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Trabalhadores da Usina ADECOAGRO obtém reajuste salarial de 7,5%

16 Dezembro 2011 - 14h35

O Ministério Público do Trabalho participou de reunião, no dia 14 de dezembro, realizada entre o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Angélica, 250 trabalhadores rurais da Usina ADECOAGRO VALE DO IVINHEMA LTDA residentes nos Municípios de Novo Horizonte do Sul, Ivinhema e Angélica e representantes da Usina ADECOAGRO, a qual foi solicitada pelo Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Angélica/MS, após ser informado por trabalhadores da Usina ADECOAGRO que a convenção coletiva dos trabalhadores rurais dos Municípios de Angélica, Ivinhema e Novo Horizonte do Sul ainda não havia sido concluída, desde maio, em virtude do Sindicato dos Trabalhadores Rurais desses Municípios não terem aceitado a transação da jornada in itinere, ao contrário dos Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria, que já haviam obtido a conclusão da convenção, abrangendo o reajuste salarial de 7,5% retroativo a maio, a manutenção de benefícios como cesta básica, plano de saúde e seguro de vida, em troca de aceitarem a fixação do tempo da jornada in itinere em 30 minutos diários.

Tal situação criou um clima de animosidade entre os trabalhadores rurais de Novo Horizonte do Sul para com os respectivos sindicatos laborais, pois esses trabalhadores, pelo fato de não aceitarem a transação da jornada in itinere, ficaram sem o reajuste salarial concedido aos trabalhadores da indústria, retroativo ao mês de maio/2011.

O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Angélica/MS, expôs a atual situação em que se encontrava a negociação coletiva aos trabalhadores presentes, ressaltando o resultado da assembléia realizada no dia 22/08/2011, em que 184 trabalhadores decidiram de forma unânime em não concordar com a proposta da Usina referente a transação da jornada in itinere por outros benefícios, além de sua fixação em 30 minutos diários.

O procurador do Trabalho de Dourados, Jeferson Pereira destacou a importância dos trabalhadores em não aceitarem negociar os seus direitos mínimos, enfatizando a questão da jornada in itinere, a fim de que os mesmos não venham a trocar direitos que lhes são assegurados por lei, por benefícios que já se incorporaram ao patrimônio jurídico dos mesmos e que são integrantes do Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho no Setor Sucroenergético, assinado pelas Usinas em 2010, mencionando, ainda, a existência da ACP 0000954-60.2011.5.24.0004 e da ACC 0000926-33.2011.5.24.0056, que buscam o pagamento retroativo da jornada in itinere a contar de maio/2011, bem como para que as Usinas passem a computar o tempo integral gasto no trajeto casa/trabalho/casa.

Durante a reunião o gerente de recursos humanos da ADECOAGRO tentou persuadir os trabalhadores a exigirem do Presidente do Sindicato Rural de Angélica/MS a convocação de uma nova Assembléia, a fim de que os empregados autorizassem o sindicato a aceitar a proposta da ADECOAGRO e, assim, como ocorreu com os trabalhadores da indústria, aceitarem a transação da jornada in itinere, fixando-a em 30 minutos diários, com a manutenção dos benefícios que já vêm sendo concedidos há anos, além do reajuste de 7,5%, mas o procurador do trabalho manifestou sua posição no sentido de que a ADECOAGRO poderia estender aos trabalhadores rurais o mesmo reajuste de 7,5% anteriormente concedido aos trabalhadores da indústria, com efeitos financeiros a contar de maio/2011, mantendo os mesmos benefícios concedidos, tais como plano de saúde, seguro de vida e cesta básica, independentemente da transação da jornada in itinere, deixando essa questão específica para que o Judiciário decida, em vista das ações que já estão em trâmite.

Após expressiva manifestação dos trabalhadores ali presentes no mesmo sentido, o gerente de recursos humanos da usina assumiu o compromisso de conceder o reajuste de 7,5% a título de antecipação salarial, a ser aplicado tanto no salário base, como na remuneração da produção, a contar de maio/2011 e manter os mesmos benefícios que vinham sendo concedidos, dando fim ao impasse acerca do reajuste dos salários e da manutenção dos benefícios aos trabalhadores rurais da Usina ADECOAGRO em Angélica/MS.



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