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COLUNA

Saúde

Fernanda Viana

Gordofobia: um preconceito grave

E-mail: contatonutrifernanda@gmail.com

03 fevereiro 2020 - 07h51

O conceito de gordofobia passou a ser utilizado muito recentemente, por volta de 2012, por meio da internet, principalmente nas redes sociais. O termo gordofobia tem sido comumente empregado para definir formas de discriminação a corpos acima do peso. 

Embora o padrão de beleza da atualidade valorize corpos magros, parcela expressiva da sociedade brasileira é constituída por pessoas com sobrepeso e obesidade, dessa forma a gordofobia está penetrada nos pensamentos e comportamentos de muitos, constituindo limitações, desencadeando culpa e promovendo a exclusão das pessoas obesas. Está também, enraizada na própria percepção de pessoas acima do peso, de que esse corpo não mereceria ser vivido, sempre buscando como fugir dele, alimentado pela contínua possibilidade de emagrecer.

Sendo assim, a gordofobia age como um sistema de opressão, e se refere à discriminação que as pessoas obesas estão submetidas, desde humilhação, inferiorização, ridicularização, anomalia e exclusão.  Por consequência, a sociedade gordofóbica observa um corpo gordo e julga o estado de saúde e hábitos dessa pessoa, considera-a doente, preguiçosa, incapaz de tomar decisões sobre sua própria vida e merece ser discriminada como forma de incentivo para emagrecer.

Então, fica a pergunta: é possível uma vida com saúde quando uma pessoa sofre discriminação e está em constante ódio consigo mesma e seu corpo?

Muitos não sabem, mas por muito tempo se acreditou que a obesidade era um problema relacionado somente com o excesso de ingestão de calorias na dieta diária de um indivíduo. Na verdade, a obesidade se relaciona sim com o excesso do consumo de calorias, mas ela também apresenta um quadro metabólico e inflamatório de dificultoso controle clínico, sendo classificada, por esse motivo, como uma doença.

Logo, pacientes com obesidade sofrem com o diagnóstico da doença e enfrentam uma grande batalha para poder vencer esse perfil metabólico e, por esse motivo, merecem ser respeitados e auxiliados sempre.

Mas, já imaginou o quanto é lucrativo dizer às pessoas que o corpo delas precisa ser mudado? Já observou sobre o faturamento da indústria farmacêutica em cima de medicamentos para emagrecer? Ou sobre a quantidade de dinheiro envolvida no mercado da cirurgia bariátrica?  “Saúde” como bem de consumo e como conquista pessoal é um conceito altamente rentável. Mas não tem nada a ver com saúde de verdade!

Sendo assim, essa exclusão e opressão afetam diretamente a autoestima, levando a consequências como o isolamento social e doenças induzidas pelo estresse (depressão, ansiedade, tendência ao suicídio). O sentimento de fracasso por não corresponder ao padrão tem efeito direto sobre a integridade psicológica do indivíduo, aumentando a insatisfação corporal e a probabilidade de comportamentos alimentares prejudiciais (dietas da moda, transtornos alimentares).

É importante dizer que, existe um estigma muito grande em torno do corpo gordo e a sociedade relaciona a obesidade com defeitos morais (preguiçoso, indisciplinado, guloso, sem autocontrole etc. etc.), mas alimentação desregrada, alcoolismo, tabagismo e sedentarismo são os quatro principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, e que magros também podem ter.

Muita gente tem na cabeça que ser gordo é ruim e ser magro é bom. Uma ideia equivocada de que ao ser magra, a pessoa já cumpriu um pré-requisito para ser saudável, mesmo que ela não tenha feito absolutamente nada para ter aquele corpo e tenha hábitos completamente contrários à manutenção da saúde.

No mais saiba que é preciso ter uma visão mais integrativa do que verdadeiramente significa ter saúde. Nem todas as pessoas gordas estão doentes, mas se estiverem, isso não é razão para se envergonhar, nem se esconder. Repulsa do corpo e baixa autoestima são coisas que não ajudam ninguém. Os sentimentos negativos só fazem a pessoa se sentir pior. Em resumo, quer saber se uma pessoa tem saúde? Não pergunte sobre o peso. Pergunte sobre os hábitos de vida!

*Especialização em Nutrição Esportiva, Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Fitoterapia - CRN3 27940. Escreve para o Dourados News.

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