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ANOS DE CORRIDA

Debilitado, Seo Paulino deixa as corridas e também Dourados

11 fevereiro 2016 - 07h59

O corredor Francisco José Paulino que completa hoje 97 anos de idade irá deixar Dourados e se mudar para o estado de São Paulo nos próximos dias. 'Seo Paulino', como é conhecido, participou de 13 edições da corrida de São Silvestre e ganhou várias medalhas e troféus por ser o participante mais velho a completar a prova. Entre os motivos estão a perda da esposa, com quem conviveu por 50 anos e também as condições de saúde em que se encontra atualmente.

O Dourados News esteve visitando o simpático corredor, que debilitado contou os motivos da mudança. De acordo com Paulino, por conta da idade e também da cirurgia para a retirada de uma úlcera em 2014, ele ficou 10 meses sem poder andar o que afetou os músculos e nervos. No mesmo período a esposa faleceu, então em contato com o filho mais velho decidiu morar em São Paulo.

“Infelizmente a idade chega, tive que fazer uma cirurgia no estomago e desde então a minha saúde não é mais a mesma, hoje caminho com dificuldade pois fiquei 10 meses sem andar e a minha alimentação era só sopa ai fiquei fraco. Perdi a minha esposa em maio do ano passado e não tenho mais condições de morar sozinho”, comentou emocionado.

Segundo Paulino, ele irá morar com o filho Francisco,72, na região de Santana, na cidade de São Paulo (SP), pois lá terá além da companhia da família também será mais fácil a recuperação dele, já que uma das netas é enfermeira e poderá auxilia-lo.

“Eu não consigo caminhar muito longe, tudo que preciso conto com a ajuda de vizinhos como ir ao supermercado e também não conseguir carregar os produtos, mesmo que que sejam poucos como um leite ou frutas. Sabendo das condições em que estou, meu filho mais velho decidiu vir me buscar e não recusei, pois preciso de ajuda”, disse.

Além das condições de saúde, Paulino conta que a renda que tem também não contribui para que ele continue em Dourados, pois não é o suficiente para contratar uma pessoa para o ajudar. De acordo com Francisco, os filhos chegaram a revezar para cuidar dele e da esposa no ano passado, mas não gosta de lembrar do período.

“Tenho quatro filhos, um do primeiro casamento e três do segundo casamento que vieram ficar comigo no período em que estive hospitalizado e depois que sai. Na época a minha esposa Maria Amélia, também ficou doente e logo faleceu. Mas infelizmente eu sofri com eles, não gosto de lembrar, pois não tinha delicadeza ainda mais nesse momento que a gente fica debilitado, era tudo na grosseira e eu estava de repouso e dependia deles, não podia fazer nada”, lembra.

Questionado sobre a falta de correr, o atleta conta que sente e que acredita em voltar a praticar o esporte um dia, já que a corrida o fez perceber o quando a atividade física é importante e que não há idades para iniciar.

“Eu sinto falta, desde que comecei não parei mais. Sei que quando iniciei muitos falavam que eu estava na idade de parar, mas eu não me sentia assim e sempre que podia participava, com isso acumulei histórias como a vez que me perdi na cidade de Belo Horizonte, são muitas hoje já não me recordo muito, deve ser a idade. Se for da vontade de Deus um dia volto a correr”, falou aos risos.

Trajetória

Paulino, como é conhecido, conta que chegou em Dourados em quatro de julho de 1974, acompanhado da esposa Maria Amélia Josefa da Conceição. Na época trabalhava com a venda de ervas medicinais. Começou a correr quando tinha 72 anos, e decidiu participar de uma maratona realizada por um banco, que tinha como tema “Largue o cigarro correndo”, já que era fumante e desde então não parou mais.

“Me recordo que quando cheguei em Dourados, no ano de 1974, não havia asfalto e a rua principal tinha muitos buracos, as ‘panelas’, a energia era disponibilizada da casa das irmãs e ficava só até as sete da noite depois era desligada. O Banco do Brasil promoveu uma corrida chamada de ‘Largue o cigarro correndo’, e eu pensei e decidi participar, desde aquele dia eu não fumei mais e comecei a participar de corridas’, explicou.

Foram 13 participações na corrida de São Silvestre, do qual acumula medalhas por ser o participante mais velho em completar a prova e por isso ganhou destaque na mídia nacional. Ele conta que um memorial com os títulos foi feito no Lar do Idoso, do Jardim Santo André, e que lá guarda todas as recordações.

A última corrida em que participou, segundo Paulino, foi há dois ano em Dourados, o percurso foi de cinco quilômetros.

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