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Ônibus escolar sofre atentado em aldeia de Miranda

05 junho 2011 - 06h18

Lideranças do povo Terena da Terra Indígena “Cachoeirinha”, município de Miranda, denunciaram que na sexta-feira, dia 03 de junho, por volta das 23h30, o ônibus escolar utilizado no transporte dos alunos que estudam na rede escolar no município de Miranda, sofreu um ataque com pedras e tentativa de incêndio, no retorno para a aldeia.

Segundo os indígenas, o ataque ocorreu logo depois que o ônibus entrou na área indígena, cerca de 300 metros da rodovia. Com cerca de 30 alunos, o veículo, num primeiro momento, foi cercado e pedras foram atiradas, estourando os seus vidros. Em seguida, objetos pegando fogo foram atirados contra o ônibus numa tentativa de incendiá-lo.

As lideranças indígenas relatam que o motorista, na tentativa de se salvar abandonou o veículo ainda em movimento, enquanto os alunos tentavam sair pelas janelas quebradas.

Quatro alunos sofreram queimaduras, sendo que um deles foi levado para Campo Grande e está internado na Santa Casa.

A Polícia de Miranda esteve no local e, segundo os indígenas, autorizou a remoção do veículo sem realizar nenhum tipo de perícia. Nesta manhã lideranças da aldeia estiveram na Delegacia de Polícia em Miranda para exigir investigações. E denunciam que, a negligência policial é uma tentativa de criminalizar integrantes do povo, ao sugerir como causas do atentado conflito interno da área.

As lideranças relatam que recolheram objetos possivelmente deixados pelos agressores. E que, já há alguns dias, os alunos teriam percebido que uma moto com dois ocupantes rondava o ônibus no trajeto até a aldeia.

O povo Terena de Cachoeirinha possui várias de suas lideranças ameaçadas de morte devido à luta travada pela desintrusão de fazendeiros de suas terras tradicionais já identificadas e declaradas pelo Governo Federal. É o caso de parte da fazenda “Petrópolis”, onde incide o ex-governador de MS, Pedro Pedrossian, fazenda “Charqueada”, que recentemente teve parte de sua área retomada pelo povo Terena, entre outras, que também incidem sobre a terra indígena.

Devido às ameaças, em abril passado, a comunidade recebeu a visita da Equipe Técnica Federal do Programa de Proteção de Defensores dos Direitos Humanos – PPDDH, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Na ocasião, diversas denúncias foram feitas, sendo inclusive recomendada a inclusão de lideranças Terena no programa de proteção.

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