O aumento de preço do diesel que se acumula há pelo menos um mês, não impede a colheita da soja, mas, “reduz sua eficiência econômica ao elevar o custo por hectare e encarecer o transporte da produção”, segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).
“Diante desse cenário, alguns produtores podem ajustar a logística, postergando a comercialização ou buscando melhores condições de frete. Ou seja, o impacto recai mais sobre a rentabilidade e a organização logística do que sobre a execução da colheita”, avaliou a entidade para o Dourados News.
Dados do Boletim Casa Rural – Agricultura mais recente divulgado há uma semana, já apontava para 82% de área colhida no Estado, o equivalente a 3,93 milhões de hectares.
A Federação reitera que apesar do custo do diesel já pressionar as despesas de produção, o efeito total sobre a margem só deve ser mensurado ao final da colheita, devido à necessidade de considerar o acesso ao combustível ao longo da operação.
“Ainda assim, é esperado um encolhimento da margem líquida, especialmente para produtores com menor valor por saca, que são mais sensíveis aos custos logísticos. O impacto é mais intenso na colheita, pelo alto consumo de diesel, e no frete, onde o combustível tem peso significativo”, detalha a federação.
No caso do plantio do milho, quando há alguma reação no preço, “ela nem sempre acompanha a alta do diesel, o que faz com que esse aumento seja absorvido diretamente pelos custos, reduzindo a rentabilidade do produtor”, avalia a entidade.
A Federação ainda destacou que “medidas que contribuam para reduzir a volatilidade e garantir previsibilidade aos produtores são fundamentais para a sustentabilidade das atividades agropecuárias e para a competitividade do agronegócio brasileiro”, finalizou.
NOVAS MEDIDAS
A previsão é de que o Governo Federal publique ainda nesta terça-feira, dia 31, uma medida provisória com ações econômicas previstas para lidar com o problema.
A União ainda aguarda uma posição dos Estados sobre a redução de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que poderia provocar impacto no valor praticado nas bombas.
O objetivo é conseguir uma diminuição conjunta nos preços que chegue a cortar R$ 1,20 por litro.
As negociações se intensificaram desde a semana passada, quando representantes do Ministério da Fazenda se reuniram com o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), presidio pelo gestor da pasta em Mato Grosso do Sul, Flávio César de Oliveira.
Na ocasião, foram feitos esclarecimentos para que os secretários tomassem as decisões junto aos governadores.
Até a publicação desta reportagem, alguns Estados já tinham sinalizado adesão à proposta, incluindo Mato Grosso do Sul, no entanto, não há um quantitativo oficial divulgado.
IMPACTOS NO PREÇO
Ao Dourados News na semana passada, o Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul), alegou que a Guerra no Irã, a falta de refinarias no Brasil e a logística de abastecimento dos postos são apontados pelo como alguns dos fatores que levaram ao aumento significativo no preço dos produtos do setor. Em Dourados tanto o Diesel Comum quanto o S10 chegaram a ter uma alta de 16,8% em um mês.
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Colheita da soja chega à reta final em Mato Grosso do Sul - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News