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SEBASTIÃO NOGUEIRA

“A intenção era de que o caos se instalasse dentro do HV”, revela secretário de Saúde

11 setembro 2014 - 06h37

O entrevistado desta semana é o médico e secretário de Saúde do município, Sebastião Nogueira. Na segunda-feira (8), uma semana após a administração municipal assumir oficialmente o Hospital da Vida, ele atendeu a equipe do Dourados News e falou sobre o futuro da unidade.

Durante a conversa, ele destacou a intenção do antigo gestor, o Hospital Evangélico, de “instalar o caos” no local.

“Nesse período, o corpo clinico, a enfermagem, todos se desdobram, até além dos seus limites, para atender bem a população. Mas a infraestrutura e as condições de trabalho eram totalmente insalubres e inadequadas. Eles tinham o interesse de instalar o caos, com o objetivo de conseguir mais dinheiro”, relatou.

Na visita, ele também reiterou a mudança é um desafio para a atual administração e lembrou como deve ser o atendimento. “As pessoas vem para o Hospital da Vida com esperança, se aqui não funcionar, é o fim para eles. Queremos transformar isso aqui em salvação”, relatou.

Confira a entrevista na íntegra

Dourados News - Secretário gostaria que o senhor fizesse um balanço da primeira semana de administração do Hospital da Vida.

Sebastião Nogueira - Muito positiva. Quem chegar ao hospital vai observar outra realidade. A situação encontrada de infraestrutura era e ainda é precária, um hospital que foi abandonado e sucateado em todas as suas formas. O resultado mesmo, vai aparecer quando implementarmos outras ações dentro e fora do Hospital da Vida. Numa delas está a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde nós vamos direcionar o atendimento médico aqui de Dourados. Ou seja, esses pacientes de trauma encaminhados para o HV não virão mais, serão levados para a UPA, um prédio que está totalmente estruturado, maior que aqui. Lá existe uma estrutura moderna, equipamentos novos, onde nós vamos oferecer um atendimento especial. Todos esses tumultos no HV atualmente são porque não tem opção. O paciente não tem opção, porque este é o hospital público de Dourados, que é pequeno pra atender a demanda local e de nossa região.

DN - Qual é a estrutura do Hospital Vida, em relação a leitos?

SN - São 82 leitos incluindo os da UTI, são totalmente insuficientes para atender a demanda. Então estamos construindo junto com o Hospital Universitário, um maior aporte, uma maior participação deles, porque sempre ficaram ausentes em situações de emergência.

DN - Como assim, ausentes?

SN - Bom... isso é coisa deles lá.

DN- Em relação a esses 82 leitos, qual a taxa diária de ocupação?

SN- Posso dizer que 100%! Sempre estão ocupados, são raros os momentos que há leitos livres. Sai um paciente e o outro já esta aguardando. O antigo administrador [Hospital Evangélico], tinha o interesse de deixar os pacientes esperando nos corredores, então vamos fazer um redirecionamento deste paciente. O plantonista que receber o enfermo terá que dar um destino a ele, que não deve ficar aguardando ali no Pronto-Socorro, que tem uma estrutura inadequada. Então, medica, faz o que for necessário, libera para ir pra casa ou interna. O que não pode é ficar esperando em local inadequado até a vinda do especialista. Ai sim o médico verá o paciente no leito e não em situação degradante, desumana como antes.

DN- O Hospital da Vida Ficou quantos anos sob o comando do Hospital Evangélico?

SN - Desde 2010.

DN - Nesses quatro anos de administração do HE o que teve de melhoras e pioras?

SN- Eu não conheci antes como funcionava o hospital quando foi entregue. O que eu posso dizer e que estamos assumindo com o compromisso de mudar a forma como o paciente é atendido aqui dentro, nós queremos dar um atendimento mais humanizado, realmente voltado ao paciente. A reclamação era do mau atendimento recebido por eles. O corpo clinico, enfermagem e todos se desdobram, até além dos seus limites, para atender bem a população, mas a infraestrutura e as condições de trabalho eram totalmente insalubres e inadequadas, com interesse de instalar o caos, objetivando conseguir mais dinheiro.

DN- Este repasse que é feito pelo poder púbico, o senhor agora como gestor, entende que é suficiente?

SN - O subfinanciamento para a saúde é gritante, não apenas para Dourados, mas no país todo. O governo federal tem que assumir sua responsabilidade, em destinar mais verbas para a saúde. Hoje o governo federal não tem o índice fixo, é aleatório, a critério do governante que está na época. Já diferente do município e do Estado que tem que repassar 15% e 12% de seus orçamentos. A união não tem essa predestinação aprovada, e ela faz com que o Congresso use de todas as formas para não aprovar um valor fixo para a saúde. Então a saúde e subfinanciada, e também tem problemas de gestão. E isso é o que estamos fazendo, mudamos a gestão e passamos a agir e atender melhor dentro do que nós temos. Mas ainda precisamos de mais recursos, tanto federais como estaduais, isso é inegável.

