14/07/2012 09h30

Método de concepção não influencia na atenção familiar

 

Terra
 
Os filhos concebidos por meio de um tratamento de reprodução assistida são vindos de um processo de muita luta e empenho por parte da família. Os pais, normalmente, não farão "diferença" com esta criança por conta do método de concepção
Foto: Dreamstime/Terra

Os filhos concebidos por meio de um tratamento de reprodução assistida são frutos de um processo de muita luta e empenho por parte da família. Mas os pais normalmente não diferenciam essa criança por conta do método de concepção, mesmo que antes já tenham tido outros filhos que nasceram sem a necessidade de fertilização, explica Luciana Leis, psicóloga do Projeto Beta - Medicina Reprodutiva.

Durante a gestação, e nos primeiros meses de vida, os pais podem dedicar uma atenção especial em razão do momento. Mas essa atitude, em geral, é passageira, diz Luciana. "Há estudos que mostram que pode ocorrer certa insegurança na gravidez e no primeiro ano da criança concebida por técnica de reprodução assistida, mais em virtude das marcas deixadas pela infertilidade e pelo sentimento de incapacidade", afirma. "Porém, esses sentimentos tendem a desaparecer no primeiro ano de relação com a criança. Os cuidados e ansiedades passam a ser os comuns das demais mães."

Quando surge a exceção à regra

Como toda regra tem sua exceção, não são todos os casais que conseguem tratar a criança concebida por fertilização da mesma forma que os outros filhos. Em alguns casos, a superproteção pode se estender ao longo da vida.

Para a psicóloga, o primeiro a sentir esse tratamento diferenciado é o próprio filho. "Com excesso de cuidados, por exemplo, ele pode se sentir frágil e diferente dos demais", diz. As outras crianças também sofrerão com a situação. "Elas podem se sentir enciumadas, acreditando que não são tão especiais quanto o outro filho, que envolveu uma luta de seus pais", esclarece.

Não existe uma fórmula para evitar esse tipo de situação, mas é importante saber identificá-la e buscar ajuda. "Primeiramente, é preciso entender por que os pais tratam o filho gerado a partir da técnica de reprodução assistida de maneira diferente", indica Luciana. "A partir da identificação desse aspecto, é possível fazer um tratamento psicológico para que essa criança seja tratada como qualquer outro filho."


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