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Alfabetizandos de Dourados fazem presépio de sucata

10 dezembro 2003 - 11h55

Mais do que aprender a ler e escrever, os alunos do Movimento de Alfabetização de Adultos (MOVA) de Dourados, fizeram um presépio de sucatas e muitos outros trabalhos artísticos. No entanto, o que aparenta ser um mero trabalho de artes, tem objetivos muito mais amplos: o de estimular o trabalho em grupo e o conhecimento. “Estamos trabalhando com pessoas com mais de 40, 70 e até 80 anos. Desenvolver este tipo de trabalho, para eles tem sido prazeroso e, além disso, dá um retorno pedagógico positivo”, salienta a coordenadora do MOVA, Iranilde Pedrosa Novaes ao explicar que o aprendizado do movimento não se limita às letras. Além de trabalhos com material reciclável, são desenvolvidas atividades sobre questões políticas e regionais. Quem quiser ver a produção dos alunos pode ir até a Secretaria Municipal de Educação.“Quem observar bem o presépio vai perceber que ele revela um pouco da realidade social dos alunos”, esclarece Iranilde. “Este é o sentido da alfabetização! É aliar as letras à cidadania e dar oportunidade para os alfabetizandos melhorarem a convivência entre eles e a comunidade onde vivem”, comenta, lembrando que muitas vezes a violência que faz parte do dia-a-dia do brasileiro poderia ser resolvida, em muitos casos, com uma conversa.O MOVA é um trabalho que vem ganhando destaque desde que foi criado. Em dezembro do ano passado havia apenas 30 salas de aula. Hoje são 80 turmas em diversos bairros de Dourados, o que significa 1.600 alunos e 80 monitores. Há também 17 apoiadores, pessoas que acompanham as aulas ministradas.Todavia, o ano de 2004 promete. Com novas parcerias vai ser possível chegar a 172 salas.  Uma prova de que o movimento tem o objetivo de favorecer a todos, está duas mais recentes turmas. Uma no estabelecimento penal de regime semi-aberto e a outra no Centro de Atenção Psicossocial em Saúde Mental. “Nosso interesse é dar um fim às barreiras do analfabetismo e principalmente, o preconceito que existe em torno da questão, oferecendo cidadania a todos”, finaliza Iranilde.

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