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COLUNA

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Ana Cavalheiro

Catherrines!

17 junho 2024 - 07h13

Nossa mesa está toda florida.

É primavera.

E se pode sentir e ver isso por todos os lados, depois de um inverno longo,
frio e silêncioso.

Catherrine, passeia montado entre as mesas, com seu look brilhando em
sua performance.

Ele gosta disso, é o que o aproxima de sua essência, o que ele encontrou
para si mesmo. Alto, com mais colares em volta do pescoço do que a
estátua da liberdade poderia ostentar, a make trincando no brilho, ele
supervisiona tudo com olhos atentos.

Eu o chamo de querida.

Querida, não temos reserva. Teria uma mesa para nós?

Catherrine, escolheu um lugar luminoso, clean, chic, para construir seu
reino.

Lugar onde pessoas se encontram, gente bonita que se olham, flertam ou
apenas saboreiam um vinho gelado, brindando com a primavera, que deixou
o sobretudo no armário mas manteve o coturno do outono, pois a chuva é
certa!

Viver. Como é bom! - apesar da dor - como já disse o poeta.

Esse personagem glamouroso, assim como eu, vem de um País onde no
congresso, homens e mulheres fazem política da pior qualidade.

Um congresso que luta para aprovar uma afrontosa lei contra mulheres
abusadas por estrupradores, onde ao final, a vítima é condenada por isso.

Combina com escuridão, combina com perversão!

Nenhuma palavra sobre o abusador.

Uma sociedade doente, pregando uma moral perfeita sem fazer o mínimo de
esforço para construí-la, e dominada por obssessores.

Nos perguntamos; Que homens são esses?

Quando um homem se torna homem?

Muito cômodo colocar o peso da perversão nas costas das mulheres.

Se ao menos pudessem, discernir entre o bem e o mal, já seria um caminho.

Com a punição da vítima eles continuam seguros para prosseguir com os
abusos.

Longíssima desse cenário horrendo e com a melhor das companhias,
sentamos nos confortavelmente nas poltronas do Catherrines.

Nossa mesa está farta - vinho do bom acompanhados de rolinhos,
parecidos sushi. Sempre tive medo desses rolinhos e provo por educação
para não constranger a minha amiga, que acha os tais rolinhos, um sonho!

No passado cheguei a comer Um para não estranhar um crusch, que
considerava sushis o àpice da culinária - fresquinho sem frituras, sem
agrotóxicos - como se isso fosse possivel.

Mesmo com todo respeito aos adeptos dessa iguaria, não me esqueço da
resistência que sinto, e mesmo o quibe crú já bem mais social, considero
idem ibidem desprezível.

Esse mesmo namorado do passado apreciava demasiado os crús, e tenho
quase certeza que esse foi o motivo de nosso distanciamento, ao vê-lo
numa ocasião, com a boca ensanguentada com um ramo de hortelã que
ornamentava o canto do lábio superior, para logo desaparecer num
redemoinho feroz para o infinito da cadeia alimentar.

Adeus, disse me, em silêncio.

E nos perdemos para todo o sempre.

Loucura.

Existem coisas que não evoluem.

É o meu caso.

Acabei por me casar com um homem quase vegano. Digo quase, pois o
próprio costuma pecar de tempos em tempos com uma Bratwurst mit Senf,
típicamente germana.

Mas alemão que não aprecia Bratwurst não é alemão!

Enfim, costumes a parte, a vida segue na Germânia e no Catherrines - que
fica no coração de Colônia, cidade que abriga hoje quase 15 mil brasileiros -
que é um lugar para se ir sempre e retornar sempre, para um ultimo drink,
um final de noite, um inicio de noite!

Viver.

Onde mulheres são respeitadas. Homens são homens em todas suas
variações concedidas pela natureza.

Prosst!

Há um lugar para todas as criaturas no mundo.

O mundo é nosso apesar dos Obssessores que acreditam poder tomá-lo
para si, com discursos que excluem o próximo de suas rodas sociais, em
nome de Deus.

O próximo sendo tolerado pela misericórdia dos que se auto intitulam bons
e senhores da sociedade.

O que faria uma Catherrine numa sociedade opressora, em sua inabilidade
em ser, o que o outro exige que ela seja?

E os colares? O que seria de Catherrine sem os colares?

O mal voltou.

Está na sala de estar, apontando o dedo para os que são diferentes, para os
que pensam a sociedade inclusiva, para os que estão fora do sistema.

Mas esse sistema também é uma falácia.

É apenas política, bobinho.

Mas na vida - Senhor da verdade - se não vivê-la com sinceridade; ela te
fará um perdedor!

#cavalheire-se!

Já os bolinhos do Catherrines são discretíssimos e parecem muito
saborosos, prova quem quer.

Somos livres, o que muito me alegra!

Ana Cavalheiro - Arquiteta. Crônista. Mulher.  anacavalheiro23@gmail.com

Grevenstein — Junho de 2024

Dicionário:
Bratwurst mit Senf: salsicha alemã com mostarda
Catherrines im Apropos: Restaurante e Café. mittelStrasse 12 - 14 Köln -
innenstadt
Köln: Cidade chamada Colônia a margem do rio Reno - onde vivi por 3 anos
e retorno sempre e sempre para rever meus amigos e fazer novos!

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