Menu
Busca segunda, 06 de julho de 2020
(67) 99659-5905
COLUNA

Saúde

Fernanda Viana

Feijão e fatores antinutricionais

E-mail: contatonutrifernanda@gmail.com

01 junho 2020 - 00h02

A composição química dos alimentos é uma denominação valiosa do seu valor nutritivo. No entanto, não é suficiente para a classificação completa do alimento, do ponto de vista nutricional. Verdade que se deve ao fato de que muitos dos nutrientes contidos nos alimentos não se tornam disponíveis ao organismo, após a ingestão. Em síntese, o valor nutritivo dos alimentos irá depender da concentração e do balanço dos nutrientes e da presença ou não de componentes tóxicos ou antinutricionais.

Muitos não sabem, mas os alimentos além de apresentarem substâncias nutritivas essenciais para o desenvolvimento do organismo, podem também conter uma variedade de fatores antinutricionais, como os inibidores de proteínas, oxalatos, taninos, nitritos, dentre outros, assim denominados, devido ao fato de interferirem na absorção de nutrientes, podendo acarretar danos à saúde quando ingeridos em altas quantidades. No caso das leguminosas como o feijão, soja e grão-de-bico, por exemplo, o fitato é um antinutriente dificultador para absorção de cálcio, ferro e zinco. 

Vale dizer também, que quando consumidos, esses fatores antinutricionais agem de forma negativa na digestão, absorção e utilização dos nutrientes, ou seja, podem reduzir o valor nutritivo dos alimentos, e, se ingeridos em concentrações elevadas, podem provocar efeitos nocivos à saúde. O efeito mais comum é a formação de gases e a flatulência após o consumo de leguminosas como o feijão. Contudo, há indicativos de redução do consumo de feijão pela população, devido à mudança de hábitos, e a leguminosa, constitui a mais importante para a alimentação do brasileiro.

Esta diminuição no valor nutricional dos alimentos e efeitos nocivos à saúde, deve chamar a atenção dos profissionais de saúde frente a situações clínicas de pacientes que apresentam enfermidades, associadas a deficiências minerais, pois o lado positivo, é que as concentrações desses fatores antinutricionais podem ser reduzidas dos alimentos. 

Uma delas é a prática denominada popularmente de remolho (“deixar de molho”), consiste no processo doméstico de maceração de grãos crus de leguminosas por um período de 8 a 12 horas, em temperatura até 20ºC, e em épocas do ano ou regiões com temperatura superior, recomenda-se a refrigeração. O método contribui na redução dos teores de fitatos presentes nos grãos em até 85%, e assim, aumenta a digestibilidade da proteína e seu valor nutricional. 

No mais, saiba que existem tipos de processamentos que minimizam seus efeitos nocivos. As leguminosas, principalmente, fazem parte do nosso hábito alimentar e são fontes importantes de energia, proteína, fibras e nutrientes, contudo muitas pessoas evitam de ingeri-las pelos desconfortos intestinais que podem causar. 

Não deixe de consumi-las, faça o remolho adequado e não esqueça de descartar a água. Junto com os fatores antinutricionais, passam também para as águas descartadas, alguns nutrientes solúveis, sabor e cor, mas essas perdas não são muito representativas, sendo em muito compensadas pelos benefícios da técnica.

*Mestranda em Alimentos, Nutrição e Saúde. Possui especialização em Nutrição Esportiva, Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Fitoterapia - CRN3 27940. Escreve para o Dourados News.

 

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

Como escolher o melhor tipo de iogurte?
Milho verde: muito mais que energia em forma de grão
Permita-se despertar emoções por meio do paladar
Beterraba no feijão não aumenta o aporte de ferro
Oleaginosas: saiba o que são e quais os benefícios

Mais Lidas

POLÍCIA
Assassinado no Izidro é secretário de Agricultura Familiar de Dourados
DOURADOS
Ex-funcionário é o suspeito de matar secretário de Agricultura
DOURADOS
Antes do crime, homem que matou secretário havia sido demitido por não usar máscara
DOURADOS
“Um amigo, um conselheiro”, diz Délia após assassinato de secretário