Muito original a premissa de “Além do Tempo'' – a novela das seis, de Elizabeth Jhin, que terminou nesta sexta, 15/01 – inverter os papeis dos personagens em encarnações diferentes, de vilão a vítima (e vice-versa), para o julgamento do público. Culpado ou inocente? Ou nem tanto? O maniqueísmo, tão inerente às telenovelas, tem aqui uma reviravolta sui generis: o mau em uma vida ficou bonzinho na outra, com as maldades justificadas e, por fim, expiadas. Desta forma, a autora propôs uma espécie de nova configuração do maniqueísmo.
O livre arbítrio pode favorecer a expiação de erros nesta vida – como o que aconteceu com Bento (Luiz Carlos Vasconcelos) na segunda fase da novela, que, de mau, regenerou-se. Já Emília e Vitória (Ana Beatriz Nogueira e Irene Ravache) precisaram de 150 anos para acertarem as contas. O público sabia que Emília sofreu nas mãos de Vitória no século 19 e presenciou a vingança que ela impôs, na atualidade, à sua antiga rival. Ao final, a redenção e o perdão justificaram, explicaram e expiaram dissabores do passado, dessa vida e de anteriores. E o público como testemunha. Entrecho irresistível, não? Maniqueísta pero no mucho: o mau, afinal, não era tão mau assim, e tinha lá os seus motivos. Contudo, o amor venceu.
Ainda que, para tecer sua trama, a autora referenciasse o Kardecismo, com personagens filosofando doutrinariamente – como os diálogos entre o anjo Ariel (Michel Melamed) e seu mestre (Othon Bastos) -, Elizabeth Jhin usou todos os recursos do folhetim para cativar a audiência, com histórias envolventes e personagens carismáticos. Discutiu racismo e alienação parental e foi tão sagaz em sua carpintaria, que, mesmo com poucos acontecimentos se desenrolando na maioria dos capítulos (o que poderia caracterizar embromação), estes sempre terminavam com bons ganchos. Desta forma, o espectador tinha a sensação de que algo acontecia – porém, tudo se resolvia rapidamente no início do capítulo seguinte (com exceção, logicamente, das últimas semanas da primeira e segunda fases, que foram ágeis).
Dessa forma, não houve “barriga'' (jargão aplicado àquele período da novela em que nada acontece), já que a autora, na maioria das vezes, brindou o seu público cativo com algum gancho que o levasse a continuar ligado na novela no dia seguinte. Mesmo na segunda fase, quando “Além do Tempo'' deu mostras de perder fôlego. Enquanto a primeira parte da história explicou a trama central e os antecendentes dos personagens principais (Vitória x Emília + triângulo Lívia-Felipe-Melissa), a fase seguinte restringiu-se à vingança de Emília contra sua mãe Vitória, enquanto o triângulo amoroso central (Lívia-Felipe-Melissa) praticamente repetiu a mesma trama da fase anterior – inclusive com quase o mesmo final.
Produção, elenco e direção
Não foi só a trama e a técnica da autora que tornaram esta uma das mais originais novelas dos últimos tempos. Pouco disso surtiria efeito não fosse a direção primorosa (Rogério Gomes, Pedro Vasconcellos e equipe), a produção caprichada (nas duas fases, em cenários, figurinos, fotografia, trilha sonora) e o elenco bem escalado e bem dirigido, com atores dando o melhor. Brilharam em papeis marcantes Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira, Luiz Carlos Vasconcellos, Júlia Lemmertz, Paolla Oliveira, Emílio Dantas, Dani Barros, Nívea Maria, Louise Cardoso, Juca de Oliveira, Zé Carlos Machado, Luís Mello e Inês Peixoto (ufa!). Isso não diminui os não citados hein, que também estiveram ótimos (incluido Alinne Moraes e Rafael Cardoso, muito bem como o jovem casal protagonista).
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