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AILTON STROPA GARCIA

Diretor da Agepen fala de desafios e não descarta disputar prefeitura de Dourados

16 julho 2015 - 06h37

“Dirigir o sistema penitenciário estadual é uma grande responsabilidade. Há muitos desafios a serem transpostos e muita coisa a ser feita. A superlotação e a falta de servidores compromete o sistema e não há medidas de curto prazo que possam resolver a situação”, com essas palavras, o diretor-presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Ailton Garcia Stropa, 59, iniciou a entrevista ao Dourados News.

No cargo há três meses, Stropa, que passa a semana em Campo Grande trabalhando na Agência, respondeu os questionamentos por e-mail.

Juiz de Direito aposentado, é mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília e foi professor universitário na sua área por muitos anos, além de ter trabalhado em várias comarcas do Estado.

Residindo em Dourados, por onde se lançou candidato a deputado federal no ano passado obtendo quase 8 mil votos, o diretor-presidente fala sobre os desafios frente a Agepen, superlotação da PED (Penitenciária Estadual de Dourados) e também política, se colocando a disposição do partido, o DEM, como pré-candidato à prefeitura do município nas eleições do ano que vem, caso o partido entenda que seu nome seja a melhor escolha.

“Caso meu nome seja cogitado, me coloco, sim, à disposição. Tenho muitos sonhos para Dourados. Acumulei uma experiência de vida muito vasta. Estou preparado para, se chamado, realizar um bom trabalho e darei sempre o melhor de mim em favor de nossa cidade*, comentou.

Confira a entrevista na íntegra:

Dourados News - São três meses à frente da Agepen, como o senhor avalia esse período?

Ailton Stropa Garcia - *Os noventa dias passaram muito rapidamente. Dirigir o sistema penitenciário estadual é uma grande responsabilidade. Há muitos desafios a serem transpostos e muita coisa a ser feita. A superlotação e a falta de servidores compromete o sistema e não há medidas de curto prazo que possam resolver a situação.

Dourados News - Faça um relato de como estava o órgão antes de assumi-lo?

ASG - O sistema penitenciário era dirigido pela Polícia Militar, que fez um bom trabalho. Porém, durante os últimos governos, os investimentos foram aquém das demandas. Ou seja, embora se tenha feito muito, o que se fez não acompanhou a intensidade do aumento do número de custodiados.

Dourados News - Foram encontrados muitos problemas estruturais?

ASG - Sem dúvida. Muitas unidades nossas precisam de investimentos, de melhorias, de ampliações. No entanto, encontramos no governador Reinaldo Azambuja e no Secretario de Estado de Justiça e Segurança Pública, Sílvio César Maluf, uma sensibilidade muito grande aos problemas que existem hoje. A confiança que eles têm depositado em meu trabalho aumenta minha responsabilidade e é muito bom trabalhar com um governo que, na medida das possibilidades e de como encontrou os cofres públicos nos apoia.

Dourados News - Quais os principais desafios do senhor nesta administração?

ASG - Temos projetos a curto, médio e longo prazos. A curto prazo, já tomamos uma série de medidas que eram anseio do sistema e ainda estamos trabalhando em outras realizações, a principal delas, um concurso público que eleve nosso número de servidores. A médio prazo, estamos ampliando todas as unidades onde isso é possível e acompanhando a construção de 3 novos presídios fechados no Complexo da Gameleira, em Campo Grande, um feminino e dois masculinos, com cerca de 1613 vagas. A longo prazo, vamos trabalhar para que o Governo Federal nos ajude na construção de mais unidades, pois, a cada mês, entre os custodiados que saem e que ingressam no sistema, aumentamos o número deles em torno de 150. Nosso Estado, por ter fronteira com o Paraguai e a Bolívia, é rota de tráfico e, por isso, mais de 40% dos nossos custodiados são de outros Estados da federação, o que obrigaria o Governo Federal a alocar mais verbas para nós, o que ainda não acontece na intensidade necessária. Nossa Polícia, no atual governo, tem dado tolerância zero para o crime, prendido mais traficantes e, consequentemente, aumentado o número de nossos “clientes”.

Dourados News – Falando da estrutura carcerária de Dourados, como a avalia?

ASG - Nossa estrutura é razoável, porém, comprometida pela superlotação, como em todo o país. Recentemente providenciamos a operacionalização de nossa unidade de regimes semiaberto e aberto, recentemente inaugurada, que, em breve, também estará com a sua capacidade plena. No caso do presídio feminino, nossa estrutura precisa de melhorias e vamos ver o que pode ser feito.

Dourados News - A PED é considerada por muitos um ‘barril de pólvoras’ que pode explodir a qualquer momento, como a Agepen trabalha isso?

ASG - A superlotação é sempre um problema, mas nossa equipe, comandada pelo diretor Joel [Rodrigues], faz o possível para que essa explosão não ocorra. Enquanto não conseguimos novas vagas e mais servidores, estamos ampliando o trabalho mediante o pagamento de horas extras. Ao mesmo tempo, estamos oferecendo mais cursos de capacitação e criando um grupo de intervenção rápida e contenção. A ajuda da Polícia Militar nas torres é imprescindível nesse momento e temos mantido contato direto com o coronel Carlos Silva [comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar de Dourados] para ampliá-la.

