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Manoel Afonso

Política: a velha arte da rasteira

05 julho 2024 - 07h15

“COINCIDÊNCIA”: O recuo de Puccinelli (MDB) para apoiar Beto Pereira (PSDB), e o apoio de Bolsonaro ao candidato tucano, leva-nos a resgatar a carta de Quinto Túlio (64 a.C) ao seu irmão Cícero, então postulante ao Consulado de Roma: “Três são as coisas que levam os homens a se sentir cativados e dispostos a dar o apoio eleitoral: um favor, uma esperança ou a simpatia espontânea”.  

PRIORIDADES: Cada político tem as suas. No caso do ex-governador Puccinelli é pertinente a tese de que suas noites de insônia seriam provocadas muito menos quanto ao seu futuro político e muito mais em relação as suas intrincadas pendengas judiciais que responde há vários anos. Cá entre nós, não há coração ou estômago que aguente.   

EXEMPLOS? São desnecessários. Nem sempre o prestígio pessoal é o passaporte para a vitória eleitoral. Às vezes, candidatos preparados acabam derrotados por tropeços na campanha e alianças equivocadas. Líderes autênticos, não se preocupam em agradar, seus discursos refletem o que pensam, independente da opinião do eleitor. 

INCRÍVEL! Vencem eleições os habilidosos, aqueles que conversam atrás das cortinas.  Que ouvem mais, que cedem espaços e encaram as eleições como um jogo normal, onde se perde e se ganha. Parafraseando o mineiro Tancredo Neves: “Não se tira o sapato antes de chegar ao rio” – “Ninguém chega ao ‘Rubicão’ para pescar”. 

OPINIÃO MINEIRA: Na campanha os candidatos competentes devem esquecer seu currículo e as propostas racionais. A primeira derrotada é a verdade, pois os votos são passionais. Vota-se pela simpatia ou antipatia. O que falta nesta hora é a racionalidade, onde o portador das qualificações pode acabar derrotado. Política: a velha arte da rasteira. 

FENÔMENOS: Ao longo das campanhas pode surgir o enigmático (‘inexplicável? ’) ‘apoio anônimo gratuito’ representado pelo ‘eleitorado sem rosto’, em favor de algum candidato. Os observadores enxergam o fato como uma reação silenciosa e discordante de lideranças do chamado ‘sistema dominante’. 

NOVIDADE: Um dos compromissos da recente união PSDB e PL é a indicação do nome da candidata a vice de Beto Pereira. Já foi anunciado Neyde Nunes Barbosa Centurião – coronel da Polícia Militar – e que nas últimas eleições obteve 10.972 votos para deputada federal pelo PSDB. Natural de Coxim, casada e mãe de dois filhos.  

ENIGMA: ‘Resistir é preciso’. A velha frase se encaixa na postura dos lideres do PL contrários ao acordo com o PSDB.  Com o tenente Portela substituindo o deputado Marcos Pollon na presidência do PL, fica inviabilizada outra candidatura do partido. A saída, para preservar espaços, seria a candidatura do capitão Contar pelo PRTB sem candidatos a vereança.  

DECEPÇÃO:  Os deputados Pollon e João Cattan, ‘bolsonaristas de primeira hora’ tiveram que engolir seco essa costura política com o PSDB de seus adversários. Eles irão conviver com os tucanos no projeto de parceria que deverá alcançar até o pleito de 2026? Que caminho poderão tomar após essa situação inesperada? Coisas da política. 

TIROS DE FESTIM:  Pollon imaginou que seus mais de 100 mil votos seriam uma espécie de garantia de liderança e mando no PL. Mas nem foi consultado por Bolsonaro.  Aquele seu discurso – no recinto do clube de tiro – e postado nas redes sociais perdeu a validade. Como ele diz, sua mulher não aceita que ele marche com o PSDB. E agora? 

REAÇÃO: Para o deputado lídio Lopes – marido da prefeita Adriane – não haverá  perdas e mudanças na campanha. Ele entende que a participação da senadora Tereza Cristina (PP) será suficientemente capaz de garantir apoios. Lembrou ainda o desempenho da prefeita como arma importante.  

