A quantidade de casos de Chikungunya em investigação na Reserva Indígena de Dourados aumentou 42% em dois dias. É o que apontam os dados mais recentes do Informe Epidemiológico que monitora do surto da doença nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
O documento indica 572 em investigação até quinta-feira, dia 19, sendo que o informe anterior do dia 17, terça-feira, apontava para 401 pessoas que apresentavam sinais e sintomas compatíveis com a doença, mas que ainda aguardavam a confirmação do diagnóstico por análise de mostra de sangue em laboratório ou por critério clínico-epidemiológico.
O informe que é produzido pela Sesai (Secretaria Especializada de Saúde Indígena) junto com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), ainda mostra uma crescente de 26% nos casos confirmados neste mesmo período, chegando aos atuais 274.
Também cresceu em 67,7% a quantidade de pacientes que precisou ser encaminhada para atendimento hospitalar, passando para 151 pessoas, sendo que dessas três testaram positivo.
Os adultos são levados para o Hospital da Missão Evangélica Caiuá e as crianças ao PAP-R (Pronto Atendimento Pediátrico Referenciado) do HU-UFGD/Ebserh (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
Entre o total de 936 notificações atingidas, a quantidade de casos descartados se manteve em 90 até o momento, assim como a de mortes. Três idosos de 60, 69, 73 anos e um bebê de três meses não resistiram às complicações da doença.
Os dados desse informe epidemiológico que traz o recorte referente exclusivamente à população indígena, são provenientes do cruzamento de informações de múltiplos sistemas.
Entre esses estão o GAL (Gerenciador de Ambiente de Laboratório), Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), plataforma ArboNotifica da Prefeitura de Dourados, GNVEH (Gerência dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica Hospitalar) e planilhas operacionais oriundas de busca ativa de equipes em campo.
FORÇA-TAREFA
O avanço nas notificações coincide com o aumento do efetivo de atendimento à comunidade dentro das aldeias. Desde terça-feira foi ampliada uma força-tarefa em cooperação que inclui órgãos como FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde), Sesai, HU-UFGD/Ebserh, Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) Governo do Estado e prefeitura.
Uma unidade móvel que funciona como um ambulatório itinerante transformou a quadra da Escola Municipal Tengatuí Marangatu em uma espécie de hospital de campanha. Médicos, enfermeiros, auxiliares e farmacêuticos fazem triagem, consultas, coleta de exames e medicação aos que apresentam sintomas. Também há intensificação de visitas domiciliares.
A prefeitura chegou a confirmar na quarta-feira, dia 18, que não descarta a possibilidade de decretar situação de emergência em saúde pública no município, mas a medida não foi adotada até o momento.
As ações de combate à proliferação do mosquito continuam em mutirão dentro e fora das aldeias, já que 200 casos também foram confirmados na área urbana.
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Estrutura para consultas, exames e medicação foi montada na quadra da escola Tengatuí para receber pacientes com sintomas da doença - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News