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Saúde

Fernanda Viana

Alimentação para gastrite: o que consumir e o que evitar

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20 junho 2022 - 00h03

A gastrite é uma inflamação da mucosa que reveste a parede do estômago provocando dor, azia e prejuízo na absorção de nutrientes. Existem diversos tipos, como: aguda, crônica   ou   bacteriana e estão   relacionada   a   má alimentação, uso excessivo de bebidas alcoólicas e até tabagismo.

A nutrição desempenha um papel importante na redução dos sintomas e no agravamento da doença. Portanto, é recomendável que os pacientes com gastrite evitem jejum prolongado e fracione a alimentação diária em 5 ou 6 refeições. Essa conduta visa evitar o acúmulo de suco gástrico no estômago que provocará mais incômodo. A ingestão apropriada de líquidos ao longo do dia (não ao mesmo tempo que as refeições) e um comer atento (mastigar bem os alimentos), também ajudarão no processo digestivo em tempo adequado, sem causar um esvaziamento gástrico precoce ou muito lento.

Deve-se notar que o café, incluindo o café descafeinado, aumenta a produção de ácido estomacal, o que leva à irritação das membranas mucosas. Portanto, café, chá mate, chocolate e refrigerante podem agravar a gastrite e as úlceras. O sal em excesso é outro potente agressor do estômago, acarretando em dano tecidual e até aumentar o risco de câncer gástrico. Sendo assim, alimentos demasiadamente salgados, além de embutido e enlatados, são também contraindicados em doenças gástricas. Bebidas alcoólicas agridem diretamente as células estomacais aumentando o estresse oxidativo e são extremamente prejudiciais ao tratamento de doenças do estômago.

Sobre o consumo de leite e seus derivados, ainda não existe um consenso. Estudos mostram que eles podem aliviar os sintomas gástricos, mas outros relatam que o alto teor proteico desses alimentos causaria o rebote ácido no estômago. Logo, o consumo moderado é mais indicado e sem exageros na tentativa de aliviar sintomas. 

Vale lembrar que a atividade física leve a moderada também contribui para um bom funcionamento do sistema digestório; uma caminhada após as refeições pode auxiliar no trânsito do bolo alimentar.

Assim, para o controle da gastrite, alimentos de origem vegetal cozidos ou assados, carnes magras como frango e peixe, ovos, leguminosas, cereais e oleaginosas podem ser consumidos de acordo com as necessidades e preferências do paciente. Frutas em geral, exceto as ácidas como limão, laranja e abacaxi, caso apareça refluxo ou dor ao consumir esses alimentos. A maçã é uma das mais recomendadas, pois é conhecida por aliviar dores de estômago devido ao seu efeito antiácido. Entretanto, é importante levar em conta as tolerâncias individuais e garantir que não haja conceitos errôneos sobre os alimentos e seus efeitos no organismo. 

Deve-se prestar atenção aos nutrientes que ajudam a reduzir o estresse oxidativo causado pela inflamação do estômago e até mesmo a cicatrizar feridas se a gastrite se transformar em uma úlcera. Neste contexto, nutrientes como o zinco e o selênio desempenham um papel importante na manutenção do sistema imunológico e na cicatrização. O uso frequente de antiácidos pode levar a uma deficiência de vitamina B12, ácido fólico e ferro, já que a biodisponibilidade desses micronutrientes está comprometida. Se a gastrite é causada pela infecção pelo H. pylori, a homeostase do ferro também é afetada, pois este patógeno aumenta as necessidades de ferro.

Logo, os nutrientes recomendados podem ser diferentes na fase aguda e na fase de recuperação da gastrite, havendo maior necessidade de proteína e alguns micronutrientes, como vitamina A, zinco, selênio e vitamina C na fase de recuperação. Portanto, na conduta dietoterápica da gastrite, o profissional nutricionista não deve apenas prescrever uma alimentação que reduza as secreções gástricas, mas também monitorar os níveis de vitaminas e minerais para evitar a deficiência nutricional e melhorar o estado inflamatório.

*Fernanda Viana é mestra em Alimentos, Nutrição e Saúde - Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Especialização em Nutrição Esportiva pela faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu - FAESI e Pós-graduação em Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Fitoterapia pela Faculdade Ingá- Maringá (PR). Escreve para o Dourados News.

 

 

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