O entrevistado da semana do Dourados News é o comandante do 2º Grupamento de Bombeiro Militar de Dourados, Edson Ferreira Pinto, que irá abordar os temas como queimadas, incêndios e afogamento.
O comandante atua há 25 anos na corporação, sendo aluno da primeira turma de Corpo de Bombeiros Militar após se desvincular da Polícia Militar em 1990. Ele está no comando de Dourados há um ano e dois meses, antes atuou na cidade de Ponta Porã por dois anos e meio. Contabiliza quatro anos à frente de Unidades Operacionais.
De acordo com o comandante, com o tempo seco e ventos, os focos de incêndios em pastagem são comuns neste período. Em relação às residências, ele alega que o superaquecimento de eletroeletrônicos em uma mesma tomada esconde perigos, como o caso que aconteceu recentemente [em um imóvel no Jardim Água Boa](http://www.douradosnews.com.br/dourados/incendio-na-casa-de-idosos-por-pouco-nao-termina-em-tragedia), que por pouco não acabou em tragédia.
No primeiro semestre deste ano foram 70 ocorrências registradas relacionadas a fogo. Com a falta de chuva nos primeiros 15 dias de agosto, foram 29 no município. Entre elas estão pastagens, rodovia e terrenos, sendo de grandes e pequenas proporções.
Já em relação as casas noturnas, ele conta que após o incêndio que resultou na morte de mais de 200 jovens e deixou centenas feridos, na Boate Kiss, em Santa Maria (RS) os estabelecimentos começaram a se atentar a questões de segurança.
Para o Bombeiro o primordial, é não exceder a capacidade de pessoas que o local comporta.
“Com certeza hoje, dentro de Dourados, não podemos afirmar, mas entorno de 80% das casas noturnas estão devidamente certificadas. Não adianta fazer uma casa que cabe 100 pessoas e colocar 200”, enfatiza.
Veja a entrevista na íntegra
Dourados News -Quais os cuidados necessários para evitar queimadas neste período seco e com ventos?
Edson Ferreira Pinto- Primeiramente não podemos fazer nenhum procedimento de atear fogo. Esse é o princípio básico, nem a queimada de lixo, para limpeza de terreno ou até mesmo a tão falada bituca de cigarro. Também temos as causas naturais que são poucos, como a incidência de raios. Neste período de estiagem e alta temperatura, qualquer situação de aquecimento pode ser colocado em risco.
D.N. -Quantos registros de incêndio de grandes proporções tivemos até o momento em Dourados em 2015?
E.F.P- Até o momento tivemos em torno de 70 ocorrências, variam em pastagem, terrenos baldios e em residências. Não tenho especificada de cada item. No ano passado foram aproximadamente 150 durante o ano todo. Em 2013, que teve aquele grande incêndio foi em torno de 200 ocorrências. Agora se inicia o período mais crítico e daqui para frente tende aumentar o número.
D.N. -O que teria ocasionado esses incêndios?
E.F.P- Esses fatores são muito difíceis de detectar, pois depende de uma perícia, muitas vezes está ligado a fator humano, a pessoa começa um fogo para limpar um terreno e depois se torna de grande proporção e perde o controle, essa é a grande maioria dos casos ou intencional tem pessoas como, por exemplo, crianças que tem o prazer de ver o Bombeiro trabalhar.
D.N. -Quais os mais comuns? E porquê?
E.F.P- Em pastagens e lavoura. Como estamos em um período de colheita e a plantação está seca, temos máquinas trabalhando motor aquecido, pó em suspensão (que se torna explosivo). Tudo isso cria uma atmosfera muito propícia. Assim como um asfalto muito quente, muitos veículos passando você cria uma atmosfera para dar início a um incêndio.
D.N.- Em caso de incêndios no campo ou pastagem quais as recomendações até a chegada de Corpo de Bombeiros no local?
E.F.P- A preocupação maior é evitar que o fogo se aproxime de bens e a vida, ou seja, de residências ou animais. No caso de pastagem, se iniciando um incêndio é interessante se analisar a proporção que o vento está levando esse fogo, se tiver animais, remove-los do local e o mais rápido chamar o Bombeiro. Alguns procedimentos que orientamos principalmente para os fazendeiros são a confecção de aceiros, que são os intervalos que não tenha vegetação entre as pastagens ou plantações para que o fogo não passe de um lado para o outro. Que seria um espaço de terra que pode ser utilizado para a circulação das máquinas, até fazer o que a gente fala, que é fogo contra fogo, um dos combates mais eficientes que se tem. Essa questão consiste em colocar fogo do outro lado de onde acontece o incêndio e quando eles se encontram se instigue. Mas tudo isso só acontece se você tiver um aceiro e também pessoas com esse tipo de treinamento, esse é o desafio que a gente tem. Outra situação envolvendo a lavoura é que eles, os produtores, aplicam secante, o que seria uma forma preventiva é dar um intervalo de duas semanas de um para o outro, ou um mês que também não deixa de ser uma barreira natural. Lógico que o fogo em grande proporção pega todo tipo de vegetação, mas a vegetação verde é mais difícil de entrar em ignição esse é um procedimento preventivo.
