Os problemas - ou a falta de - gestão no esporte brasileiro fizeram com que empresários saíssem do mero papel de patrocinadores. Também exigem metas, compromissos e resultados, valores da iniciativa privada, como contrapartida para os investimentos em projetos esportivos.
Com este perfil, que mescla aporte financeiro e cobranças gerenciais, foram lançados nesta semana dois projetos voltados ao esporte olímpico, da base ao alto rendimento, até a Olimpíada de 2020. O Movimento LiveWright e o Lide Esporte são iniciativas que reúnem a nata do empresariado brasileiro e passam ao largo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), entidade no topo da hierarquia esportiva do País.
O LiveWright, criado em homenagem ao empresário Roger Wright, morto há dois anos, escolheu 10 modalidades. Em 2011, trabalhará quatro (canoagem, ciclismo, ginástica e lutas, junto a federações ou confederações), com previsão de captar e investir R$ 10 milhões. O foco é o alto rendimento, mas admite fazer, temporariamente, a detecção.
"Isso ocorrerá nos esportes em que há uma distância muito grande entre base e elite", admite Celso Schvartzer, CEO do LiveWright. "Serão ações temporárias para que se possa alimentar o alto rendimento."
Já o Lide Esporte é um braço recém-criado do Grupo de Líderes Empresariais, que reúne 46% do PIB privado do País e espera ser mediador entre corporações e projetos esportivos.
O início dos trabalhos foi dado ontem, com o 1.º Fórum Nacional do Esporte, na capital paulista. Seis projetos de três entidades - Atletas pela Cidadania, Instituto Tênis e Instituto Joaquim Cruz -, serão os primeiros a receberem apoio. São exemplos da "capacidade gerencial" essencial para os parceiros que virão.
Ao contrário do LiveWright, o Lide Esporte privilegiará a base. "Não é um modelo que visa formar medalhistas para 2016", diz Paulo Nigro, presidente da Tetra Pak, que lidera o grupo. "Não acredito que se forje (um medalhista) em período tão curto. Não temos base, formação técnica. Nosso modelo de gestão é trabalhar até a alta performance."
Ambos os projetos convergem na exigência da boa utilização dos recursos, com ética e transparência. E o acompanhamento, claro, será direto.
O LiveWright, por exemplo, deixa claro um de seus pilares: levar ao esporte brasileiro os valores do mundo das empresas privadas, entre eles, o desempenho e meritocracia. "Onde tiver um projeto apoiado por nós, estaremos lá", garante Schvartzer. "Não teremos problemas em reposicionar o investimento."
Com uma participação mais ativa junto a confederações e federações, o CEO do movimento explica por que os esforços não foram destinados ao COB. "Nós apresentamos o projeto a eles mas preferimos definir nossas ações", explica. "O COB gosta de receber o recurso e gerenciar à sua maneira. Nós temos o foco da iniciativa privada - é uma visão bastante diferente."
O Lide também espera trabalhar em conjunto com a pirâmide esportiva. "Precisamos do apoio de confederações e dos clubes. Nossa missão é agregar", diz Paulo Nigro, preocupado com um aspecto peculiar da vida esportiva nacional: "Parece que tudo o que acontece no esporte desagrega, vira política. No dia em que sentirmos que isso começar a gerar conflitos, paramos."
Mas, coincidência ou não, representantes do COB não estiveram no lançamento de nenhum dos dois projetos.
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