Já pensou em conhecer a tradicional Times Square, em Nova York, percorrer as margens o Rio da Prata, em Buenos Aires, ou conhecer o emblemático Palácio de Buckingham, em Londres, enquanto participa de uma corrida de rua? Essa experiência, conhecida nos grupos de corrida como "maraturismo" já arrebatou milhares de atletas amadores brasileiros que, todos os anos, viajam para fora do país com o intuito de participar de alguma prova internacional.
De acordo com Luis Claudio Fernandes, diretor de Operações na agência especializada LC Tour, o perfil de quem procura este estilo de viagem é variado. "Vai desde aquela pessoa que já correu muitas provas no Brasil e separou o dinheiro das férias para sair do país pela primeira vez, passando por aqueles que viajam de três a quatro vezes por ano apenas para correr e depois ainda planejam um outro momento para sair com a família de férias, entre outros casos", diz.
No entanto, correr não costuma ser o único objetivo deste pessoal. Luis Cláudio conta que a grande maioria dos corredores que procuram a agência também têm interesse no turismo dito "normal". "Incluímos em todos os nossos pacotes um tour pela cidade, e a adesão é sempre muito grande", explica ele.
Quem foi
O engenheiro eletricista Marcelo Kobayashi estreou em provas internacionais na meia maratona da Disney, em Orlando (EUA), no ano de 2010. Depois, completou a meia maratona de Nova York (EUA) em 2011, a meia de Buenos Aires (Argentina) em 2013, e, finalmente, a maratona de Berlim (Alemanha), no ano de 2014.
Como corredor experiente, tanto em provas nacionais quanto internacionais, ele destaca que a organização surpreende nos outros países: "Tanto nos Estados Unidos quanto na Alemanha, por exemplo, eles sempre verificavam qual baia de largada o corredor precisava se posicionar e percebi que todos os participantes, sem exceção, respeitavam a regra", conta.
Marcelo ainda destaca outra diferença que percebeu em relação ao Brasil: a entrega dos kits pré-prova. "Na Disney, Nova York e em Berlim, eles realizam uma feira enorme, com venda e distribuição de produtos para os corredores. Por aqui, isso acontece apenas em alguns casos, como a Golden Four Asics e a Maratona do Rio", diz.
Segundo ele, a maior vantagem em fazer provas no exterior é aliar a prática da corrida com o turismo. "Correr pela Main Street do Magic Kingdom, na Disney, na Times Square, em Nova York, passar pela Casa Rosada, em Buenos Aires e atravessar o Portão de Brandemburgo, em Berlim, foram realizações que ficarão para sempre na memória", lembra o engenheiro elétrico.
Vera encontrou o marido no Km 33 da Maratona de Chicago e depois curtiu a medalha ao lado dele e da amiga, Lena (Foto: Divulgação)A advogada Vera Monteiro concorda com Marcelo. Ela acabou de completar sua primeira maratona em Chicago (EUA), mas já correu as provas de Nova York, Lisboa, Berlim, Santiago e Buenos Aires. "Esses momentos são maravilhosos. Inclusive, a organização possuía um blog, em que ia dando detalhes dos pontos turísticos em que a prova passava dias antes, o que foi muito interessante no momento da corrida", conta.
No entanto, se a ideia for emendar a corrida com uma viagem de turismo em si, Vera recomenda que o corredor tenha cautela no dia anterior: "O ideal é deixar isso para depois de correr, até para não ter o risco de se cansar no passeio e prejudicar o desempenho durante a prova".
No caso de Chicago, por exemplo, a advogada viajou acompanhada do marido, Teo, e de alguns amigos. Todos ficaram apenas na torcida, mas, no dia seguinte, foram comemorar na própria cidade, aproveitando para conhecê-la. Já Marcelo e a mulher, Luciane, correram a Maratona de Berlim e foram a Munique, no dia seguinte, para conferir a Oktoberfest daquele ano.
Quer chegar lá? Muita calma nessa hora
Rogério Silva, supervisor técnico na Ação Total Assessoria Esportiva, explica que não basta se inscrever, calçar o tênis e sair correndo. É preciso se preparar muito antes. "Quem se interessa por fazer uma maratona, por exemplo, precisa de, no mínimo, dois anos de treinamento para sair do sedentarismo e conseguir completar o percurso com sucesso e sem lesões", ressalta.
Segundo o profissional, a preparação envolve muitos exercícios de corrida e velocidade, mas também inclui musculação, fundamental para ganhar força física e evitar contusões durante a prova. Também vale a pena passar pelos outros "estágios" antes de partir para os longínquos 42km. "Quando planejadas, e encaixadas na planilha de treinamento, as corridas de 5km, 10km, 15km e 21km simulam um ambiente de prova e contribuem para o ganho físico e mental do atleta, além de ajudarem a sair um pouco da rotina de treinamento", destaca.
