Uma reunião entre o Conselho Municipal de Saúde, gestores do Hospital Universitário, Ministério Público Federal e Secretaria de Saúde do município debateu, na tarde desta segunda-feira (21) na Casa dos Conselhos, os problemas que o Hospital Universitário de Dourados tem enfrentado cotidianamente, em especial no setor da maternidade.
violência obstetrícia foi a principal questão colocada pelos conselheiros na reunião, entre outros pontos citados estavam a carência de profissionais, demora no atendimento, falta de estrutura, assédio moral e falta de humanização nos procedimentos.
No debate, a presidente do Conselho Municipal Berenice de Souza, apresentou as reclamações e afirmou que as gestantes não tem a assistência que deveriam na unidade. Ela lamentou os recentes fatos de pessoas que perderam seus bebês na unidade hospitalar e lembrou de uma gestante que ficou sem os gêmeos por supostamente ter esperado muito para ser atendida no hospital, conforme foi divulgado no Dourados News na semana passada [relembre aqui](http://www.douradosnews.com.br/dourados/mulher-aborta-gemeos-e-acusa-hu-de-demora-em-atendimento).
“As grávidas passam por um período frágil e quando precisam de atendimento não são recebidas como deveriam em termos de acompanhamento e de estrutura. É preciso que as pessoas sejam atendidas de forma mais humana no HU, é lamentável ter que acompanhar o fato e o sofrimento desta família que denunciou o descaso com que foi tratada no hospital e perdeu essas crianças”, destacou.
A superintendente do HU Mariana Trinidad Ribeiro Croda apontou problemas que tem ocorrido na unidade que de acordo com ela contribuem de certa forma para as reclamações existentes e afirmou que levantará formas para resolver as questões apontadas. Entre eles, Croda apontou falta de repasse de recursos públicos e superlotação, que de acordo com ela, impedem o atendimento de excelência.
“São 25 leitos e a minha taxa de ocupação fica em torno de 130% e 140%, depende do mês, e esses leitos não são remunerados eu não tenho custeio para esses leitos a mais. Essa superlotação junto e o contingente de poucos médicos faz com que trabalhem sobrecarregados e isso torna ambiente hostil para os profissionais. O HU teria que ter um plano orçamentário de R$ 43 milhões por ano, sendo R$ 3 milhões de contratualização e eu não recebo esse repasse de forma global desde fevereiro, valores esse que são da União e do Estado. Não tenho dinheiro para esse custeio e com isso fica difícil para manter os serviços”, disse.
A superintendente aponta que para solucionar os problemas existentes maternidade do HU seria necessário uma unidade hospitalar que atendesse os casos em que as gestantes não correm altos riscos. “A missão do HU dentro da média e alta complexidade não é fazer o baixo risco –pacientes que não complicações- o ideal seria que essa essa baixa complexidade pudesse ser referenciada para outro lugar”, disse.
O secretário de saúde Sebastião Nogueira também afirmou a dificuldade com a falta de repasses financeiros. Ele destacou que essa valor passa de R$ 7 milhões e enfatizou também sobre a necessidade de uma nova unidade na cidade para “desafogar” os serviços do HU.
“É necessário que Dourados tenha um novo hospital que seria o regional para melhor atender a população, mas, certamente vai demorar alguns anos para que aconteça", ressaltou.
Diante das reclamações, a superintende destacou que buscará soluções junto a equipe. Já sobre a questão de falta de humanização no atendimento, ela disse que tem trabalhado para solucionar o fato e continuará buscando meios para que os pacientes sejam bem atendidos.
“Não vamos ficar inerte a essas questões levantadas, vamos buscar meios e soluções. Foi muito pontuado que o atendimento precisa melhorar e tenho trabalhado em cima disso, novos enfermeiros assumiram recentemente e isso ajudará bastante, vamos trabalhar essa questão de imediato e reforçar a humanização junto aos profissionais”, citou.
MPF investigará denúncias do HU
O procurador da república Manoel de Souza Mendes Junior esteve na reunião e destacou a abertura de um inquérito civil no MPF (Ministério Público Federal) para apurar as denúncias relacionadas a maternidade do HU. Ele ressaltou sobre a importância de a população denunciar os fatos em desacordo com a lei na unidade formalmente e que o foco será medidas que previnam essa situação.
“O inquérito foi despachado e se houver erro humano na questão isso terá que ser investigado de perspectiva criminal. É importante que a população denuncie situações nesse contexto para que uma correta análise possa ser feita e com o inquérito buscaremos meios de melhorar essas situações apresentadas aqui”, disse.
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Reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira na casa dos Conselhos - Foto: Gizele Almeida