DN- No ano passado houve um acordo com o Hospital do SIAS, em Fátima do Sul e a instalação de 20 novos leitos aqui, na intenção de aliviar a demanda que vem de fora, este contato com o hospital de Fátima do Sul ainda existe?

SN- Existe e agora ele está sendo usado. Antes não havia interesse da outra administração em usar estes leitos. Nós já estamos usando e agora precisamos nos organizar, saber qual paciente pode ir ou não para lá [Sias] porque não vamos mandar qualquer paciente. São aqueles que já possuem diagnóstico definido, está medicado e estabilizado, e eles então vão continuar o tratamento lá.

DN- Em relação ao UPA, o senhor disse que é maior que o Hospital da Vida, e que irá desafogar os atendimentos por aqui. Quando isto vai acontecer?

SN - Exatamente, vai ser neste mês de setembro, não tenho ainda data definida, porque além de algumas coisas internas, também temos que resolver o problema das vias de acesso, asfalto, sinalização. Não podemos abrir a UPA com o movimento grande que já existe na Coronel Ponciano e que provavelmente irá aumentar. Então tem que estar pronta toda a sinalização e as vias de acesso. E questão de quadro de funcionários que temos que ajustar.

DN- A prefeitura está tendo dificuldades em contratar funcionários? Estão na quarta chamada?

SN- Não, a prefeitura não está tendo dificuldades em contratar, estamos chamando gradativamente, porque fizemos um processo seletivo tanto para a UPA como para o Hospital da Vida, então nos antecipando para contratar todos os funcionários, para não deixar nenhum sem trabalho.

DN- Houve uma auditoria recente no Hospital da Vida, e que encontrou algumas situações, digamos, errôneas vamos supor do que era feito antes, vocês já têm números sobre isto?

SN- A auditoria sempre foi feita, a cada três meses era avaliado o que acontece no hospital. O que aconteceu aqui foi um levantamento de bens antes de tomarmos conta do lugar. Buscamos saber o que foi recebido pelo Hospital Evangélico, o patrimônio que era do Estado e do município e hoje nós viemos aqui e levantamos o que existe e o que não existe, está em fase se determinar o que está funcionando, o que pode ser reutilizado, o que ficou obsoleto.

DN- Vocês já tem uma estimativa de valores?

SN- Não, estamos avaliando a quantidade, qual equipamento estava e que não está mais, deteriorado, qual tem condição de uso, é isso que estamos determinando.

DN- Em relação à saúde do município, existem várias situações que chegam reclamações para nós em relação ao Samu e as ambulâncias municipais que não conseguem atender a demanda, por que?

SN - Chegavam, hoje não chegam mais. Você pode ver que de alguns meses pra cá, não tem mais queixa de falta de ambulância do município, seja do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ou da Secretaria de Saúde, porque nós conseguimos trazer para a secretaria a manutenção e todo conserto das ambulâncias e todo veículo pertencente à saúde e que antes eram feitas por um contrato único através da prefeitura, e se perdia entre tantos outros, o que não acontece mais, estamos fazendo através da secretaria todo o serviço de manutenção e hoje não temos mais problemas.

DN- Na semana passada, uma pessoa ligou, dizendo que estava em tratamento e não conseguiu ambulância para o transporte?

SN- Do Samu?

DN- Não do município.

SN- A pessoa quer que a ambulância vá na hora que ela quer, não é mesmo? E dependendo da hora não isso não é possível.

DN- E hoje qual é a estrutura das ambulâncias do Samu e do município?

SN- Hoje é muito boa, temos 3 ambulâncias novas, fora as que já existiam que estão todas com a manutenção em dia, funcionando. São veículos que estragam, mas hoje não se perdem muito tempo como antes, a ambulância vai de manhã para a oficina e a tarde já está funcionando.*

DN- Quanto tempo se perdia nestas situações?

SN- Vivíamos desesperados, porque quase todo dia tínhamos de correr atrás para resolver certas situações envolvendo as ambulâncias funcionando.

DN - Voltando ao HV, o que teremos de novo nos próximos meses?

SN - Estamos reformando uma área interna para a colocação de mais 11 leitos de Semi-UTI, já que hoje os pacientes ficam numa ala totalmente inadequada, expostas a pessoas que passam por ali, condições climáticas, algo realmente deprimente. E estamos também ampliando mais uma sala para mais 10 leitos de UTI, são mais 21 novos leitos.

DN- Qual o valor investido nesta obra?

SN- O valor é de R$ 200 mil. Só a reforma, fora os equipamentos como respirador, entre outros, que futuramente serão adquiridos.

DN- Há um prazo para ser entregue essa reforma?

SN- Não me pergunte de prazos, estamos fazendo.


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