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ESPECIAL: EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

“A mudança começa de agora”, diz mestre em psicologia do trânsito

25 julho 2014 - 06h27

Thalyta Andrade

Na última reportagem da série que aborda a questão que envolve a embriaguez no trânsito, o Dourados News conversou com um especialista em comportamento. Psicólogo, mestre em psicologia do trânsito e membro do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul, Renan da Cunha Soares apontou que a realidade com relação ao tema é bastante preocupante, principalmente entre os mais jovens.

“É algo muito complexo de se mexer por estar enraizado na nossa cultura. Apesar das leis e normas estarem rigorosas, o costume ainda prevalece de forma pesada em meio a maioria dos grupos sociais. É claro que houve mudanças, com campanhas de conscientização, mas ainda é algo muito difícil de se mudar, realmente”.

De acordo com o especialista os condutores tanto mais velhos quanto mais jovens que hoje se dispõem a pegar um veículo e conduzi-lo embriagado são resultados de um componente cultural muito forte, e que provém da esfera familiar. O primeiro contato com a bebida e o volante, na avaliação de Cunha, vem da esfera familiar.

“Se você perguntar para essas pessoas onde tiveram contato com álcool pela primeira vez, vão responder que foi em casa. E se perguntar quais foram as pessoas que eles viram dirigindo após beber, elas responderão que foram parentes. Isso é preocupante e é aí que deveria começar a mudança da realidade na qual vivemos hoje, com muitos acidentes, e a grande maioria deles resultado de imprudências”.

De acordo com o especialista, atualmente a concentração maior de condutores que assumem o risco da combinação perigosa entre bebida alcoólica e direção é naqueles que possuem idade entre 18 a 25 anos. “Ainda existem fatores como autoafirmação e a busca de vivenciar experiências novas, aventura, que são muito presentes na vida desses jovens. A grande diferença é que esse tipo de comportamento no trânsito coloca ele e os demais em risco desnecessariamente”.

Cunha já trabalhou em um grupo de assistência a pessoas que passaram por acidentes com vítima fatal. De acordo com o especialista do Detran, infelizmente somente depois que algo mais grave acontece com o próprio condutor ou com alguém próximo que faça parte do seu círculo social, é que a reflexão sobre prudência e responsabilidade no trânsito acontece.

“Depois que acontece aí a pessoa se preocupa, porque a situação se torna mais presente e sólida na vida dela. Essa sensação de imaturidade do jovem não o faz pensar nas consequências, como as pessoas mais maduras. Mas, isso não quer dizer que as pessoas mais maduras tenham um comportamento exemplar no trânsito. Há aqueles, e são muitos, que carregam consigo o resquício do comportamento de quando era um jovem motorista que conviveu com a inconsequência socialmente, porque antigamente não havia a fomentação em meio a massa de que o álcool afeta as pessoas antes de dirigir”.

Para que o cenário mude, Cunha acredita que tudo depende de políticas e ações integradas contínuas para a conscientização, e mencionou o exemplo do cinto de segurança. “O exemplo do cinto é uma realidade. Antes, as pessoas tinham a cultura de que ficariam presas dentro do carro em caso de acidente, que morreriam queimadas, entre outros mitos. Com aumento da fiscalização, e uma cobrança mais presente na rotina por meio das multas, hoje o que vemos é a grande maioria das pessoas utilizando o cinto de segurança por força do hábito. Foram educadas nesse sentido por meio da cobrança”.

Por fim, o especialista defendeu que “a mudança começa agora”, e que a meta de governo e sociedade deve ser a mudança de comportamento para que a geração atual se conserte, e as próximas já sejam plenamente conscientizadas. “A mudança começa agora, de fato. O que se entende que seja a maneira mais adequada de se promover isso é utilizar fiscalização massiva na estrutura do trânsito, trabalhar de forma educativa junto de escolas, empresas, igrejas, e qualquer grupo dentro da sociedade civil, para que se massifique o perigo e a necessidade de se tomar cuidado, e para que beber um pouquinho que seja e dirigir não seja visto de forma banal”, finalizou Cunha.

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