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Novas vítimas de seguranças das Lojas Americanas

25 maio 2011 - 15h21

Mais um caso de violência envolvendo as Lojas Americanas em Campo Grande veio à tona nesta quarta-feira. A vítima é Renan Carvalho Nogueira, que diz ter sido espancado no dia 7 de dezembro de 2009, por seguranças da loja, depois de ser acusado de facilitar o furto de celulares.O detalhe é que o rapaz não era cliente e sim funcionário de uma operadora de celulares com quiosque dentro das Americanas.

O caso foi relatado hoje aos vereadores, em mais uma audiência sobre as agressões. De acordo a advogada de Renan Simone Aparecida Cabral Amorim, este tipo de procedimento que ter termina em agressão é uma política da empresa. “É uma política agressiva para tentar resolver as situações”, disse.

A mesma opinião é compartilhada pela advogada Regina Iara Bezerra. “Eles (segurança) têm o costume de fazer isso e ficar isentos”, afirmou.
Os membros da Comissão de Direitos Humanos da Câmara ao final da audiência decidiram fazer um levantamento dos casos de violência registrados dentro da loja e encaminhar um relatório dos mesmos para a direção nacional da empresa e para a OAB.

Terceiro caso - Na época da agressão, Renan trabalhava como promotor de vendas nas Americanas. Dois dias antes das agressões, um rapaz entrou na loja e furtou dois aparelhos do quiosque de responsabilidade da vítima.
Conforme a advogada de Renan, Simone Aparecida Cabral Amorim, ao verificarem as imagens gravadas no dia do crime, os seguranças deduziram que seu cliente, por ter feito um movimento com a cabeça, teria facilitado o furto.

“Eles acharam que pela filmagem pelo fato do meu cliente ter olhado para o lado, que ele soubesse que o rapaz estava pegando os celulares”, afirmou.
Os representantes da empresa no qual a vítima trabalhava foi acionada pela direção da loja que apresentou os fatos. De acordo com a advogada, a empresa não considerou as acusações, e já sabendo como agiam os seguranças, transferiu Renan para outro estabelecimento.

Após o ocorrido, o mesmo rapaz que furtou os celulares retornou a loja dois dias depois e acabou flagrado pelos seguranças tentando pegar outros aparelhos. Ele foi levado para uma sala e lá violentamente espancado.

Segundo a advogada, muito machucado e cansado de apanhar, ele foi induzido a acusar seu cliente de ter participação no crime. “Prenderam ele naquela maldita sala. O menino apanhou tanto que acusou Renan”, disse relatando que durante as agressões, os seguranças citaram o nome do Renan como ajudante nos furtos e o rapaz, coagido, acabou confirmando.

Em seguida a declaração do autor, juntamente com um representante da loja, os seguranças foram até o local de trabalho da vítima e o obrigaram a acompanhar até uma sala nas Lojas Americanas. Ao entrar no local, conforme a advogada, Renan começou a ser espancado pelos seguranças que o golpearam várias vezes na cabeça. “Ele ficou muito machucado. Teve corte na cabeça, no rosto, no nariz e nas orelhas”.

Para tentar minimizar a situação, os seguranças alegaram que seu cliente e o autor do furto teriam se agredido.“Mesmo meu cliente afirmando que não tinha nada a ver com o furto, os seguranças continuaram batendo nele”, disse.

Renan procurou a policia e registrou um boletim de ocorrência contra os seguranças. Ele está processando a loja e quer uma indenização de R$ 50 mil reais por danos morais.

Este é o quarto caso envolvendo a loja. No dia 23 de abril deste ano, o vigilante Marcio Antonio de Souza teve o nariz quebrado e várias fraturas no rosto provocadas por socos desferidos pelo segurança Décio Garcia de Souza.

As agressões aconteceram depois que os seguranças suspeitaram que Marcio havia furtado um ovo de páscoa de dentro da loja. Ele foi levado para uma sala e agredido com requintes de crueldade.

Em novembro de 2010, dois deficientes mentais após pegaram um CD também foram agredidos. Na ocasião, os seguranças só pararam de bater depois que as vítimas, bastante feridas, começaram a chorar.

Este caso está sendo acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil secional Mato Grosso do Sul).
Em 2008, Heitor Medeiros Guedes acusou de agressão dois seguranças da loja. Na época ele relatou a polícia que foi levado para uma pequena sala, sem janelas, no interior da loja e agredido com cabo de vassoura, socos e chutes no estômago. Um dos seguranças o teria tentado sufocar.
Os seguranças agrediram Heitor porque ele saiu do provador com uma camiseta da loja.

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