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CORUMBÁ

Médico suspeito de cobrar R$1 mil por cirurgia do SUS continua atendendo

13 julho 2019 - 19h00Por G 1

O médico de Corumbá, suspeito de cobrar R$ 1 mil para fazer cirurgia de retirada de um pólipo do útero custeada pelo SUS (Sistema Único de Sáude), alegando que não iria "botar a mão no útero por R$ 24" continua atendendo no hospital da cidade. De acordo com o diretor técnico do hospital, Manoel João da Costa, até o momento a direção não tem motivos para afastar o médico, que é contratado:

"Por enquanto nós temos uma denúncia e aí eu [não posso] fazer juízo dele e julgá-lo nesse momento sem nada palpável e sem o conselho de ética estar atuando, não temos como tomar nenhuma providência em relação a esse afastamento ou não", declara.

De acordo com Manoel, o principal a ser preservado no caso será o direito da paciente:

"A gente precisa apurar os fatos, então, se existir um mecanismo legal, o jurídico aciona a direção clínica e a direção clínica encaminhará provavelmente esse caso para o Conselho de Ética que provavelmente deve encaminhar para o Conselho Regional de Medicina, dando amplo direito de defesa ao médico e preservando, logicamente, o principal que é o direito do paciente".

O caso aconteceu no mês de abril, quando a mulher de 26 anos procurou a maternidade da Santa Casa de Corumbá com uma hemorragia. Foi constatado que ela precisaria retirar um pólipo do útero e o médico que deveria fazer a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), disse que faria mediante o pagamento de R$ 1 mil.

O casal gravou uma conversa em que uma voz, supostamente do médico, diz que estava cobrando aquele valor porque receberia R$24 :

"Eu não faço pelo SUS, tá? Por motivo simples. O SUS paga R$ 24 pra fazer isso. Eu não vou botar a mão no útero de mulher desse tamanho com cinco cesáreas anteriores por R$ 24". O interlocutor altera a voz quando fala sobre a característica física da paciente.

Ela não pagou o valor pedido pelo médico e foi embora do hospital.

Alguns dias após o ocorrido, como a hemorragia não passou, ela procurou o hospital da Marinha em Corumbá onde soube que corre o risco de perder o útero:

"Se eu tivesse feito o procedimento certo, no momento certo, eu não teria que ter que perder meu útero hoje. [...] Sou uma mulher muito nova, uma menina de 26 anos perder um útero assim é uma coisa assim, absurda", declara.

A reportagem tentou falar com o médico novamente na manhã deste sábado, dia 13 de julho, mas ele não atendeu às ligações. Durante o único contato realizado após a denúncia, o médico negou que tenha cometido alguma ilegalidade e disse que não tinha mais nada a declarar.

Entenda o caso

O médico de Corumbá é suspeito de cobrar R$ 1 mil para fazer cirurgia de retirada de um pólipo do útero pelo SUS. A paciente, de 26 anos, e o marido gravaram conversa com ele e registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil. O profissional diz que não houve ilegalidade e que aguarda as citações jurídicas.

De acordo o boletim de ocorrência, a paciente deu entrada na maternidade da Santa Casa de Corumbá no dia 23 de abril, dizendo estar com dores e sangramento no útero. Lá, o médico, depois de dizer que ela estava com "frescura", afirmou que seria preciso uma operação para retirada de um pólipo e que cobraria pelo procedimento.

"Aí, foi quando ele começou com uma história de que o SUS pagava muito pouco para ele. [...] E que, se ele me pagasse esse mesmo valor, eu iria fazer faxina na casa dele. Eu fiquei, assim, perplexa com essa história", conta a jovem, que prefere não se identificar.

Já internada pelo SUS, a paciente disse que ficou sem reação e que, após a chegada do marido, foi com ele até o consultório do médico, no próprio hospital, onde gravaram a conversa.

"...eu posso manter ela com a cirurgia pelo SUS e a gente faz acerto à parte. Em dinheiro, sem recibo e antecipado, tá? [...] Eu posso tentar te ajudar. Isso te custaria mil reais, tá? [...] Só que isso é ilegal, tá? Mas eu tenho duas opções: ou o ilegal ou eu não faço".

Após a conversa com o médico, a jovem tentou registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil, mas, segundo ela, o investigador que a atendeu afirmou que não havia crime na situação relatada. O registro policial só foi feito dia 9 de julho, na Delegacia de Atendimento à Mulher, pelo crime de corrupção passiva.

A TV Morena procurou pelo médico no hospital no horário em que ele deveria estar trabalhando, no entanto, ele não estava. Por telefone e sem saber que estava sendo gravado, afirmou ter conversado com a paciente, mas negou o conteúdo.

"...não conheço esse áudio. Mas eu sei exatamente o que foi dito lá dentro e não houve nenhuma colocação nesse sentido de ilegalidade", disse.

Ministério da Saúde

Sobre o caso, o Ministério da Saúde disse em nota que a gestão do SUS é tripartite, cabendo à União as diretrizes das políticas de saúde e aos estados e municípios a execução dos serviços, bem como a responsabilidade de toda a organização da Rede de Assistência à Saúde. "O Ministério não é responsável pela contratualização de médicos e servidores, e sim, os gestores locais", diz a nota.

Estado e município

A Secretaria Estadual de Saúde disse que tomou conhecimento do caso por meio da TV Morena e ressalta que repudia tal atitude médica.

A Secretaria de Saúde de Corumbá disse que vai acompanhar a investigação que será feita pelo hospital/maternidade.

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