D.N.- Há dois anos, um incêndio de grandes proporções se iniciou na Perimetral Norte e se alastrou até a BR- 463, matando um homem. Naquela situação, houve risco das pessoas que moram nas proximidades (região do BNH VI Plano). Mesmo diante deste perigo, por que esses focos continuam?
E.F.P- Isso é cíclico aos acontecimentos naturais, ligados a questão climáticas, então você tem no começo do ano o período de carnaval, depois de Festa Junina, agora no período de seca, no final do ano abertura de pesca de verão, então essas coisas são cíclicas e ligadas a questões climáticas realmente e aliada a questão comportamental humana, que você tem que fazer procedimentos preventivos e adotar medidas para que isso não aconteça. Então por isso a questão ambiental da preservação de mata nativa, o percentual que existe de proteção ambiental das condições permanentes da natureza, preservação dos leitos dos rios, nascentes tudo isso faz com que você tenha fatores favoráveis e preventivos, para o tipo de ignição de fogo, como aconteceu em 2013, inclusive ali uma das barreiras naturais foi a passagem do rio, que evitou que passasse para o outro lado. Por isso o grande incentivo dos órgãos ligados as questões ambientes, assim como o bombeiro de conscientizar principalmente os fazendeiros que é importante a manutenção dessa preservação natural, e como forma de proteger esses animais que tende a se esconder nesses locais.
D.N. – Recentemente um princípio de incêndio na casa de dois idosos, no Jardim Água Boa, por pouco não acabou em tragédia devido a eletrônicos ligados na tomada. O que fazer para evitar esses casos?
E.F.P- Olha a legislação nossa de prevenção na questão urbanas, ela só isenta a residência unifamiliar, ou seja, todos os estabelecimentos, com exceção as residências estão sujeitos a ações de fiscalização do Corpo de Bombeiros com ações preventivas. Então realizamos um trabalho dentro do serviço técnico, que não é ligado atendimento de socorro público, que é essa questão de forma preventiva, fiscalizamos estabelecimentos, lojas, industrias com exceção de residências, então nestes casos muitas vezes os incêndios estão ligados a superaquecimento na rede de energia elétrica. Então o que tem que evitar: primeiro tem que ser feita uma rede elétrica segura com fiação adequada evitar o acúmulo de aparelhos eletrônicos em uma mesma tomada, revisão de fiação, evitar colocar objetos que sofram ignição, próximo a esses motores que se aquecem. Todo eletrônico, ele provoca o aquecimento então temos que evitar que esses materiais não estejam próximos. Os eletrônicos devem ficar em um local mais ventilado e principalmente a revisão de instalação elétrica adequada, isso é o ponto principal.
D.N. – Os hidrantes da cidade estão todos em pleno funcionamento?
E.F.P.- Temos um trabalho que realizamos de revisão periódica. Neste ano já iniciamos uma conversa com a Sanesul, para fazermos uma revisão geral. Existe um trabalho que se chama manobra de água, tem ponto que você tem uma força de água positiva, já outro não por serem mais distantes não são tão fortes assim, então o que fazemos no caso? Se você precisa de uma reserva de água, existe a possibilidade de uma manobra de água próximo aquele hidrante, que está precisando agora. Temos que fazer esse trabalho anualmente. E estamos realizando essa conversa com a Sanesul, para fazer essa revisão geral e com certeza vamos estar informando a imprensa, de como estão a situação desses hidrantes da cidade.
D.N.-Como é feito essa verificação?
E.F.P- Ela é feita anualmente. Hoje por exigência da nossa lei de prevenção do Código de Segurança, ele já existe e todo loteamento que é feito já tem o hidrante instalado. A obrigação é para aquele que fazer o loteamento é instalar seus hidrantes, já tem toda uma normativa para isso, a média é no raio de 150 a 300 m de circunferência se cobre uma área de hidrante.
Em relação as casas noturnas o Bombeiro, conta que o primordial é não exceder a capacidade de pessoas que o local comportaD.N. – Como andam as vistorias por parte do Corpo de Bombeiros, em locais de grande circulação de pessoas [shopping, restaurantes, bares], em Dourados?
