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Pai que atirou no filho diz que ele exigia R$ 200 mil para fazer Medicina

24 junho 2019 - 20h05Por Da redação

Ouvido nesta segunda-feira, dia 24 de junho, Eder Lincoln Gonçalves da Cunha, que atirou contra o filho durante uma briga no último sábado (22), afirmou que a vítima exigia R$ 200 mil para fazer medicina no Paraguai. No dia do crime, ele teria atacado o pai, que conforme a defesa de Eder, atirou com o intuito de assustar o filho. O rapaz foi atingido, socorrido e encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande, mas não aguardou atendimento médico.

Eder se apresentou nesta segunda-feira na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande – com a arma usada no crime, onde foi ouvido pela delegada Daniella Kades. Em interrogatório ele confessou que atirou para assustar o rapaz, que estava em um momento de fúria contra o pai. “Ele relatou que mesmo após ferido pelo tiro, o filho o atacava e chegou a pegar facas, mas foi contido pelo pai, que resolveu sair do local quando a vítima relatou que havia chamado a Polícia Militar”, explicou Daniella.

Após, Eder fugiu em uma caminhonete e seguiu até a cidade de Sidrolândia na casa de familiares, onde fez contato com o advogado José Roberto da Rosa. Depois de ser ouvido pela delegada, o suspeito foi liberado.

A Polícia Civil deve ouvir testemunhas e familiares nos próximos dias, também tentar acesso às câmeras de segurança do local onde aconteceu o crime.

Durante apresentação, o suspeito também apresentou laudos que comprovam que o filho – que morava com o pai – fazia tratamento psiquiátrico. Cerca de 30 dias antes da data do crime, conforme as informações da defesa, o rapaz teria fugido da clínica que fazia tratamento e foi para a casa da mãe – que chegou a pedir medida protetiva contra o ex-marido. “Ele nem entendeu o motivo da medida, já que não tem contato com ela há anos”, relatou José Roberto.

Brigas antigas

Conforme a defesa, Eder chegou a contratar segurança particular, após inúmeras ameaças que vinha recebendo do filho. “Ele queria dinheiro para fazer medicina no Paraguai e como o pai negou, motivou toda a situação”, afirmou o advogado. Conforme a polícia, há boletins de ocorrência de ameaça, lesão corporal e violência doméstica na relação familiar.

Ainda, de acordo com a polícia, em 2013 o filho de Eder teria tentado atropelar policiais civis e foi baleado na região do tórax. O rapaz foi socorrido na ocasião, mas fugiu do hospital. Ele foi condenado a seis anos pelo crime.

No entanto, em meio a tantas brigas, a Polícia Civil informou que Eder tentava ser um pai presente na vida do filho, mas ele apresentava “mudanças de humor e agressividade contra o pai”.

Dívida de R$ 2 milhões

A defesa de Eder afirmou que não existe dívida de R$ 2 milhões no nome do filho. “Existe sim uma divida de uma empresa, que não tem envolvimento com o filho dele e muito menos chega a esse valor”, confirmou o advogado. Ele ainda afirma que o filho recebia salário de R$ 2,8 mil por mês, para trabalhar na empresa família, mas vivia exigindo dinheiro do pai.

O advogado José Roberto afirma que o pai não tinha intenção de matar o filho. “Ele atirou para cima para assustar. Continuou sendo atacado pelo filho, mas não chegou a usar a arma, tanto que fez apenas um único disparo. Iremos alegar a legítima defesa, após ter acesso aos laudos médicos da vítima, para saber, de fato, onde o tiro pegou e qual a gravidade da lesão”, confirmou. A arma usada no crime, um revólver calibre 38, seria herança de família, legalizada e estaria no inventário do pai de Eder.

Outra versão

O filho disse ao site Midiamax que teria ido até o local para cobrar uma dívida de aluguel, quando acabou sofrendo o atentado pelo próprio pai. Em data anterior, a vítima já havia registrado boletim de ocorrência

contra o autor por ameaça.

No dia 11 de junho, o jovem procurou a delegacia, onde relatou que tinha uma relação conturbada com o pai e que o mesmo o teria ameaçado por telefone dizendo: “Se você aparecer aqui vou te encher de bala”. O imóvel em questão, conforme consta no registro policial, pertence aos dois.

Ainda conforme informações do boletim de ocorrência, o jovem foi expulso da casa pelo seu pai e desde então não podia mais ficar lá e estaria desabrigado. Ele relata ainda no boletim de ocorrência, que o pai possuía arma de fogo e, inclusive, andava armado.

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