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VOLUNTÁRIOS

Compatibilidade para doação de medula é considerada alta em Dourados e região

20 janeiro 2016 - 07h47

Estatísticas apontam que a chance de achar um doador não-parental (que não é familiar da pessoa que precisa) de medula óssea, chega a ser de um para cada 100 mil no Brasil. Dentro desse contexto, os moradores de Dourados e região que desejam efetivar este ato de solidariedade, têm mais chances. Isso porque o índice de compatibilidade nessa macrorregião de Mato Grosso do Sul é considerada alta.

Conforme explica a assistente social do Hemocentro Regional de Dourados, Rosa Fernandes, atualmente estão cadastrados 12,7 mil doadores de medula óssea na região da grande Dourados. Isso quer dizer que essas pessoas estão disponíveis, caso haja alguém precisando de doação. Desse universo, já saíram três doadores não-aparentados, o que é considerado um índice alto.

“A resposta para essa alta compatibilidade pode estar na mistura de raças. Nessa região há muitas pessoas que vieram de outros Estados para morar aqui, então há uma miscigenação muito grande”, explica a assistente social.

De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a quantidade de doadores voluntários no Brasil era de 12 mil inscritos no ano 2000, o que tem aumentado de forma significativa nos últimos anos. Em novembro do ano passado – dado mais recente divulgado pelo órgão-, o banco de dados já tinha atingido 3,5 milhões de inscritos. Isso tornou o Brasil, o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, atrás apenas dos registros dos Estados unidos (7 milhões) e Alemanha (5 milhões).

Ao todo, são realizados pelo Inca, oito transplantes de medula óssea em média por mês no país, sendo dois com doadores não-aparentados. Entre os demais, são “seis transplantes do tipo autólogo (de uma pessoa para si mesma) e com doador aparentado”.

Como faço para me cadastrar?

Para se cadastrar como doador de medula é muito fácil. Basta estar saudável, ter entre 18 a 55 anos de idade e ir até o Hemocentro mais próximo com documentos pessoais (RG e CPF) e Cartão SUS. Em Dourados, o órgão fica na rua Waldomiro de Souza, nº 40, no bairro Vila Industrial, anexo ao PAM (Pronto Atendimento Médico), e funciona das 7h às 12h de segunda a sexta-feira.

A única exceção é para quem tem doenças crônicas graves e esteja em tratamento, como câncer, problemas cardíacos, diabetes e outros. Até mesmo grávidas e pessoas com doenças leves como gripe e resfriado, podem fazer o cadastro. Quem tiver dúvida se preenche ou não os requisitos, é só ligar no Hemocentro através dos telefones de contato (67)3424-0400 e o 3424-4192, e perguntar antes de ir.

No Homocentro, além do fornecimento dos dados pessoais, será retirado 4 ml de sangue do voluntário. A amostra vai para Campo Grande, onde é feito o exame de compatibilidade celular e inclusão no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). O cadastro fica ativo até o doador completar 60 anos de idade.

A realização do cadastro, não significa que a pessoa vá doar com certeza. Sempre que alguém precisa de medula, primeiramente é procurada compatibilidade entre pessoas da família, já que as chances de encontrar são maiores. Quando não é encontrada entre os parentes – o que acontece bastante -, é feita a busca no Redome por doadores compatíveis que não são da família.

É feito uma espécie de “rastreamento” nos cadastros do Redome para verificar se há alguém compatível inscrito. Se essa compatibilidade existir, o doador então é comunicado para que faça um novo exame que possa confirmar que ele é compatível. Com esse realizado, começam os preparativos para a cirurgia. Uma nova “bateria” de exames é feita, para verificar a presença de doenças e também saber se aquela pessoa está apta à cirurgia para doação.

Além da parte física, são feitas também avaliações psicológicas para saber se o voluntário está apto nesse sentido. Após os procedimentos, ele é questionado novamente se concorda com a doação, então é marcada a cirurgia.

Após a retirada da medula em hospital, o doador fica 24h no local em observação. A recuperação depende do organismo de cada um. “É como tomar uma injeção, alguns reagem de uma forma, outros de outra, alguns sentem dor e outros não sentem quase nada. Conversando com um rapaz de Dourados que doou, ele me disse que foi passear para conhecer o Rio de Janeiro no dia seguinte a sair do hospital e que sentia apenas um desconforto”, explica Rosa.

Segundo ela, é importante destacar que todo o procedimento é seguro, já que são realizados vários exames que atestam a aptidão daquele voluntário para fazer a doação. Lembra ainda que a medula se regenera em até 15 dias, sendo que a partir daí a mesma pessoa se torna apta para uma nova doação. “É difícil acontecer, mas depois desse período, se aparecer mais uma pessoa compatível com ela que precise da doação, ela pode doar”, lembra.

Durante todo o processo de exames até o transplante em si, doador e receptor não sabem a identidade um do outro. Eles só têm a oportunidade de se conhecer, caso queiram e manifestem ao Redome, 18 meses após a doação.

Foi o que aconteceu com a estudante Geovana Perez Martelli, 23, que ajudou a salvar a vida da mineira Lucia Maria de Souza Guimarães, 36, com a doação de medula óssea, [relembre aqui]( http://www.douradosnews.com.br/dourados/seguida-por-enfermeiras-douradense-doa-medula-e-salva-da-morte-mineira-com-doenca-rara). A bela história das duas comoveu a muitos e mostrou a importância desse ato de solidariedade.

Rosa lembra que como a chance de compatibilidade ainda é pequena no mundo, cada pessoa que inclui seu nome no cadastro, aumenta as chances de quem precisa receber a doação e sobreviver a uma doença. “Quanto mais gente cadastrada, mais chance existe de encontrar essa compatibilidade”, lembra. O cadastro é ato de solidariedade simples, que dá a oportunidade de mudar a vida de alguém que precisa.

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