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Hospital da Vida

Ao MPE, médico relata confusão total de informações em plantão com morte

22 agosto 2019 - 14h05Por André Bento

Em oitiva realizada na manhã desta quinta-feira (22) na 10ª Promotoria de Justiça de Dourados, o médico Gecimar Teixeira Júnior relatou uma confusão total de informações no plantão em que o motociclista Roberto Gonçalves Braga morreu no Hospital da Vida, na noite de 21 de julho. Apontado como plantonista da ocasião, declarou não ter sequer contrato formal com a prefeitura.

Esse termo de declaração foi anexado ao Procedimento Preparatório número 06.2019.00001173-8, instaurado para “apurar eventual irregularidade na realização de atendimento de urgência/emergência no Hospital da Vida por falhas na composição da escala de médico, bem como apurar as causas que ensejaram a falta de assistência a paciente que veio a óbito na data de 21/07/2019”.

No depoimento obtido pelo Dourados News, Gecimar informou ser médico intensivista atuante principalmente em um hospital particular da cidade. Relatou que “há dois meses recebeu um convite, pelo Dr. Majid e Sra. Liandra, assessora da prefeita Délia, para auxiliar na escala de plantão do pronto-socorro no Hospital da Vida, pois já havia problemas para a montagem dessa escala”.

Declarou ainda que “foi ficando difícil a montagem da escala pois muitos médicos pediram desligamento do hospital” e que, diante disso, “aceitou colaborar naquele final de semana que foi de 19 a 21 de julho”.

O médio destacou, porém, ter avisado “que só iniciaria sua colaboração a partir do dia 22/07/2019” e “que esse aviso foi feito via aplicativo via whatsapp ao Dr. Majid, com antecedência”, razão pela qual “seu nome sequer entrou na escala de plantão daquele final de semana do dia 19 a 21 de julho”.

Diante do promotor de Justiça Etéocles Brito Mendonça Dias Junior, fez uma breve consulta no aplicativo whatsapp para confirmar “ter feito o mesmo aviso para a pessoa de Berenice, no dia 16 de julho, às 20:53” e que “naquele final de semana, às 17:45, da quinta-feira, foi avisado ao Dr. Majid que o declarante ainda não estaria de plantão no Hospital da Vida”, com início de seus plantões “no final de semana seguinte”.

A vítima, Roberto Gonçalves Braga Braga, tinha 34 anos quando colidiu a Honda Biz que conduzia, de cor preta e placa NRM-1439, de Dourados, na traseira de um VW Gol que estava parado atrás de uma sequência de carros na Avenida Marcelino Pires, região da Cabeceira Alegre. Socorrido polo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), foi levado ao Hospital da Vida.

Naquela ocasião, um domingo, o médico disse estar em Amambai, quando recebeu ligação de uma enfermeira do Hospital da Vida e do chefe do Samu, Renato Vidigal, às 18h15. Ao ligar de volta, 10 minutos depois, “recebeu a notícia de que estaria de plantão”.

Por ter estranhado e ficado surpreso, disse ter pedido “algum documento que comprovasse o alegado, porém este não lhe fora apresentado”. Acrescentou que “não havia nenhum contrato formal de prestação de serviços com o Município ou com a Funsaud [Fundação de Serviços de Saúde de Dourados] para prestações de serviços médicos” e “que inclusive esse contrato ainda não foi formalizado”.

O médico relatou ao MPE-MS (Ministério Público Estadual) ter resolvido “ajudar por conta própria” e não saber “dizer os motivos pelos quais ainda não formalizaram o contrato de prestação de serviços”, acrescentando que “até o momento ainda não foram pagos os honorários médicos do mês de junho e julho, o que deveria ter sido acertado no dia 20 do presente mês”.

Além de apontar outro médico como suposto plantonista do dia dessa morte, afirmou ter ficado sabendo que a vítima “já chegou em glasgow 3, que é estágio avançado de coma”.

Nessa mesma investigação, em depoimento prestado na quarta-feira (21), o coordenador do Samu, médico Renato Vidigal, declarou ao MPE que o médico regulador do serviço “ficou com o paciente por mais de uma hora, tentando reanimá-lo, e não apareceu nenhum médico do Hospital da Vida para ajudá-lo”.

No próximo dia 27, está agendada oitiva com a secretária municipal de Saúde, Berenice de Oliveira Machado Souza, que é também interventora da Funsaud. Ao Dourados News, ela informou que sobre a convocação feita pelo MPE para prestar esclarecimentos não tem o que declarar. 

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