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“Seo” Salu

18 dezembro 2003 - 12h21

No dia 13 de janeiro de 1910 nasceu no futuro município de Dourados Salustiano Carneiro Alves, filho de Joaquim Teixeira Alves e Pureza Carneiro Alves. “Seo” Salu, como é conhecido, teve mais três irmãos, João, Elite e Espirituosa (Filhinha). O filho mais velho da família Teixeira Alves era ainda muito pequeno quando o pai morreu, e teve que trabalhar desde cedo, ajudando na criação de gado e o plantio de alimentos na fazenda Coqueiro, implantada por Joaquim Teixeira Alves. Por esse motivo, “Seo” Salu praticamente não teve tempo para os estudos. Tudo o que aprendeu foi na convivência com os peões da fazenda e com quem se relacionava comercialmente. Teve uma infância e uma juventude bastante modestas. Só calçou o primeiro par de sapatos aos 17 anos de idade. Dona Pureza, a mãe, voltou a se casar, com Emídio Aquino, e teve outros cinco filhos. Todos cresceram juntos, morando na fazenda até quando o casal decidiu transferir residência para Aquidauana. Salustiano e os dois irmãos, fruto do primeiro casamento, ficaram em Dourados tomando conta da propriedade deixada pelo pai.Aos 22 anos, Salu conhece Ercília (Cila), então com 18 anos, filha de Ramão Tomaz Ozório e Dorália. A moça havia perdido o pai aos 14 anos e também ajudava a família no comando de uma propriedade na região do Potreirito. Em 1933, eles se casaram e foram morar na fazenda Coqueiro, onde nasceram os cinco filhos, Wilson, Hilton, Onecy, Vilma e Lecy. Todos cresceram trabalhando na lavoura e criação de gado.“Seo” Salu nunca fugiu dos desafios. Ele produzia a erva-mate na fazenda Coqueiro e levava para Campo Grande, numa viagem que chegava a durar 30 dias, de carreta. De lá, trazia farinha, sal e outros mantimentos necessários para o dia-a-dia na fazenda. As terras foram se expandindo e o casal Salustiano e dona Cila gostava de reunir amigos e familiares em festas com churrasco que duravam até três dias sob os grandes pés de Figueira. Ali também se casaram quatro dos filhos.Em 1962, mudou-se para Dourados, onde morou por muito tempo na antiga rua São Paulo, atual Antônio Emílio de Figueiredo. O filho Onecy ficou tomando conta da fazenda Coqueiro. Posteriormente, comprou a casa onde até hoje mora o filho do pioneiro, na rua Albino Torraca, próximo ao colégio Imaculada Conceição.Hoje, “seo” Salu praticamente não anda mais. Vive em cadeira de rodas, fala pouco, mas ainda recorda alguns bons momentos da vida e dá boas gargalhadas. Acometido do mal de Alzaimer, vai convivendo com o processo de evolução da doença. Mesmo com toda essa luta, e a contribuição para a história de 68 anos do Município, Salustiano Carneiro Alves até hoje não conseguiu despertar a atenção das autoridades, em meio a uma infinidade de títulos e comendas que são distribuídos aos quatro cantos.

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