O deputado federal Marçal Filho (PMDB) lembrou ontem, em Brasília, que já havia alertado tanto as autoridades brasileiras quanto a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para cuidados com o surgimento de focos de frebre aftosa na fronteira seca do Brasil com o Paraguai e com a Bolívia. “Não sou mensageiro do caos, mas vislumbrei esse risco ainda no ano passado e levei minha preocupação pessoalmente ao presidente paraguaio Fernando Lugo durante a 79ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização de Saúde Animal, que aconteceu em Paris”, ressalta Marçal Filho. “Na época, o presidente paraguaio garantiu que a situação estava sob controle e agora surge esse novo foco”, conclui.
Marçal Filho salienta ainda que quando o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Bernard Vallat, anunciou que o Mato Grosso do Sul estava oficialmente livre de febre aftosa com vacinação, em solenidade que aconteceu no encerramento da 79ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização de Saúde Animal, ele alertou para a necessidade de se exigir melhor fiscalização nos países que fazem fronteira com o Brasil, sobretudo o Paraguai, Bolívia e Equador, que são mais pobres e precisam de ajuda internacional para garantir a sanidade animal.
O deputado lamenta que seus alertas não tenham sido levados em consideração para as autoridades sanitárias de Brasil e Paraguai. “Agora, resta apenas ao governo brasileiro fazer o que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está fazendo, ou seja, reforçar as ações de vigilância e prevenção na fronteira com o Paraguai, após a confirmação da ocorrência de febre aftosa no país vizinho”, avalia. “Ao mesmo tempo, o governo paraguaio suspendeu as exportações de carne depois de identificar um foco da doença na região de Sargento Loma, no departamento de San Pedro, no Centro do país, região onde a presença de fazendeiros brasileiros é muito forte e que, por isso, o Brasil deve ampliar a fiscalização em solo para impedir que o gado paraguaio seja transportado para o nosso país”, sugere Marçal Filho.
Ainda de acordo com o deputado, as medidas adotas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, como aumento no número de fiscais federais agropecuários na fronteira e a instalação de barreiras volantes na região, bem como o mapeamento de propriedades de maior risco dentro do território brasileiro, são apenas paliativas. “É preciso uma presença física mais eficaz do governo federal, se possível com o emprego das Forças Armadas, na região de fronteira, mesmo porque essa doença, que é transmitida por um vírus, pode acarretar graves problemas à economia de Mato Grosso do Sul”, alerta Marçal Filho.
O deputado voltou a sugerir o envolvimento mais efetivo do governo brasileiro na melhoria das políticas de sanidade animal dos países vizinhos. “Não adianta muito nesse momento o Ministério da Agricultura manifestar apoio das autoridades brasileiras ao governo paraguaio para conter a doença, já que o sensato seria intensificar os esforços na prevenção para impedir que o foco de febre aftosa surgisse”, analisa Marçal Filho.
PARLASUL – O deputado federal Marçal Filho, indicado pela Câmara Federal para representar o Brasil e o Mato Grosso do Sul no Parlamento do Mercosul, também havia ressaltado que a integração parlamentar do Mercado Comum do Sul é fundamental para definir políticas unificadas de sanidade animal. “Temos uma gigantesca área de fronteira seca que precisa ser regulada por leis conjuntas”, enfatiza. “O mais importante é que minha presença nesse parlamento dará a tranquilidade que o Mato Grosso do Sul precisa para encaminhar projetos e propostas que possam atender os interesses da sociedade fronteiriça”, conclui o deputado.
Para Marçal Filho, o Parlamento do Mercosul precisa debater legislações específicas para esse problema. “Eu moro próximo à fronteira, a 125 quilômetros do Paraguai, e sei o quanto a população sofre com o contrabando, o tráfico de drogas e armas, a falta de sanidade animal e de uma ação conjunta entre os países na questão da segurança pública”, analisa. “A febre aftosa entrou no Brasil por essa falta de controle do trânsito de animais do Paraguai e o problema só foi parcialmente resolvido com a participação do governo brasileiro, ajudando na vacinação do rebanho do vizinho país”, conclui.
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