O custo da cesta básica em Dourados sofreu uma forte elevação de 7,41% no mês de março, impulsionado pela instabilidade geopolítica global. Segundo a análise da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE/UFGD), que acompanha a pesquisa do Projeto de Extensão Índice da Cesta Básica, o aumento é um reflexo direto dos desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A tensão militar na região produtora de petróleo e o controle do Estreito de Ormuz encareceram os combustíveis, elevando os custos de transporte de alimentos, uma vez que o município depende da importação de produtos para suprir o consumo interno.
De acordo com o Índice da Cesta Básica da UFGD, o valor total do conjunto de 13 produtos saltou de R$ 700,58 em fevereiro para R$ 752,46 em março. Esse salto representa uma pressão significativa no orçamento doméstico, exigindo que o trabalhador douradense comprometa 46,42% do salário mínimo de R$ 1.621,00 apenas com a alimentação básica.
Em termos de jornada, o cidadão precisou trabalhar 102 horas e 7 minutos no último mês para adquirir a cesta, um aumento de sete horas em relação ao esforço necessário em fevereiro, evidenciando uma nítida perda do poder de compra.
Dos itens monitorados, nove apresentaram alta, com destaque para a banana, que liderou o ranking com aumento de 35,01%, seguida pelo feijão (28,98%), tomate (13,97%) e leite (8,98%).
Outros produtos que pesaram mais no bolso foram a batata (6,25%), margarina (5,90%) e a carne (5,81%), enquanto o pão francês e o óleo de soja tiveram variações menores. Na contramão, apenas quatro itens registraram queda: açúcar (-7,99%), arroz (-3,61%), café (-3,61%) e farinha de trigo (-0,59%).
A realidade local acompanha uma tendência nacional de alta em todas as capitais brasileiras, embora Dourados apresente um custo de vida alimentar superior a 17 capitais estaduais, incluindo cidades como Fortaleza, Salvador e Manaus. No comparativo regional, a cesta douradense é mais barata apenas que a de Campo Grande, onde o valor atingiu R$ 805,93. Em nível nacional, São Paulo segue com a cesta mais cara do país, custando R$ 883,94.
Diante do cenário de instabilidade, economistas da UFGD reforçam a importância da pesquisa de preços, visto que a variação entre estabelecimentos em Dourados chegou a 10,64%, uma diferença de R$ 85,59 para os mesmos produtos.
Com base no custo de vida atual e nos preceitos constitucionais, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.425,99 em março, valor 4,58 vezes superior ao piso vigente no país.
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Feijão é um dos itens que apresentaram maior alta entre fevereiro e março - Crédito: Clara Medeiros/Dourados News