando o mesmo ambiente, procurar locais ventilados. Cuidado extremo com a higiene das mãos, principalmente em locais públicos. E não descuidar da dengue.

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