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COLUNA

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Ana Cavalheiro

Seo Luciferino II

01 julho 2024 - 07h17

– Elonzinho, vá dar um abraço na sua mãe e se prepare para servir o país.

Estamos em guerra!

Ordens carinhosas de seo Luciferino ao menino, agora com 18 anos completos.

– Nasceu macho esse meu filho. Teve uma boa educação, não ficou de
maricagem e nunca olhou pra um bordado, uma lantejoula. Criei bem, na chincha, no chicote.

Virou homem! Para um pai, é um orgulho. Fiz bem o meu trabalho – agradecia seo

Luciferino em seu monólogo, que era quase uma oração.

– Essas espinha na cara, logo logo, vão acabar, e jajá ele arruma uma namorada.

Mas tem que ser uma menina boa, trabalhadora e não uma dessas que não aceita contrato e
já vem querendo o que o marido tem, a herança. Menina boa tem que aceitar contrato, e com
hombridade, abdicar de tudo. E tem que criar bem os filhos, afinal um chefe de família
trabalha duro, enquanto a mulher fica em casa. Seu Nhonhô não soube corrigir o filho na
hora certa. Agora o menino tá aí, perdido, rebolando. Foi na onda da educação moderna,
progressista. Tivesse dado um bom pé d’ouvido, tinha resolvido. Agora é tarde. Tudo isso é
obra de comunista ensinando comunicação não violenta nas escolas, como se corrigir um
filho fosse violência – refletia seo Luciferino.

Respirando fundo, seo Luciferino entendeu que, atualmente, as mulheres estão
bem mais tranquilas, pastoreadas e evangelizadas, estão mais em condições de atenderem
seus maridos, com devoção e obediência, não perdendo tempo sonhando com idiotices que
não poderão realizar.

– Estão mais protegidas de si mesmas. Uma mulher sozinha não é ninguém –
finalizou, abanando-se com seu chapeuzinho no calor infernal.

– As coisa sempre caminharam bem sob o comando de homens destemidos e
corajosos. Para fazer negócios, é preciso ter coragem, doa a quem doer! – concluiu.

Seo Luciferino já ia, de caso pensado, solicitar uma reunião com o encarregado
ou o comandante do Primeiro Batalhão de Guerra. “Quem sabe ele não passa umas férias na
minha casa de praia em Angra, onde até poderiam estreitar um pouco a amizade”, pensou.

Mas desistiu ao tomar conhecimento de quem era o comandante da ação: um antigo desafeto,
rixa velha. Um sujeito rancoroso, que não negociava, sem visão de futuro. Elonzinho teria
problemas – o que de fato ocorreu.

Sem experiência e à frente do batalhão, lutando num país estrangeiro e sem
entender a língua, Elonzinho, em duas semanas, caiu morto em batalha.

Seo Luciferino tomou dois litros de whisky e se embrenhou na capoeira,
enlouquecido.

Foi encontrado dois dias depois, desacordado.

Levado para casa, tomou um banho e sentou-se à ponta da mesa, lugar onde
costumava discursar para a família.

– Jamais deixar de ser quem se é! Elonzinho caiu em desgraça. Está morto.

Vamos às honrarias!

Ana Cavalheiro
Arquiteta, Cronista, Mulher.
Grevenstein - Alemanha
Vila São Pedro - Brasil
anacavalheiro23@gmail.com

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