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Metade das mães alimentam seus bebês apenas com leite materno

20 maio 2011 - 09h27

Mesmo com todas as campanhas em prol da amamentação já realizadas no país alertando para o leite materno como o alimento ideal para a criança, o último levantamento do Ministério da Saúde, de 2008, mostra que apenas 41% das mães fornecem exclusivamente o alimento até os seis meses de idade. Este cenário e as consequências da introdução precoce de alimentos complementares serão debatidos hoje, no 68º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, no ExpoUnimed, em Curitiba (PR).

A amamentação exclusiva até os seis meses de vida e combinada, até os dois anos de idade, com outros itens, reduz a incidência de sobrepeso na vida adulta, tanto pela correta formação dos hábitos alimentares, quanto pelo estímulo à produção de hormônios.

“Para dimensionar o impacto da introdução de complementos antes da 17ª semana de vida, o que não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Organização Mundial da Saúde, temos estudos que revelam que cada mês de retardo na introdução de novos alimentos para bebês entre 2 e 6 meses diminui de 6% a 10% o risco de excesso de peso na vida adulta”, ressalta a Dra. Virginia Resende S. Weffort, professora de Pediatria da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e Presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Sob o ponto de vista do desenvolvimento infantil, esta prática previne a obesidade em outras etapas da vida, na medida em que o aleitamento materno estimula, por exemplo, a produção dos hormônios grelina e leptina. Ambos regulam o efeito de saciedade, criando um padrão para esta sensação. Nas raras situações em que a amamentação é contra-indicada, a criança deve receber a fórmula infantil adequada, prescrita pelo médico.

Com relação à formação dos hábitos alimentares, a partir dos seis meses, a oferta calórica do leite materno torna-se insuficiente para suprir o metabolismo da criança. O consumo ideal de energia deve ser obtido por meio de uma alimentação complementar adequada, associada à ingestão habitual de leite materno. Os novos alimentos introduzidos na dieta devem ser ricos em energia, proteínas, gorduras e micronutrientes (particularmente ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e folatos), de fácil consumo e de boa aceitação.

As frutas raspadas ou amassadas, junto com a papa de carne com hortaliças e cereais ou tubérculos (arroz, mandioca, batata, macarrão, etc) são os primeiros alimentos a serem introduzidos na dieta do bebê. Os sucos devem ser dados na quantidade máxima de 100ml por dia. As papas devem ser oferecidas quando a família estiver reunida, na hora do almoço ou do jantar. Deve-se variar os ingredientes, porém é importante manter o equilíbrio, incluindo uma porção de proteína, duas ou três de cereal ou tubérculo, uma de leguminosa (feijão, soja, ervilha, etc), uma de verduras (folhas e verduras) e uma de óleo. A partir dos 9 meses deve-se aumentar progressivamente a consistência dos alimentos até que com 12 meses, receba a refeição semelhante à da família, tendo- se o cuidado de evitar temperos e condimentos.

Imunização

A pediatra alerta ainda para resultados de dois ensaios clínicos e 18 outros estudos recentes, que sugerem que a amamentação exclusiva por seis meses tem várias vantagens em relação à amamentação exclusiva por três a quatro meses seguidos de aleitamento misto, ou seja, com leite materno e leites tradicionais. Estas vantagens beneficiam tanto a mãe, que perde peso de maneira mais ágil, em razão do restabelecimento hormonal, quanto o recém nascido.

As crianças que são amamentadas adoecem com menor frequência, necessitando de menos atendimentos médicos, hospitalizações e medicamentos.

De acordo com a Dra. Virginia Resende S. Weffort, as propriedades do leite materno garantem a primeira imunização do bebê contra doenças infecciosas, pois confere à criança elementos essenciais para o desenvolvimento de sua imunidade, além de propiciar o crescimento e nutrição adequados. “O leite materno é a melhor imunização que a mãe pode oferecer aos seus filhos. É praticamente uma vacina justamente no momento em que a criança está desenvolvendo seu sistema imunológico. Amamentando, são bem menores os riscos de doenças como a diarreia, infeccções respiratórias”, completa.

O bebê diminui consideravelmente o risco de infecção gastrointestinal, já que o leite materno é rico em prebióticos, componentes alimentares com propriedades imunológicas. Ele também estimula o crescimento da microflora não patogênica – que protege o intestino de bactérias.

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