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Busto de quilombola foi entregue hoje em Dourados

26 junho 2007 - 10h02

O prefeito Laerte Tetila promoveu hoje de manhã, no Parque Ambiental Antenor Martins o busto em homenagem ao remanescente dos quilombolas, Felipe Dezidério de Oliveira, no Parque Antenor Martins.

Cerca de 14 famílias quilombolas residem no Distrito de Picadinha e 21 na cidade de Dourados, sendo que deste total, moram na região do Jardim Flórida 16 famílias. Por isso, esse lugar foi escolhido para abrigar o busto que homenageia a comunidade.

Felipe Dezidério Dezidério - Felipe de Oliveira, descendente de famílias escravas, nasceu em 1867, no Estado de Minas Gerais, e por meio de uma comitiva de boiada, chegou a Vista Alegre, localizada no município de Maracaju. Nesta cidade, conhece uma índia Terena, de nome Maria Cândida de Oliveira, com quem se casa e lá tem os quatro primeiros filhos: Benvida Felipe de Oliveira, Tomaz Felipe de Oliveira, Madalena Felipe de Oliveira e Miguel Felipe de Oliveira.

Na primeira década do século XX, Dezidério e sua família chegam a então Vila Dourados, comarca de Ponta Porã, onde nascem seus outros oito filhos: Cândida Felipe de Oliveira, Maximiliana Felipe de Oliveira, João Rosa de Oliveira, Alfredo Felipe de Oliveira, Antonio Felipe de Oliveira, Elisia Felipe de Oliveira, Felipe de Oliveira e Benedito Felipe de Oliveira.

Em Dourados o pioneiro Dezidério consegue por intermédio de João Batista de Azevedo, a aquisição de 3.748 hectares de terra, originando a Fazenda Cabeceira de São Domingos, localizada no atual Distrito de Picadinha. Em suas terras produzia para subsistência arroz, feijão, mandioca, e mantinha criação aves e porcos. Como atividade econômica, criava gado e fazia o cultivo de erval, o qual comercializava em Campo Grande, enviando sua produção através dos carros de boi. Outro ramo econômico desenvolvido por Dezidério e seus filhos Miguel, Antonio e Tomaz foi a formação de cafezal, chegando a trabalhar junto com Marcelino Pires nesta empreita.

O pioneiro Dezidério Felipe de Oliveira faleceu no ano de 1935. Atualmente quatorze famílias descendentes de Dezidério residem na área que restou da Fazenda Cabeceira de São Domingos e outras vinte e uma famílias estão morando em bairros periféricos de Dourados. Essas famílias descendentes do pioneiro Dezidério, recentemente organizaram a Associação Rural Quilombola “Dezidério Felipe de Oliveira” para preservar viva a memória e a resistência de seu patriarca na luta pela qualidade de vida.


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