O São Paulo Futebol Clube vota nesta sexta-feira, dia 16 de janeiro, o pedido de impeachment do presidente Júlio Casares. A discussão ocorre em meio a investigações da Polícia Civil que apuram suspeitas de desvios de dinheiro no clube.
As apurações começaram a partir de uma denúncia anônima e resultaram na abertura de um inquérito policial para investigar saques milionários em dinheiro vivo, a atuação de dirigentes e possíveis crimes como associação criminosa, apropriação indébita e furto qualificado. O clube, segundo a própria polícia, é tratado como possível vítima.
Saques em espécie somaram R$ 11 milhões
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtidos durante a investigação, apontam que o São Paulo realizou 35 saques em dinheiro vivo entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões. Inicialmente, os dois primeiros saques — no valor total de R$ 600 mil — foram feitos por um ex-funcionário do clube. Depois disso, as retiradas passaram a ser realizadas por meio de uma empresa de transporte de valores.
Segundo a polícia, o dinheiro era sacado no banco e levado à tesouraria do clube. O ano de maior movimentação foi 2024. Em 2025, foram registrados 11 saques que totalizam R$ 5,2 milhões, além de outros cinco saques que somam R$ 1,7 milhão. Para os investigadores, o uso de carros-fortes dificulta o rastreamento da destinação final dos recursos.
“O ponto central da investigação é entender o motivo desses saques em espécie e para quem esse dinheiro foi entregue”, afirmou Tiago Correia, o delegado responsável pelo caso.
Clube diz que valores são contabilizados
A defesa do São Paulo afirma que o clube não é alvo da investigação e que todos os valores sacados estão registrados na contabilidade. Segundo o advogado, o pagamento de despesas em dinheiro vivo é comum, como no caso da arbitragem e do pagamento de “bicho”, a premiação por desempenho aos jogadores.
"Os R$ 11 milhões pertenciam ao São Paulo e foram sacados pelo próprio clube para honrar despesas. Cem por cento dos valores estão contabilizados e constam no balanço”, disse.
Dirigente investigado e apuração ampliada
Um dos nomes citados no inquérito é o de Nelson Marques Ferreira, que foi diretor-adjunto do São Paulo entre 2021 e novembro de 2024. A investigação se aprofundou após a polícia identificar a abertura de cerca de 15 franquias comerciais ligadas a ele em um curto período. A partir disso, o Coaf foi acionado para analisar movimentações financeiras do clube.
Nelson Marques Ferreira não respondeu aos pedidos de entrevista.
Conta de Júlio Casares também foi analisada
A investigação também analisou uma conta conjunta mantida por Júlio Casares e sua ex-esposa, Mara Casares. De acordo com relatório do Coaf, foram feitos depósitos nessa conta que somam R$ 1 milhão, feitos em dinheiro vivo foi feito entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
A polícia afirma que não encontrou vínculo direto ou indireto entre os saques feitos pelo São Paulo e os depósitos na conta do presidente. A defesa de Casares diz que os valores têm origem lícita e que ele acumulou recursos ao longo da carreira na iniciativa privada.
O relatório aponta ainda que os depósitos foram feitos de forma fracionada, com operações abaixo de R$ 50 mil — limite que aciona comunicações automáticas ao Coaf. Em alguns dias, houve até 12 depósitos.
“O dinheiro é do Júlio para o Júlio, tem origem e lastro. Isso será demonstrado no inquérito”, afirmou o advogado do presidente, que disse ainda que Casares determinou apuração interna por meio do setor de compliance do clube.
Esquema de camarotes e citações a ex-diretores
Outro ponto investigado envolve um esquema de comercialização clandestina de camarotes do estádio do São Paulo durante grandes shows. O caso levou ao afastamento de Mara Casares do cargo de diretora de eventos, em outubro do ano passado. Esta também foi o que levou o presidente do clube ao processo de impeachment.
Um áudio atribuído ao ex-diretor Douglas Schwartzman, no qual ele cita Mara Casares, foi incluído na apuração. As defesas de ambos afirmam que o material foi divulgado fora de contexto e falam em julgamento antecipado.
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