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Voto: um direito conquistado

16 agosto 2006 - 12h38

Thiago Leandro Vieira CavalcanteDentro de pouco mais de um m�s iremos cumprir nosso dever de eleitores. Teremos a obriga��o de escolher nossos representantes, que ir�o criar e modificar nossas leis e administrar nossos bens p�blicos. Indicaremos um deputado federal, um estadual, um senador, um governador e um presidente da republica. Aqueles que forem indicados pela maioria da popula��o ter�o o dever de nos representar durante os pr�ximos quatro anos.At� aqui o dito parece �bvio e afinal de contas �. Mas o grande problema � que os damos pouqu�ssimo valor a esse processo que ter� importantes reflexos nas vidas de todos n�s e n�o valorizamos nosso direito de voto que s� foi conquistado a duras penas. Vamos lembrar um pouco de nosso passado e refletir sobre o assunto.Com a independ�ncia do Brasil em 1822 os brasileiros passaram a viver sob o regime de monarquia constitucional, isso significa que ao menos na teoria o imperador n�o tinha poderes ilimitados, pois o novo pa�s teria uma assembl�ia composta por deputados e senadores que deviam representar ao povo. Nesse contexto apenas alguns brasileiros tinham o direito de voltar. A constitui��o de 1824 determinava que votariam somente os homens que gozassem de renda m�nima, o voto era censit�rio. As elei��es se davam de forma indireta. Os eleitores de primeiro grau, aqueles que tivessem renda acima 100 mil-r�is, elegiam os eleitores de segundo grau que precisavam ter renda de 200 mil-r�is e esses �ltimos elegiam os deputados e senadores. � evidente que esse sistema eleitoral exclu�a a imensa maioria da popula��o, eram somente os membros da aristocracia que tinham direito ao voto. Ainda no imp�rio em 1881 foi aprovada uma reforma eleitoral na qual o voto foi proibido aos analfabetos, os eleitores de primeiro grau foram eliminados, manteve-se a exclus�o das mulheres e a exig�ncia de renda m�nima em 200 mil-r�is. Assim o percentual de brasileiros que tinha direito ao voto era de apenas 1% da popula��o. Em 1891 a constitui��o republicana eliminou a exig�ncia de renda, mas continuou excluindo mulheres e analfabetos. Com isso, devido ao gigantesco �ndice de analfabetismo, o n�mero de eleitores ainda era de apenas 2% da popula��o. Essa hist�ria do inicio da na��o ainda se arrastaria por muitos anos. V�rios brasileiros e brasileiras lutaram pelo direito ao voto, passamos por ditaduras, momentos com caracter�sticas democr�ticas, elei��es indiretas etc. Para se ter uma id�ia as mulheres s� tiveram o direito ao voto garantido a partir de 1934 e somente nesse mesmo per�odo que o voto passou a ser secreto. Depois disso muitas vezes tivemos nosso direito cerceado. Na ditadura militar as elei��es majorit�rias eram indiretas, al�m de que os ditadores sempre recorriam a medidas autorit�rias e impositivas. Em meio � t�o conturbada hist�ria nacional, �s custas de muita luta e do sangue de muitos brasileiros conseguimos aos poucos conquistar o direito universal ao voto. Somente em 1988 no per�odo de redemocratiza��o � que a nova constitui��o expande o direito ao voto a todos os cidad�os de ambos os sexos incluindo analfabetos. Essa breve exposi��o n�o relata integralmente a luta pelo direito ao voto no Brasil, ela � bem mais ampla, mas nos leva a refletir sobre quanto foi dif�cil chegarmos a o atual est�gio. A constitui��o de 1988. Estabeleceu o voto universal a partir dos dezesseis anos, com obrigatoriedade para alfabetizados entre dezoito e setenta anos. Essa conquista muitas vezes n�o � plenamente valorizada. Muitos votam por obriga��o desprezando a grande conquista de um direito duramente adquirido.Ao votar elegemos nossos representantes. E como escolher algu�m que ir� nos representar? � obvio que todos os candidatos representam grupos sociais, pois bem de posse dessa informa��o n�o seria aconselh�vel votar em algu�m que represente interesses contr�rios aos seus. Para nos representar temos que eleger pessoas que sigam a mesma linha de pensamento pol�tica nossa. Mas como saber quem realmente pensa como n�s. Nesse momento as palavras muitas vezes assumem posi��es secund�rias, nem sempre a vida do candidato � coerente com seu discurso, precisamos conhecer a vida, o hist�rico de lutas e posicionamentos dos candidatos, s� assim � que poderemos conseguir discernir sobre a melhor op��o. Naturalmente que n�o h� possibilidade de termos plena certeza de como ser� a conduta de determinado candidato, mas podemos imaginar. O que uma pessoa j� fez em sua vida, pode nos dizer muito sobre o que ela ainda ir� fazer se ocupar um cargo que lhe confira poderes.O principal nesse momento t�o importante � exercer nosso direito com consci�ncia e responsabilidade, pois as conseq��ncias s�o sempre grandes. Elas podem ser grandiosamente boas e tamb�m graciosamente ruins. Boa parte da responsabilidade desse resultado � de todos n�s cidad�os que gozamos de t�o almejado direito ao voto. Esperemos que nossos candidatos cumpram sua obriga��o de nos representar com coer�ncia e lisura. O autor � Mestrando em Hist�ria pela UFGD

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