Sentada na cadeira de rodas, com um paninho sobre as pernas, na área de uma casa no Jardim Londrina, dona Carminda Fernandes da Silva aguardava a reportagem do Dourados News para contar um pouco da sua história, bem longa diga-se de passagem.
No dia 1º de julho, a douradense completou 100 anos, contrariando dados que apontam que os brasileiros vivam em média até os 72,2 anos; média de longevidade diminuiu durante a pandemia, visto que antes era de 76,6 anos.
E dona Carminda não é a única da sua linhagem a contrariar as estatísticas, antes dela, a sua mãe, Almerinda Pereira da Roza, viveu até os 100 anos; e a sua avó, Bárbara Martins de Souza chegou aos 102 anos de vida. Já dá para notar que a longevidade é familiar.
Carminda nasceu em 1922, época em que o Estado ainda era Mato Grosso. Filha de Almerinda Pereira da Roza e José Crispim Fernandes, teve mais nove irmãos, Cassiano, Cacilda, Crispim, Casturina, Ramão, Carmem, Antônia, Cristina e Conceição, todos já falecidos.
Dona Carminda se casou com João Marques da Silva em 12 de julho de 1942. O romance começou após ela costurar uma roupa para o rapaz. Os dois viveram 55 anos casados e tiveram 14 filhos. Com isso, a família se multiplicou e vieram 41 netos, cerca de 60 bisnetos e 20 tataranetos.
O seu João, conhecido como Aié, nasceu em 21 de março de 1914 e morreu em 17 de outubro de 1997, aos 83 anos. Dos quatorze filhos que o casal teve, sete também já partiram, com idades entre cinquenta e sessenta anos.
Ao ser questionada sobre o mistério para a longevidade, dona Carminda é enfática “acho que o segredo foi o cabo da enxada e a mão de pilão” [equipamento artesanal usado na zona rural para socar paçoca, milho, café, temperos, entre outros]. 
Um trecho do livro escrito pela neta, Eduarda Fernandes Rosa, aborda o quanto a idosa foi uma mulher batalhadora. Ela frequentou a escola por apenas três meses, “Eu tinha que trabalhar, carregar saco de mandioca com a mamãe, juntar lenha para ela torrar farinha... era muita luta”.
Apesar disso, a centenária diz que a vontade era de voltar aos 50 anos para aproveitar mais a vida. Segundo ela, na juventude, uma das suas paixões era dançar e perguntada se teria aproveitado muito, respondeu ‘ih, mas muito, aqueles bailões de xote”, riu. Ela até concorda que essa animação pode ter contribuído para chegar aos cem anos.
Para finalizar, dona Carminda foi questionada se imaginava chegar aos 100 anos e ela foi rápida em responder, “não pensava e nem queria, o povo não gosta de gente velho”, porém, a família mostra que o amor pela centenária é gigante.
Para a comemoração dos 100 anos, vários parentes de Dourados, Fátima do Sul, Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti se uniram e festejaram.
Livro
Em 2015, a neta Eduarda Fernandes da Rosa, jornalista, publicou um livro intitulado “Família Fernandes: Uma história de Gerações”, baseado nos relatos da avó, contado sob a perspectiva de uma pessoa que morou na zona rural e conheceu os heróis do campo, que venceram a pobreza.

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Dona Carminda é a terceira da sua linhagem a completar 100 anos - Crédito: Hedio Fazan/ Dourados News