Menu
Busca quarta, 24 de abril de 2019
(67) 9860-3221
LAVA JATO

MPF denuncia Nuzman, 'Rei Arthur' e Cabral compra de voto na Rio 2016

18 outubro 2017 - 12h20Por G 1

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, Arthur César de Menezes Soares Filho (o Rei Arthur) e Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), por corrupção devido a suspeita de compra de votos para a escolha do Rio como sede olímpica em 2016. Nuzman também foi denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Também são denunciados por corrupção o braço direito de Nuzman, Leonardo Gryner, e os senegalezes Papa Massata Diack e Lamine Diack. Lamine, integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI), teria vendido o voto dele e negociado a venda ilegal com outros membros africanos do comitê. Papa, seu filho, teria ajudado Nuzman no negócio e recebido o dinheiro. Contra Gryner também há uma denúncia por organização criminosa.

De acordo com a denúncia, Cabral, Nuzman e Gryner solicitaram diretamente a Arthur o pagamento de US$ 2 milhões para Papa Diack, para garantir votos para o Rio de Janeiro na eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o que configura corrupção passiva.

A denúncia equipara Nuzman e Gryner a funcionários públicos, uma vez que tanto o COB quanto o Comitê Organizador dos Jogos receberam e eram gestores de verbas públicas e exerciam, por delegação, uma atividade típica de Estado: o desporto. “Onde existe verba pública, existe dever de probidade e existe a responsabilidade daqueles que a gerem, podendo, portanto, ser responsabilizados quando atuarem em contrariedade ao que determina a lei”, completam.

Além da condenação pelos crimes tipificados, a denúncia pede a reparação por danos materiais no valor de R$ 6,34 milhões e de danos morais no valor de R$ 1 bilhão.

Nuzman está preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio, desde 5 de outubro. Ele teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas por intermediar o pagamento de propina para que o Rio fosse escolhido sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A defesa nega as acusações.

O pedido de prisão, diz o MPF, foi decretado porque houve uma tentativa de ocultação de bens no último mês, após a polícia ter cumprido um mandado de busca na casa de Nuzman no mês passado. Agosto deEntre os bens ocultados há valores em espécie e 16 quilos de ouro, que estariam em um cofre na Suíça.

Os procuradores afirmam, ainda, que Nuzman utilizou dinheiro da Rio 2016 para pagar o escritório de Nélio Machado, seu advogado. Em e-mail enviado no dia 25 de setembro deste ano — após ter sido levado coercitivamente para prestar depoimento —, Nuzman afirma que a Diretoria Estatutária do Comitê Rio 2016 determinou a aprovação do contrato de prestação de serviço com o escritório de advocacia, no valor de R$ 5,5 milhões.

O advogado Nélio Machado disse que já havia atendido à Rio 2016 no ano passado e que sua atuação junto ao Comitê não tem qualquer irregularidade. De acordo com o advogado, ele foi contratado para atuar na defesa da Rio 2016 e o contrato incluía defender, se necessário, os integrantes do conselho gestor, entre eles Carlos Arthur Nuzman.

As negociações

agosto de 2009 - Há cerca de dois meses para o anúncio final, Nuzman, Gryner e Cabral se encontraram com Lamine Diack, oportunidade em que o senegalês indicou seu filho (Papa Diack) para tratar de pagamentos por “patrocinadores”.

agosto de 2009 - Gryner foi apresentado por Cabral a Arthur Soares, aproximando-os para acertar o pagamento aos Diack.

setembro de 2009 - Aconteceu em Paris o episódio que ficou conhecido como “Farra dos Guardanapos”, que contou com a participação de vários integrantes da organização criminosa chefiada por Cabral, inclusive Nuzman.

2 de outubro de 2009 - Rio foi anunciado como cidade-sede da Olimpíada de 2016.

dezembro de 2009 - Papa Diack encaminha uma série de mensagens para Nuzman e Gryner cobrando o restante dos pagamentos devidos aos seus amigos, o que indica que houve distribuição de vantagens indevidas a outros africanos.

dezembro de 2016 - Nuzman e Gryner concedem ao LSH Barra Hotel, da qual Arthur Soares é sócio, o perdão da multa contratual e desconto de 30% sobre o valor que o hotel deveria devolver por ter descumprido acordo firmado como o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos.

Deixe seu Comentário

Leia Também

CAARAPÓ
Bombeiros encontram corpo de criança que se afogou em rio
BRASIL
Tabela do frete é reajustada em 4,13%
CONTRA VIOLÊNCIA
Médicos de MS querem mais segurança para trabalhar
CONFORTO E ELEGÂNCIA
Visuais com vestidos fluidos para você se inspirar
TRÁFICO
Mulher é presa transportando 20kg de maconha em ônibus
TURISMO SOCIAL
Conheça quatro projetos para fazer trabalho voluntário na Amazônia
DOURADOS
“Mãe Jornalista Convida” supera as expectativas e reúne mais de 100 mães
QUARTA FASE
Vasco recebe o Santos em duelo decisivo pela Copa do Brasil
DOURADOS
Marcelino Pires terá interdição no cruzamento da “Mão do Braz” por 15 dias
BRASIL
Indígenas pedem apoio no Congresso contra MP da demarcação de terras

Mais Lidas

DOURADOS
Preso é baleado ao estourar cadeado de cela para buscar ‘encomenda’ no pátio da PED
DOURADOS
Preso baleado na perna tentava pegar malote com 13 celulares
DOURADOS
Homem morre no HV após ser espancado e polícia suspeita de latrocínio
IMPASSES
UFGD "desafia" MEC e Ministério pede realização de nova eleição para Reitoria