Dourados News - Qual a quantidade de agentes trabalhando em Dourados? Esse número é suficiente?

ASG - Evitamos informar o número de agentes em nossas unidades, por questão de segurança. Mas posso dizer que temos quase 200 servidores, número que, dentro das condições atuais, não é o ideal, mas, devido ao uso das horas extras, garra e dedicação ímpar de nossos servidores, se torna suficiente.

Dourados News – Existe a previsão de contratação de novos servidores a nível local?

ASG - Sem dúvida. A PED é prioridade na lotação de novos servidores que serão alocados tão logo o concurso se realize.

Dourados News – Há uma ‘queda de braço’ declarada entre agentes penitenciários e a direção da PED, como tem trabalhado isso?

ASG - São questões internas, muitas delas já superadas pelas duas partes e, outras, sendo equacionadas pela nossa diretoria de operações graças à compreensão e apoio do diretor do presídio e servidores ali lotados. Num momento como este, em que há superlotação e todos têm que se dedicar muito ao trabalho, é compreensível que o clima fique tenso, mas nada que o profissionalismo dos agepenianos não supere.

Dourados News - É possível conciliar essa questão sem prejudicar os trabalhos ali dentro?

ASG - Claro. Como disse, nossos servidores são excelentes profissionais e reconhecem o momento peculiar que o sistema prisional do Estado e do país passa. Esse momento exige muita responsabilidade e desprendimento e nossos agentes têm correspondido a essas necessidades. Da minha parte, como diretor-presidente, também tenho me dedicado ao máximo e os servidores têm testemunhado esse esforço, de forma que somos um grupo coeso, todos em busca de uma Agepen melhor e que atenda às expectativas de todos os sul-mato-grossenses.

Dourados News - O semiaberto masculino de Dourados foi praticamente ‘isolado’ do perímetro urbano, na sua opinião, isso pode atrapalhar no projeto de ressocialização dos internos?*

ASG - Na verdade, o semiaberto está no perímetro urbano de Dourados, que foi bastante ampliado, embora esteja distante da área central. Quanto ao projeto de ressocialização, o fato do presídio estar distante do centro não traz maiores problemas, porque procuramos realizar convênios com empresas que transportem os custodiados até os locais de trabalho e, além disso, estamos implantando uma série de projetos para trabalho intramuros.

Dourados News - Vamos falar um pouco de política. O senhor se lançou candidato à Câmara dos Deputados no pleito passado, ainda tem intenção em entrar de vez nesse ramo?

ASG - Entendi, na minha fase atual de vida, que deveria me dedicar ao meu município e Estado e achei que, na política, minha experiência e vontade de trabalho seriam bons ingredientes para a construção de um futuro melhor para Dourados e Mato Grosso do Sul. Apoiei o governador Reinaldo Azambuja confiando em um projeto diferente para nosso Estado. Quando ele me confiou a missão de administrar o sistema prisional do Estado, entendi que deveria corresponder às suas expectativas e as expectativas de todos que me conhecem. Creio que, participando do governo atual, entrei de vez na política.

Dourados News – Para 2016, o senhor tem planos?

ASG - Sou integrante de um grupo político de Dourados que tem o deputado [estadual] Zé Teixeira (DEM) como condutor. Ele é um homem sério, competente, muito bem intencionado, que pensa à frente de nosso tempo e também quer, como eu e os demais integrantes desse grupo, uma Dourados e um Mato Grosso do Sul melhor. Assim, meus planos não são pessoais, mas passam pelos projetos e apoio do grupo. Como membro, não fujo às minhas responsabilidades e sempre me coloco à disposição para todos os desafios que me são apresentados.

Dourados News - Atualmente, desenha-se o DEM caminhando junto do PSDB aqui em Dourados, como avalia isso?

ASG - Não se constrói um projeto político sem a união de esforços de todos os que pensam da mesma forma. O DEM caminhou com o PSDB na última eleição e foi preponderante para a vitória, não pessoal, mas do projeto de Reinaldo Azambuja. Assim, avalio como positiva a possibilidade.

Dourados News – Caso não entre em consenso ou alinhe com o PSDB, quais os nomes fortes do DEM para a disputa local?

ASG - Nosso principal nome é o do deputado Zé Teixeira, que, na minha avaliação, reúne todas as condições de ser um bom administrador. Mas há muitos outros nomes dentro do partido que têm história, competência, honestidade e vontade de prestar um bom trabalho. Para não cometer injustiças, esquecendo-se do nome de alguém, prefiro não nominá-los.

Dourados News – Por fim, o senhor se coloca como pré-candidato a prefeito?

ASG - Como já disse, nenhum político moderno pode ter projetos pessoais, até porque ninguém faz um bom governo sem uma boa equipe. No entanto, caso meu nome seja cogitado pelo grupo, me coloco, sim, à disposição. Tenho muitos sonhos para Dourados. Acumulei uma experiência de vida muito vasta. Estou preparado para, se chamado, realizar um bom trabalho e darei sempre o melhor de mim em favor de nossa cidade.

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