E.F.P – Nós realizamos um trabalho, justamente depois de ocorrido na Boate Kiss, em 2013, no Rio Grande do Sul. Em que tínhamos a necessidade de realizar uma revisão na nossa legislação, pois ela era de 1990, e já atuávamos na vistoria, mas com pouco poder de polícia, em que ele não era muito claro. Então fizemos um novo código e foi implementado logo após a tragédia. A partir de então o bombeiro tem uma vertente, até de quebra de paradigma, em que esse trabalho está cada vez mais implementado, lógico que você precisa de capacitação, treinamento, equipamento, viatura, pessoas com condições e conhecimento. Mas de lá para cá houve um grande avanço nas questões da vistoria e fiscalização técnica. Porque a gente sabe disso? Porque outros instrumentos também exige a nossa certificação, até a própria Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), a secretária onde a gente pertence, logo de imediato saiu uma resolução que as polícias Militar, Civil e Bombeiro Militar atuem em conjunto nestas questões. As prefeituras só liberam alvará de funcionamento após a certificação nossa. Procedimento de investimento de governo federal só é liberado após a certificação nossa. Também tivemos a informação que a próprio FCO (Fundo de Financiamento do Centro-Oeste) depende da nossa legislação. Empresas ligadas internacionalmente só tem a chancela para funcionar com a devida certificação do Corpo de Bombeiros, assim como diversas outras. E isso fez com que aumentasse muito a nossa demanda em relação a esse tipo de trabalho. Recentemente o governo juntamente com alguns projetos ligados a essa certificação, não somente a do Bombeiro que foi a certificação online, que foi implantada no mês de julho, que já está na nossa página, tudo isso é para acelerar o tipo de trabalho necessário para isso. Mas hoje, estamos conseguindo conscientizar a população dessa necessidade da nossa devida certificação e fazer as coisas com segurança. Então o Bombeiro é um grande parceiro do empresário, não é só para fiscalizar, parceiro para tornar aquele ambiente seguro. Outras coisas que estamos trabalhando com bastante eficiência são os locais de concentração de público, locais de eventos temporários em que tem que ter a devida certificação. É interessante frisar que aquele que for realizar um evento temporário, que faça em um local com certificação permanente. A primeira coisa que a pessoa tem que fazer é verificar se tem o certificado do bombeiro.
D.N. – E nas casas noturnas, os proprietários têm se atentado mais a segurança?
E.F.P- Com certeza hoje, dentro de Dourados, não podemos afirmar, mas entorno de 80% das casas noturnas estão devidamente certificadas. Hoje para você dar continuidade no seu trabalho tem que ter a certificação nossa. Só que é oportuno frisar, isso é uma das coisas mais importantes que existe, que todo estabelecimento e toda normativa de segurança é prevista para o número exato de pessoas, então o responsável pelo evento tem que exigir que aquilo comporte o número de pessoas que está estabelecido. Não adianta fazer uma casa que cabe 100 pessoas e colocar 200 e posso afirmar com certeza que foi o que aconteceu naquela tragédia (Boate Kiss), houve um grande excesso de pessoas para o local, que era bem menor. Então a coisa mais importante que existe é você assegurar a quantidade exata de pessoas, que o espaço está previsto e isso não está ligado apenas a questões de segurança e sim a comportamento humano.
D.N.-Quantas dessas casas estavam legais na primeira fiscalização por parte dos Bombeiros?
E.F.P – Isso não dá para a gente te afirmar, porque isso começou em 2013, era outra lei. Mas, devido a isso [incêndio] a fiscalização, aumentou com certeza, houve uma grande demanda entorno de quase 200% de regularização nessas áreas.
D.N. – Existem muitas que continuam sem a devida segurança?
E.F.P – Hoje está bem menor, porque a fiscalização está bem em cima e recentemente realizamos uma operação juntamente com a Polícia Militar, que saiu na mídia, justamente para aqueles que não tinham a nossa certificação, foram notificados. Estivemos também com a Promotoria da Infância e Juventude nos motéis que foram devidamente certificados e notificados, porque você vai lá e notifica e dá o prazo para a pessoa se regularizar. Se não fizer isso, podemos voltar lá notificar de novo e aplicar multa, ou dependendo da situação até interditar o local.
D.N. – Estamos nos aproximando do verão e logo a procura de pessoas por rios e lagos para banho começa. Quais as recomendações para evitar afogamento?
E.F.P – Olha essa situação depende muito e está ligado ao comportamento humano, então aqueles locais que irão oferecer esse tipo de serviço, eles têm que ter segurança contratado particular, sinalização, as boias de segurança. Nos locais mais perigosos, principalmente em rios, têm que ter uma fiscalização permanente e os guardas vidas exercem um papel fundamental nesse trabalho. E outra coisa, a pessoa deve evitar bebida alcoólica, pular em lugar desconhecido, entrar onde não conhece. A nossa lei exige que nesses locais que oferece o banho ao público de modo geral tenha os devidos guardas vidas capacitados e treinados para isso. Paralelamente, nós damos início aqui dentro da guarnição aos treinamentos unitários, em aspecto a salvamento aquático. Agora com o início do verão vamos intensificar os treinamentos na natação e preparação física, justamente para condicionar os nossos militares para atender a esse tipo de atividade.
D.N. – Qual o procedimento que pode ser adotado por amigos ou familiares para ajudar vítima de afogamento?
E.F.P – Você tem um tipo de afogamento muito ligado a criança, em situações que elas se afogam na sua casa, então toda piscina tem que ter cerca de proteção, isso é fundamental proteger essa piscina. É de imediato chamar o Bombeiro e você tem que ter procedimento de salvamento, ai que entra a dificuldade, pois as pessoas não tem esse conhecimento, que a gente fala, massagens cardiorrespiratórias e tem protocolo de como fazer de realizar. Mas o importante é você tomar medidas de segurança para evitar e estar sempre atento. Então no local que tem água sempre muita atenção.
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