NA ENCRUZILHADA?  No saguão da Assembleia Legislativa mais dúvidas do que certezas quanto a postura da senadora Tereza Cristina. Continuará apoiando a prefeita Adriane ou não resistirá aos apelos de seu presidente Bolsonaro, a quem deve o cargo de  ministra. A dúvida: a credibilidade da senadora garantiria a transferência de votos? 

QUESTÕES: Quais dos pré-candidatos seriam os mais beneficiados com os votos que em tese, seriam destinados a Puccinelli? Com quais dos pré-candidatos o eleitorado emedebista teria maior identidade ou compromisso? Adriane, Camila, Beto ou Rose? O eleitor emedebista seguiria o apelo de Puccinelli ou dispersaria por conta própria? 

RAPIDEZ: Não tem faltado ao candidato Beto Pereira. Ágil, saiu na frente dos demais, mantendo contatos, propondo alianças e alargando relações. Esse enlaçamento com o PL mostra sua capacidade de articulação envolvendo deputados, senadores e vereadores. Sinal que encara a eleição como batalha decisiva. Disposto a atravessar o ‘Rubicão’. 

ROSE MODESTO: A pré-candidata do União Brasil assiste de camarote os últimos acontecimentos e se diz tranquila. Experiente, diz que mantém o estilo das eleições onde ganhou e perdeu. Aliás, para alguns observadores, a união PSDB-PL poderia sinalizar uma certa preocupação antecipada quanto ao potencial eleitoral de Rose.   

A VOLTA: Quem reapareceu nos últimos capítulos da política guaicurus foi a senadora Soraya Thronicke. Estigmatizada pelos seus ex-eleitores por fatos conhecidos, não vacilou e embarcou na canoa tucana. Sem chances de reeleição, sonha com a força do governo estadual para tentar uma cadeira na Câmara Federal ou Assembleia Legislativa. 

CAMILA JARA:  A pré-candidata do PT – vitaminada com a companhia do deputado Zeca do PT – ainda é uma incógnita. Dizem seus companheiros que ele teria muita força nas redes sociais chegando a mais de 150 mil seguidores.  Verdade ou não há dúvidas  quanto a sua força nas urnas. Em tempos de internet tudo é possível. Inclusive nada.  

‘O PODER-1’: Do discurso de posse do governador Tarcísio de Freitas: “Uma hora o “glamour” de ser governador vai acabar”. “E a gente vai voltar a vida que nós tínhamos, e nós vamos ser felizes”... (-)... ”Não me importa, não me interessa. Eu não me importo, em nenhum momento, em voltar para onde a gente veio (-)... Eu, você, Cris, nossos filhos e nossos cachorros. Onde quer que seja, seremos muito felizes...”

‘O PODER-2’: A literatura universal mostra como o poder transforma os homens, tirando-lhes as máscaras e mostrando a personalidade. Eles ‘ignoram’ que o poder é passageiro. A síntese da corajosa fala do governador Tarcísio naquele evento mostra a consciência de seu protagonismo temporal até a retirada - quando ela acontecer. 

NO DESERTO:  A pobreza do debate entre ‘Joe Biden e Trump’ mostrou a escassez de lideranças nos Estados Unidos. Aliás, também na Europa – com a retirada de Ângela Merkel (16 anos como chanceler da Alemanha e de Margarete Thatcher como Primeira Ministra da Inglaterra por 11 anos) não há ninguém que mereça destaque.

CONCEITOS DE NIETZSCHE
1. Aquilo que não me mata me faz mais forte.
2. Homens convictos são prisioneiros.
3. Nada lhe pertence mais que seus sonhos.
5. Aquele que sabe mandar encontra sempre quem queira obedecer.
6. Onde encontro uma criatura viva, encontro também desejo de poder.
7. Toda ambição requer renúncia.
8. As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.
9. Um homem de personalidade forte é insuportável se, além disso, não possuir pelo menos duas outras qualidades: gratidão e asseio.
10.  Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
11.  Não é a força mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade.
12. Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos.

 

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