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Ruralistas entram em confronto com a polícia no RS

03 dezembro 2003 - 14h15

A tropa de choque da Brigada Militar entrou em confronto com ruralistas no km 90 da RS-630, em São Gabriel, por volta das 9h30min desta quarta, dia 3. Dezenas de produtores rurais montavam bloqueio em frente à Estância Campestre para impedir a passagem de cerca de 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que marcham em direção à divisa de São Gabriel com Dom Pedrito, onde uma área foi cedida para os agricultores. O confronto teve início após a tropa de choque desbloquear a rodovia para a passagem do MST. Balas de borracha e bombas de efeito moral foram usadas para dispersar os produtores, que reagiram com paus e pedras. Um ruralista ficou ferido e alguns apresentam hematomas provocados por cacetetes da polícia. Para interromper o conflito, a BM encurralou os produtores na entrada da Estância Campestre. De acordo com o coronel Cláudio Afonso, que comanda as operações policiais no local, a ordem de desbloquear a RS-630 e permitir a passagem dos agricultores partiu do governador Germando Rigotto. Conforme informações da Rádio Gaúcha, o prefeito de São Gabriel, Rossano Doto Gonçalves, e o presidente do sindicato rural do município, José Francisco Costa, foram detidos durante o tumulto. O MST marcha em direção à área de Batovi, na divisa entre São Gabriel e Dom Pedrito, onde um terreno de três hectares foi cedido por um produtor para que os agricultores montem acampamento. A marcha do MST em direção a São Gabriel teve início há cerca de cinco meses, quando uma área de 13,2 mil hectares de propriedade de Alfredo Southall foi desapropriada pelo governo federal para fins de reforma agrária. O Supremo Tribunal Federal suspendeu a ação desapropriatória, e desde então ruralistas temem que o MST invada propriedades do município. A caminhada dos agricultores, interrompida diversas vezes por uma contramarcha dos ruralistas, foi retomada nesta sexta, dia 28. O MST alega que pretende acampar em área cedida, mas produtores temem que os manifestantes ocupem propriedades privadas. A área para a qual os agricultores se dirigem foi comprada por um simpatizante do MST e é vizinha às propriedades de Alfredo Southall. Os fazendeiros alegam que a propriedade está em processo de inventário, por isso sua venda seria irregular. 

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