Está preparadíssimo para correr? Agora dá para entrar no site e fazer a sua inscrição, mas tenha um pouco de paciência. Como a procura para participar de uma prova internacional de renome costuma ser grande, muitas delas têm sorteios de vagas entre os inscritos. Em outras, é preciso apresentar seu tempo oficial de corrida para conseguir se inscrever. Em ambos os casos, a pessoa preenche a ficha e, caso seja um dos sorteados, tem a taxa de inscrição da corrida debitada do cartão de crédito.
Diretora da Kamel Turismo, Bet Olival cita que uma das vantagens do corredor viajar assessorado por uma agência especializada é que a empresa geralmente possui uma cota extra de vagas nas principais provas. "Com isso, mesmo aqueles corredores que não alcançaram tempo índice para fazer a inscrição diretamente podem correr, pois oferecemos essa opção", explica.
Sozinho ou por agência?
Dos dois atletas amadores consultados pelo UOL Viagem, Marcelo já experimentou as duas possibilidades: viajou para correr com a ajuda de agências especializadas e também por conta própria. Para ele, é necessário estudar cada situação. "Na Disney, por exemplo, foi ótimo ir com agência, pois utilizamos todo o traslado oficial e ficamos hospedados em um hotel lá dentro, facilitando o deslocamento para a prova e evitando o trânsito local", explica ele. No entanto, quando correu em Nova York, ele contratou a assistência de uma agência e não ficou satisfeito.
No caso da Meia Maratona de Buenos Aires, a experiência foi por conta própria, para aproveitar as milhas aéreas acumuladas. Na época, ele e a mulher sofreram com o "péssimo acesso a largada", com a falta de transporte público e com os poucos táxis circulando naquele domingo. "Só conseguimos um para voltar ao hotel depois de andar muito", lembra.
Já Vera, que sempre viaja por conta própria, disse não ter tido qualquer problema quando correu na capital argentina. "Prefiro eu mesma fechar o roteiro e ver o hotel no qual quero ficar, sem essa obrigação de seguir a agência, além de sair mais barato", diz. A advogada também não teve dificuldades nas seis inscrições que fez para correr no exterior, e foi sorteada em todas as tentativas.
Para quem prefere viajar com o apoio de uma agência especializada, a principal vantagem é a de se preocupar apenas com a corrida, pois eles cuidam de toda a parte burocrática, priorizam a hospedagem em hotéis que fornecem café da manhã mais cedo, facilitam a retirada dos kits e ainda fazem tours pela cidade, informando por onde o trajeto passará, além de prestar auxílio para os acompanhantes que vão apenas para torcer. Isso porque as agências costumam contar com uma tenda no local de largada/chegada, que serve como guarda volumes dos atletas e também como ponto de encontro com os familiares, fornecendo hidratação e comida para antes e depois da prova.
Se animou?
Seja por conta própria ou por agência, confira as dicas dadas pelos entrevistados para ter sucesso tanto na prova quanto na viagem:
• Cadê o combustível? Questione se o hotel oferece café da manhã adiantado. Como as provas geralmente começam cedo, é importante ter alimentação disponível às 5h;
• Não se perca: o acesso ao local da largada pode ser um tanto quanto confuso. Por isso, vale estudar muito bem o mapa antes de escolher o seu hotel;
• Sem empolgação: tome cuidado com comidas típicas e tente manter a alimentação o mais equilibrada e semelhante possível ao que está acostumado, pelo menos até o dia da prova;
• Bateu o soninho: pense sempre no fuso horário e planeje a data de chegada de acordo com isto, principalmente em viagens que precisam de um tempo maior para adaptação ao fuso;
• Se poupe: Não exagere nas caminhadas antes das provas. Apesar de ser normal andarmos muito em viagens de lazer, o corredor viajante tem que estar atento a isso para não ter sua performance prejudicada;
• Dê uma segurada: nunca pegue o voo de retorno no mesmo dia da corrida, pois isso não é aconselhado pelos médicos. Pode acontecer um problema chamado trombose venosa profunda, condição em que se forma um coágulo (trombo) em uma ou mais veias profundas do corpo, causando dores semelhantes a cãibras. Se um destes trombos chegar ao pulmão, por meio da circulação sanguínea, pode virar uma embolia pulmonar.
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Marcelo após a Meia Maratona de Nova York (esq.) e durante a Maratona de Berlim (Foto: Divulgação)